segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O liberalismo é um beco sem saída

Na Suécia foram eliminadas do diagnóstico médico as palavras fetichismo, travestismo e sadomasoquismo. Hoje seus praticantes são considerados pessoas normais, e é possível que sejam mesmo. As palavras pedofilia, voyeurismo e exibicionismo ainda fazem parte da lista de diagnóstico médico, mas talvez daqui a uma década não façam mais.

Tudo bem. Nada tenho contra fetichistas e voyeuristas. O problema é o seguinte. Se tudo é aceito, se tudo é normal, como impor limites? Quem somos nós para julgar? Porque travestismo sim e pedofilia não, ora bolas? Em base a quê?

O problema do liberalismo é que é tão incapaz de julgar os outros que já não consegue impor qualquer norma de comportamento. Vale tudo. Se Deus não existe, tudo é permitido.

Há alguns meses, uma mãe solteira inglesa, que vivia do auxílio-desemprego, resolveu tirar umas férias de seis meses em Goa, na Índia. Levou o namorado e a filha de 15 anos, a quem tirou do colégio por seis meses, e lá foi para a Índia participar de uma série de festas regadas a sexo, drogas e roquenroll. Ao viajar para outra cidade para participar de novas festas com o namorado, preferiu deixar a filha, Scarlett Keeling, sozinha em Goa sob os cuidados de um "ficante" de 27 anos que a menina conhecera há poucas semanas. A filha - que, naturalmente, sob o exemplo materno também consumia maconha e cocaína e transava com estranhos - foi a uma festa onde teve uma overdose de ecstasy, maconha e LSD, foi estuprada e finalmente terminou afogada na praia em circunstâncias misteriosas - provavelmente assassinada.

A mãe declarou-se chocada. O público inglês criticou fortemente o comportamento da mulher e acusou-a de ser a culpada pela morte da filha, mas os intelectuais esquerdistas, pedagogos e assistentes sociais a defenderam; disseram que não fora culpa sua, que a menina apenas estava "no lugar errado na hora errada com as pessoas erradas". Como se isso não fosse o resultado de decisões concretas, mas de mera coincidência. Poderia ter acontecido com qualquer um...

Esses mesmos intelectualóides ainda acusaram os críticos do comportamento negligente da mãe de "misóginos", e insistiram que não se devia criticar "o estilo da vida da mãe e da garota", pois "isso não justifica um assassinato". Outros ainda disseram que "os adolescentes são assim mesmo".

Ou seja, para esses malucos, deixar a filha de 15 anos em uma festa com estranhos em um país estranho, fazendo sexo com um desconhecido com o dobro da idade, fumando e cheirando cocaína é a mesma coisa que ficar com ela em casa comendo biscoitos e assistindo um filme da Disney na televisão.

Será que se essa menina tivesse um pai a história não teria sido bem diferente?

O ressurgimento do islamismo na Europa entra nesse vácuo moral. As pessoas e especialmente as sociedades precisam de regras de comportamento. Uma mulher branca européia convertida ao islamismo falou isso mesmo ao explicar os motivos de sua conversão: "preciso de regras de comportamento".

O diário da menina assassinada mostrava que, apesar de todo o hedonismo, drogas e festas sem limites, a mocinha era bastante confusa e infeliz. Drogas e sexo sem limite não trazem felicidade.

O liberalismo absoluto não leva a lugar nenhum, e seu reinado não durará.

16 comentários:

Kct disse...

Falta de pai, é o que eu sempre digo.

Kct disse...

Olha essa: Segundo o estudo da Secretaria de Ação Social do Distrito Federal, realizado com adolescentes do Centro de Atendimento Juvenil Especializado, o número de jovens que cometem delitos é maior entre os que foram criados longe do pai. A psicóloga Elda Pereira, supervisora do Setor de Execução de Medidas Socioeducativas da Vara da Infância e da Juventude, confirma os dados do estudo: ''Nossa experiência mostra que a maioria dos jovens atendidos vem de famílias desestruturadas, em que o pai realmente está distante da criação dos filhos."

Bem, mas resta a dúvida: será que se ela tivesse tido um pai ele não seria um drogado também?

Gerson B disse...

Preocupante mesmo o atual estado de coisas.

No caso da pedofilia ainda há um diferencial, o envolvimento de menores. Mesmo que se achasse normal um pedófilo(não acho pedófilos normais, é só uma comparação), sua conduta deveria ser criminalizada. Assim como um assaltante pode ser normal, mas não deixa de ser criminoso.

E realmente deixar uma filha nessas condições é um absurdo.

Chest disse...

KCT, pai ele teve, e por ser provavelmente um irresponsável, não deu auxilio à mãe (rs).
Brincadeiras a parte, essa questão de maternidade sem pai conhecido é um verdadeiro câncer social, e uma espécie de sonho das feministas européias. Darlymple escreveu muito sobre isto...

http://www.city-journal.org/author_index.php?author=47

Uma biblioteca.

Chesterton disse...

Clinton is the product of the disastrous influence of psychology in our culture. It can render those susceptible to it incapable of distinguishing between the day-to-day flux of our emotional life and the greatest events in history. An interest in our own psychology encourages us to lose all sense of proportion—one reason that people are so apt these days to make trivial metaphorical use of Auschwitz. It also can blind one to the existence of real evil. Clinton, after all, had the power to stop genocide in Rwanda, but his own petty drama was of more interest and importance to him.

http://www.city-journal.org/html/14_3_sndgs07.html

Pax disse...

Porque será que desconfio que o moralismo é o reduto dos direitopatas?

Agora são os arcanjos e únicos defensores do Bem?

Hum... sei não, daqui a pouco vão dizer que todo pedófilo é de esquerda.

Sei... até parece. Esqueceram dos padres católicos e dos estragos que fizeram por todo lado?

Chest disse...

a esquerda em termos de moral é relativista. Padre pedófilo é um pedófilo que se ordenou. E muito provavelmente é um padre de passeata. Afinal, Pax, pedofilia é certo ou errado?

Mr X disse...

Pode não querer dizer nada, mas o padre pedófilo mais famoso ultimamente, o tal do Lancelot, é de esquerda... ;-)

Sobre a questão de filhos sem a figura paterna, é um tema amplo e vale outro post.

Mr X disse...

E eu virei moralista agora? :-/ Sexo tudo bem, mas uma menina de 15 morta assim, é triste não?

Chesterton disse...

http://www.olavodecarvalho.org/semana/081114dc.html

para o Pax.

Daniel F. Silva disse...

Algo meio parecido ocorreu em Joaçaba, Santa Catrina...

aninha disse...

pra sua informação, pai ela teve, só que pelo visto o cara nunca assumiu nada.

claro que a mãe dela foi em muito responsável pelo desfecho, agora o estereótipo da figura paterna, me desculpem.

perdi meu pai aos 7 anos e fui criada numa casa só com mulheres e nunca fiz nada que se aproxime disso, nunca cometi um crime e não sou drogada nem alcóolatra.

seria interessante analisar o comportamento de criminosos e pervertidos em geral que venham de famílias "com figura paterna" antes de tacar pedra nas mulheres.

Chesterton disse...

mas Aninha, v. concorda que sem pai é bem mais difícil, certo? Quero dizer, você ressente da situação, você não vai querer que ela se repita, right?

aninha disse...

não entendi a pergunta, Chesterton?
não me ressinto de nada porque o que aconteceu tinha que acontecer (ele não morreu, foi embora, bem típico do gênero)
pra mim, o importante foi crescer numa casa onde não haviam mais mentiras. bem mais difícil? mais difícil do que o quê?
afirmo novamente: é necessário analisar a figura paterna. se ela não for de bom caráter, melhor sem ela.
lembra aquele pai que sequestrou a filha, na áustria? faça a mesma pergunta para aquela menina, hoje mulher. ou faça pra você mesmo, a respota não me parece difícil de encontrar.

aninha disse...

ou esse, recém tirado do G1:

Homem que engravidou filhas pega perpétua
Britânico engravidou jovens 19 vezes durante quase 30 anos de abusos. Ele tem 7 filhos vivos com elas.

deus me livre de uma figura paterna dessas na minha vida!!!

Fabrício disse...

"Porque travestismo sim e pedofilia não?"

Esse tipo de coisa me faz rir dos conservadorossauros. Esse tipo de argumento é tão idiota que chega a ser covardia contrariá-lo. Se você não sabe porque o travestismo não é reprimido mas a pedofilia sim, só lamento (dica: tem algo a ver com "coisas de adultos consensuais" contra "abuso de crianças").

Sério, o que diabos o Estado tem a ver com o coportamento sexual dos cidadãos? Contanto que não envolvam formas reconhecidamente criminosas de sexo (com crianças, com cadáveres, etc.), tanto faz. Cada um dá o que é seu do jeito que melhor lhe agradar e estamos conversados. Afinal, o que seria do branco se todos gostassem do azul?

Ridícula é a militância gay financiada pelo Estado; ridículo é o desejo dos conservadorossauros de enquadrar todo mundo na sua visão de "civilização judaico-cristã", como diz o mais antigo fóssil da espécie, o notório Olavão. Afinal de contas, se você reivindica o direito de dizer aos outros o que fazer, eles também têm o direito de fazer o mesmo. E não seria divertido um mundo onde os travestis dizem aos heterossexuais que eles são "anormais"? Claro que não seria. Pelo menos, para os heterossexuais.

"Se Deus não existe, tudo é permitido"? Melhor dizer "Pimenta no cu dos outros é refresco", sabedoria popular com muito mais validade. É por isso que se diz que todo conservador tem um ditadorzinho dentro de si. Entregue o mundo a eles e teremos o cenário do Alienista, de Machado de Assis: toda a cidade presa por ordem dos "mui normais".