Nos meus velhos tempos de graduação na universidade tive um professor de Sociologia (matéria opcional) bastante bom (não era marxista, deve ser por isso) que dizia que não era possível mudar a mente ou a visão de mundo de uma pessoa, salvo em dois casos:
A) um líder muito carismático;
B) um evento muito catastrófico.
Todas as outras tentativas de mudar a mente de uma pessoa adulta (discutir, filosofar, provar por A + B, mandar estudar, mandar ler livros de História) seriam inúteis e infrutíferas, causando apenas que o sujeito se aferrasse cada vez mais à sua ideologia, por mais absurda e patética que esta fosse se revelando.
Já são anos que discuto via blogs, tentando – nem digo mudar a cabeça das pessoas – mas simplesmente tentar fazer com que pelo menos vejam ou tentem ver o outro lado. Vêm me falar sobre o tal “drama palestino” e aí eu mostro fatos e fotos. Nada. Continuam repetindo a mesma lenga-lenga como se não tivessem ouvido o que acabo de dizer.
Falam-me positivamente sobre o socialismo, o Chávez, o Fidel, as FARC... Nesses casos nem tento contra-argumentar, pois revelam ser casos perdidos... Mas apenas abrir-lhes ligeiramente os olhos... Inútil.
E no entanto, se penso na minha própria experiência, também mudei da esquerda genérica que seguia para a direita moderada que prefiro hoje, não através de discussões racionais, mas a partir de um evento catastrófico (11 de setembro, como a neo-neocon). Depois disso, sim, muitas discussões, leituras, pesquisas, análises, discussões em blogs, até ir passando cada vez mais para o “lado negro da força”. Mas o catalisador foi o evento que me fez repensar várias de minhas suposições sobre os EUA, o Bush, o Oriente Médio, o conservadorismo, o socialismo, etc.
Será mesmo que é o único modo de mudar? Será que não é possível convencer ninguém a partir da discussão?
Algumas pessoas parecem mudar de opinião apenas por causa da chegada da maturidade. Mudar da esquerda pra direita parece ser uma mudança natural: David Horowitz, Reinaldo Azevedo... Até o Olavão, quem diria, já foi de esquerda radical na juventude... Há também casos de conversões da direita para a esquerda, mas são mais raros. Um deles é o da Arianna Huffington, do Huffington Post.
Evidentemente, a questão da mudança de visão de mundo não se refere apenas à “esquerda” e “direita” (que no fundo são generalizações abstratas), mas às mais diversas concepções enraizadas no indivíduo sobre política, sociedade, ética, percepção da realidade... Em outras palavras, ou melhor, só uma: a sua Weltanschauung.
