quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Educação para o fracasso

Em um interessante artigo no Foreign Policy, Stefan Theil observa que, enquanto o crescimento econômico da Europa decai, emperrado pela burocracia do "Estado de bem-estar social" e pela falta de reformas urgentes, bem como outros fatores como a concorrência chinesa ou a falta de crescimento demográfico, os estudantes europeus aprendem que "o capitalismo é mau" e que "socialismo é que é bacana". O apoio a difusos ideais socialistas, que tinha caído notoriamente após a queda do muro de Berlim, hoje chega a 47% na Alemanha.

Tal doutrinação não é nova. Como o próprio Theil observa, "similar ressentimento e doutrinação deu lugar a políticas auto-destrutivas e ao surgimento de líderes populistas na América Latina". A diferença é só que na América Latina já temos pelo menos uns 30 anos de doutrinação educacional e cultural marxista, e o populismo não é coisa nova. Mas na Europa, que acaba de sair (em termos históricos, como dizia o Gardel, "veinte años no es nada") do abraço de urso do comunismo, a coisa é algo mais surpreendente.

Evidentemente, o fato de que as políticas socialistas tenham fracasado rotundamente em todo o mundo é irrelevante. As pessoas querem acreditar que há alguma alternativa ao capitalismo, que poderão ter bem-estar para sempre com um sistema social seguro e que a imigração muçulmana é só um pesadelo passageiro.

Por outro lado, embora na teoria todos digam admirar o socialismo, na prática todos sabem que as coisas funcionam de outra forma. Os jovens europeus que querem trabalhar, por exemplo, vão para Londres, cidade onde o emprego é menos regulado e é portanto mais fácil de conseguir, ou vão diretamente para outros lugares fora da Europa como Ásia ou Austrália onde há menos empecilhos. Mas uma coisa que percebi é que é perfeitamente possível conciliar idéias abstratas socialistas com um modo capitalista de vida. Notei que em geral os comunistas mais radicais são os menos dispostos a farem concessões, dividirem seus bens e seguirem o modo socialista de vida. Duas das pessoas mais "socialistas" que já conheci (apóiam sem ressalvas Fidel, Chavez, as FARC, acreditam que tudo o que está errado na América Latina é culpa de uma conspiração mundial contra nós, e acham que é melhor viver em uma sociedade mais igualitária do que em uma sociedade livre), não por coincidência, vivem de rendas, alugando as propriedades que possuem, a preços bastante caros por sinal. E ai de você se não pagar em dia.

Como tal doutrinação marxista atinge hoje proporções mundiais, do Oiapoque ao Chuí, da Austrália aos EUA, há quem acredite (como o Olavo de Carvalho) que não se trata de mera coincidência, mas de estratégia das elites globalistas para a dominação mundial. Eu não tenho opinião formada a respeito: é verdade que, ao menos na Europa, toda a elite cultural e intelectual (as chamadas "chattering classes") é quem difunde essas idéias, e não a população em geral, que é quem sofre com suas conseqüências (aumento da imigração islâmica, cada vez mais restrições, falta de emprego, etc). Por outro lado, também acontece que, espontaneamente, as sociedades tenham a tendência às vezes auto-destrutiva a se apegar a certas idéias equivocadas ou fora de lugar.

8 comentários:

Pax disse...

"Notei que em geral os comunistas mais radicais são os menos dispostos a farem concessões, dividirem seus bens e seguirem o modo socialista de vida"

Além de um blog desalmado e muitas vezes abandonado, tem erro de português. "fazerem concessões" desengonçado, me parece que fica melhor.

O modelo social democrata é melhor mesmo, mas precisa de uma equação razoável de impostos e benefícios sociais, caso contrário, dá no que dá, numa inequação financeira.

É minha opinião, não a tua, portanto respeite.

Kct disse...

"O modelo social democrata é melhor mesmo, mas precisa de uma equação razoável de impostos e benefícios sociais, caso contrário, dá no que dá, numa inequação financeira."
Concordo contigo Pax. Não aguento mais pagar tantos impostos. Acabei de checar o meu IPVA... Que susto!
***
Quanto ao erro não chega a ser de português, mas de digitação. Gosto quando os encontro vez por outra, pois demonstram que o autor escreve rápido e confia no próprio taco.
Sds.

Pax disse...

Eu sei Kct, o desengonçado domina o português, o inglês, o espanhol, acho que o francês e nem sei o que mais. Mas é um desengonçado enorme de 2,11 m de altura. O que fazer?

Agora Kct, imagina se todas as estradas fossem como as nossas melhores, as privatizadas, sem pedágio, com telefones para socorro a cada km, e socorro de prontidão etc? A gente pagava o IPVA e ainda agradecia. Mas não, temos só buraqueira e ainda pagamos os altíssimos pedágios pra termos estradas boas. O Min. dos Transportes com as empreiteiras é um dos maiores antros de canalhice e corrupção desse país. Um absurdo.

O mesmo para o resto. Se tivéssemos altas escolas públicas e na saúde o básico, e na segurança uma super polícia e índices de criminalidade baixíssimos, não reclamaria de pagar impostos altos. Mas lá na casa dos 30%. Hoje pagamos quase 40% e levamos só ferro.

Voltando pra Europa, o modelo de lá virou uma inequação porque são benefícios demais e uma população velha grande demais. Aí meu caro, nunca fecha a conta.

Abraços !

ps.: sou um visitador do teu blog disfarçado, nunca comento lá. Mas apareço e gosto muito.

Mr X disse...

Pax,
É como algém disse, pagamos impostos da Suécia pra ter serviços do Quênia. Aliás, é o Quênia ou a Quênia?
Na Europa, o problema é que o pessoal não faz mais bebês.

Pax disse...

Pô, então vamos pra lá Mr X, a gente emprenha uma pá de européias e deixa os velhos tomarem conta.

Tá nessa?

chest disse...

rentistas que apoiam Chaves e fidel...ah, você tem que contar quem são, pelo menos dar detalhes mais picantes, se não quiser revelar as identidades.

chest disse...

equação razoável de impostos e benefícios sociais

Pax- você quer o impossível, a burocracia nunca se sente satisdeita, sempre quer mais. A Carga Tributaria nacional já não te diz nada?

Mr X disse...

Ih, Chesterton, por motivos óbvios não posso revelar os nomes, mas são pessoas reais sim.