quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Violência urbana e desigualdade social

OK, já que houve clamor popular, continuemos postando, então. ;-)

A proporção de assassinatos na Venezuela no ano em que Chávez subiu ao poder era de 10 para cada 100.000 habitantes. Hoje está em 50 a cada 100.000, portanto, literalmente quintuplicou. Os números de roubos, assaltos e outros tipos de crimes também aumentaram comparavelmente, e o país virou rota principal do narcotráfico.

E no entanto há quem, contra toda lógica, ainda garanta que Chávez está ajudando os pobres e os trabalhadores, e que o aumento da violência nada tem a ver com seus aliados das FARC e do tráfico. Vai entender...

No Brasil, a mesma coisa. A violência urbana também aumentou. Não apenas nas grandes capitais, como agora também cresce nas pequenas cidades do interior.

No outro dia, o carro de uma mulher grávida de sete meses foi metralhado em São Paulo por uma gangue que pretendia roubá-la ou seqüestrá-la. Por sorte, o carro era blindado e ela pode escapar.

Mas o mais grave nem é isso, se não o fato de que alguns comentaristas ressentidos reclamaram do carro blindado da moça. Era apenas uma "burguesa" de carro blindado e portanto, aparentemente, merecia levar chumbo. (O pior é que segundo a reportagem ela era dona de uma barraca de peixes... Quer dizer, agora até a classe média precisa andar de carro blindado).

O discurso de que a pobreza e a desigualdade social é que geram a violência é um dos discursos mais cínicos já gerados por estas bandas. Ao mesmo tempo em que nada se faz para acabar com o poder cada vez maior dos traficantes e criminosos - ao contrário, há uma política de conivência como crime - promove-se a falsa idéia da "desigualdade social gerada pelo capitalismo", a qual seria a verdadeira culpada por todos os males.

Assim, ao mesmo tempo em que se tem uma desculpa para não fazer nada mesmo - é tudo culpa da "sociedade injusta" - se pode acusar o capitalismo por um mal que está sendo criado pelos próprios políticos mancomunados com os traficantes. E quanto mais aumenta a violência, mais se fala na necessidade de criar "justiça social" como meio de resolver o problema, e menos se faz contra o crime. Justifica-se a barbárie em nome da "desigualdade social".

Esquecem esses idiotas que o crime prejudica muito mais os pobres mais do que os ricos. Pobre não tem carro blindado; pobre é assaltado no ônibus mesmo. Pobre morre de bala perdida e nem aparece no jornal.

Qual a solução? Este estudo aqui mostra claramente. Dez anos atrás, a Colômbia era um país muito mais violento do que a relativamente pacata Venezuela. Hoje as respectivas taxas de homicídio se inverteram: a Venezuela é mais violenta do que a Colômbia. Qual a explicação? Muito simples. Álvaro Uribe combateu o crime, as guerrilhas e o narcotráfico. Chávez ignorou-as ou até mesmo promoveu-as, enquanto falava na injustiça do capitalismo e da desigualdade social.

Mas aqui é proibido afirmar que Uribe fez mais pelo povo pobre do que Chávez jamais fez ou vai fazer. Assim como é proibido insinuar que a mesma coisa ocorra no Brasil.

Quando teremos o nosso Uribe?

10 comentários:

Chesterton disse...

a responsabilidade é toda da esquerda (brasileira) que ensinou aos bandidos que crime é uma forma extremada de justiça social.

Chesterton disse...

Mister Équis, dê uma olhada nisto daqui:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=513CID004

Srta. Valentim disse...

Não entendi. Necessito de explicações.
"O discurso de que a pobreza e a desigualdade social é que geram a violência é um dos discursos mais cínicos já gerados por estas bandas."
Você não concorda que, no caso do Rio de Janeiro, o desemprego e a falta de educação básica para a população pobre (desigualdade social) é o que alimenta o tráfico (além dos consumidores de drogas)?

Mr X disse...

Não.

O que alimenta o tráfico é a impunidade e o consumo de drogas.

Nos anos 40 no Rio havia bem mais pobreza e desigualdade social do que hoje, mas não havia essa violência.

Por maior que seja o emprego ou o salário mínimo, o tráfico sempre vai pagar mais.

Coloque o exército contra os traficantes e imponha leis draconianas contra o consumo de drogas (como em Cingapura, onde traficante é executado e quem fuma um vai em cana), e ao sim verá que a coisa muda.

Pax disse...

O Exército contra os traficantes daria uma monstruosidade absurda que seria o Exército tomando conta do tráfico de drogas em pouco tempo. Não é por aí não.

Vá estudar Mr X.

|3run0 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
|3run0 disse...

Segundo o Tropa de Elite, as opções de um policial no Rio de Janeiro são a) corrupção, b) omissão, c) ir para a guerra. Não tenha nada contra, em principio, ao 'ir a guerra', se a guerra é contra os criminosos e é feita dentro da lei. Mas a idéia de guerra que a polícia (e talvez vc, Mr X.?) tem é o de uma guerra convencional, onde dois lados se digladiam, disputam o controle de território, e o foco é na destruição do inimigo. Note a terminologia usada: Favelas são sempre invadidas e ocupadas, como se fossem território inimigo alvo de expedições punitivas. Na minha opinião, a guerra 'certa' a ser travada é mais semelhante à contra-insurgência. O foco da CI é a população civil: Conquistar a sua lealdade, e inspirar nela confiança de que a policia será capaz de protege-la*, agora e no futuro. Os contra-insurgentes precisam se estabelecer dentro da comunidade, patrulhar com freqüência, e interagir e tratar com respeito os habitantes locais; mas ao mesmo tempo precisam ser sempre capazes de repelir decisivamente investidas dos criminosos.

O objetivo final é inverter o axioma maoísta: As forças de segurança devem se misturar naturalmente ao ambiente das favelas como peixes na água; e os bandidos devem se sentir acuados, desconfortáveis e sem ter onde se esconder, assim como peixes fora d'água.

Os sucessos recentes dos americanos no Iraque e do estado colombiano contra as FARC devem muito ao emprego de técnicas de contra-insurgência. Note que de maneira alguma isto implica em não enfrentar os criminosos/terroristas/guerrilheiros: a diferença é que o confronto (uma ação tática) neste caso deriva de, e se subordina a, um plano estratégico que faz sentido. Obviamente, e infelizmente, assim como o tático deve fluir estratégico, o estratégico flui do político. E é aí, especialmente aqui no Rio, que a vaca vai para o brejo.

Operações do tipo 'vamos subir o morro e matar uns traficantes' são ineficazes. Mais sentido faria subir o morro, ficar por lá, e permitir que os habitantes locais tenham uma vida normal não controlada pelos bandidos.

Neste sentido, existe um tipo particular de desigualdade que é sim um fator que favorece o crime: Por aqui, a polícia sempre foi tratada como um instrumento para proteger o 'asfalto' do 'morro', ao invés de (como deveria) uma instituição que protege cidadãos, onde quer que se situem, de criminosos, sejam eles quem for.


_________
* Corações e mentes é isto, não ficar distribuindo docinhos na rua. O termo foi cunhado em referência aos métodos bem sucedidos empregados pelos britânicos para derrotar a insurgência comunista na Malásia.

Mr X disse...

Ok, acho que concordo com o Bruno Mota.

De fato, não é um problema de fácil solução, e acho que vários fatores estão incluídos, inclusive a pobreza e desigualdade (mas não do modo e da medida que é usualmente dito).

Abs

Gunnar disse...

Oh yeah! Falando em Colombia, já viu o que aconteceu em Bogotá nos últimos anos, a começar com Peñalosa?

País modelo na América Latrina.


E nós aqui, tendo que aturar Lula e Beto Binário Richa...

Anônimo disse...

Excelente, Bruno.

Madeleine