segunda-feira, 21 de julho de 2008

O fim da disciplina

Um dos aspectos mais curiosos de nossa época talvez seja a intenção de querer abolir as regras antigas, "ultrapassadas", que funcionaram mais ou menos bem ao longo de alguns séculos, e substituí-las por coisas novas não-comprovadas e inventadas pelo intelectual do momento, não por alguma razão lógica, mas porque seus idealizadores acreditam que "o mundo seria mais bacana se fosse assim".

Penso por exemplo na questão da educação.

Aqui na Argentina houve vários casos recentes de alunos agredindo ou ridicularizando professores e depois ainda colocando os vídeos na Internet. Em grande parte dos casos nada aconteceu com os alunos. Evidentemente, é impensável que o professor ou professora em contrapartida encoste um dedo na criança ou adolescente, pois poderá ser acusado/a de violência ou assédio sexual, perder o emprego e até mesmo ser agredido/a com violência pelo pai ou mãe do aluno, que não acredita que seu amado filho mereça punição ou nota baixa.

Cito por conveniência os casos que ocorreram aqui mas trata-se de um fenômeno, na verdade, global. Hoje o aluno não é punido ou disciplinado, pois o professor perdeu a sua autoridade. Em parte porque os pais não querem, em parte por questões culturais, em parte pelo pensamento esquerdista de que "não adianta punir" ou até de que a disciplina seria algo nocivo. Mesmo ser colocado em recuperação, rodar de ano ou levar notas baixas é visto como algo negativo, "que poderia acabar com a auto-estima do aluno", e nós não queremos acabar com a auto-estima de um aluno indisciplinado que nunca abriu um livro, certo? E muito menos acabar com a auto-estima de seus pais, que acham que seu filho merece tudo, até porque está pagando altíssimas mensalidades ou altíssimos impostos.

Não contentes com acabarem com a disciplina nos colégios, agora querem acabar com ela nas famílias também. Na Suécia ou não lembro qual país do norte da Europa, já é proibido por lei um pai dar palmadas no seu filho. Não duvido que no futuro próximo um garoto possa levar seus pais ao tribunal por ter levado uma chinelada por mau comportamento.

O problema desse pensamento é o seguinte: é baseado numa utopia, numa visão idílica da vida que não corresponde à realidade. Vivemos em um mundo onde há crianças escravas, crianças prostitutas, crianças sexualmente abusadas e espancadas pelos pais, crianças dando e levando tiros no tráfico, crianças drogadas, etc. Mas a preocupação da sociedade é com o adolescente punido pelo pai ou professor, algo inadmissível na nossa sociedade ultra-liberal.


2 comentários:

Gunnar disse...

Falou e disse. Virou palhaçada. Estamos criando uma geração de monstros, tenho medo de onde isso vai parar.

Chest disse...

Em parte poque os professores são ruins mesmo e sabem disso.