quinta-feira, 26 de março de 2009

Il faut cultiver notre jardin

Gosto do "Cândido" de Voltaire, e gosto da frase que encerra o livro.

Il faut cultiver notre jardin. É preciso cultivar nosso jardim.

Voltaire era anticlerical, e, dizem, antipático. Mais que jardins, gostava de cultivar inimigos. Não era um democrata: acreditava no despotismo esclarecido, isto é, em um monarca absoluto, desde que orientado por filósofos (como ele mesmo). Segundo alguns, suas idéias conduziram ao banho de sangue também conhecido como Revolução Francesa.

Verdade ou não, pouco importa. O livro é bom, e a frase é boa.

Os utopistas, os socialistas, os fascistas, os ecologistas - todos querem mudar o mundo. À sua imagem e semalhança, é claro. Para nosso bem, sem dúvida. Já eu não tenho tal intenção, nem creio que esta seja saudável.

Acredito apenas que: é preciso cultivar nosso jardim. Nada de planos megalômanos de reforma total social mundial. Para que tanta ambição? Se cada um cuidar cultivar com cuidado seu próprio jardim, já estará de bom tamanho. E mesmo isso é difícil.

Haverá, é certo, momentos em que nem isso os poderosos do momento nos deixarão fazer. Entrarão no nosso jardim, roubarão nossos frutos e pisarão nas nossas flores.

E então será preciso defender o jardim.

Com palavras, sempre.

Com armas, se preciso for.

Porque não queremos mudar o mundo, mas tampouco queremos que o mudem contra a nossa vontade, e nos retirem a única coisa que temos.

Cultivar o jardim é nosso dever e nosso direito.

Il faut cultiver notre jardin.

19 comentários:

Chesterton disse...

o direito de propriedade!

Chesterton disse...

essa é para o Marton

http://i39.tinypic.com/1zl87iu.jpg

Chesterton disse...

essa é para o Pax

http://www.getliberty.org/content_images/Cartoon%20-%20Fundamentals%20are%20Strong%20(600).jpg

Pax disse...

A minha não abriu aqui Chesterton, velho e bom Chesterton.

Faça o favor de fazer o serviço bem feito.

O desengonçado agora virou ambientalista?

Cada coisa que vejo, já se confessou comunista, agora ambientalista.

Daqui a pouco vai dizer que no fundo sempre foi um social democrata que quer que todo o povo estude em escolas de alta qualidade patrocinadas pelos impostos cobrados do povo.

Só falta isso. Aí mando amarrar com camisa de força.

Ou ele, ou eu.

:-)

Edu disse...

Cada um no seu quadrado, ops, no seu "jardin".

Gunnar disse...

Tá, cada um no seu quadrado.

Mas e o espaço público? Chamam-me "de esquerda" porque defendo que o automóvel deve perder espaço e importância no planejamento urbano das cidades, mas nada mais estou fazendo do que defender o "meu jardim".

Afinal, é uma distorção injustificável que 70% do espaço público seja destinado a um meio de transporte que carrega apenas 30% da população... e tudo isso com um custo social elevadíssimo, que infelizmente, 100% dos cidadãos são obrigados a pagar.

Bispo Macedo disse...

Olha, Gunnar, é "melhor cada um no seu quadrado" do que "cada um no seu redondo".
Quanto ao senhor ombudsman, o mesmo não será queimado, pois suas respostas são inteligentes e bem-humoradas. No máximo uns 3 padre-nossos e umas 4 ave-marias. Talvez um açoite com galhos de arruda. Coisa leve.

Diogo. disse...

Epa, estou nessa com o Gunnar: chega de "automobilização" das cidades.

Mas vai dizer isso para um presidente criado no seio da indústria automobilística brasileira, e da máfia dos sindicatos no ABC.

Quanto ao post, vou dar uma de Obamista agora: seria o jardim dos republicanos as mentiras acerca das armas de destruição em massa do Sadam? A difusão do pânico na população americana, para aprovar leis que violem a liberdade civil?

É, cada um cultiva o seu jardim, e ele nem sempre cheira bem.

Vide a flor-cadáver, a maior flor do mundo.

Mr X disse...

A idéia do post era bem mais metafórica, mas tudo beeeeim.

Carros, é? Tou precisando comprar um carro aqui. Só de bicicleta e ônibus é impossível nesta cidade do cão.

Na verdade, cada vez gosto menos de cidades grandes: faria como o Pax e me mudaria para uma fazenda, se pudesse. Mas o Pax é capitalista latifundiário, eu sou um mero trabalhador. :-(

Didi Iashin disse...

Okeis, vou fazer um "desafio":
quem é que anda de bicicleta pelas dóceis ladeiras de Pacaembú, Perdizes, Pompéia, Sumaré ...?
Estou falando do meu "feudo". Aqui, se4m "motorzinho, não dá. Dava no início do sécuilo XX, mas agora NÃO DÁ!
Eu estou muito velha para voltar a viver em árcvores e andar de jumentinho.
PS.: Eu só sei dirigir carrinho de bebê e de supermercado.

Chesterton disse...

Mas e o espaço público? Chamam-me "de esquerda" porque defendo que o automóvel deve perder espaço e importância no planejamento urbano das cidades, mas nada mais estou fazendo do que defender o "meu jardim".

Afinal, é uma distorção injustificável que 70% do espaço público seja destinado a um meio de transporte que carrega apenas 30% da população... e tudo isso com um custo social elevadíssimo, que infelizmente, 100% dos cidadãos são obrigados a pagar.

chest- isso aqui está errado. Andar a pé tb polui, pois o sujeito peida ao andar (se é a cavalo então é pior ainda) e sabemos que agora o gás da moda é o metano.

Pax disse...

Agora virei capitalista latifundiário.

Esse Mr X é mesmo desengonçado e tem um periscópio bem descalibrado.

Sei lá porque aceito cuidar dele.

É uma missão que os orixás, oxalás, mulás, rabinos e padres me pedem diuturnamente.

Eu tento, mas é bem difícil.

Se a maré não virar, tô é ferrado, Mr X. Mas vai virar.

Pax disse...

E, de quebra, ainda tenho que cuidar da educação do velho e bom Chesterton.

Barrabás!

Mr X disse...

Cuidado Pax,
Que um dia desses chamo o MST pra invadir seu latifúndio improdutivo aí. :-P

Chesterton disse...

Pax, não me diga que você se mandou para o meio do mato para cuidar do sitio da titia....

Pax disse...

titia?

Pax disse...

Brinca não Mr X,

O MST invadiu uma fazenda aqui perto.

Aqui é pequeno. Manda só umas 2 ou 3 famílias que dá pra acomodar.

Pax disse...

Já nos arrozais e pastos de invernada do Chesterton... hum...

Chesterton disse...

MST cultivar arroz Essa é a piada do ano, eles nunca teriam o trabalho. Esnobam terras onde é necessário esforço.