quinta-feira, 30 de abril de 2009

A bizarrice do antisemitismo

Lendo o artigo da Ida Magli (ver post anterior), e pensando em uma série de outros textos que tenho lido recentemente, fiquei me perguntando sobre a questão do antisemitismo.

Ida Magli não se considera antisemita. Acredita que um pequeno grupo de judeus, como Bernard Madoff e outros banqueiros, esteja por trás da crise econômica atual. Acredita ainda que a criação da União Européia - a qual ela critica veementemente - seja um "projeto judeu". Acredita que uma claque de políticos, banqueiros e empresários judeus estejam por trás do liberalismo e da crise de valores da Europa.

Seria possível? Imaginemos que fosse. É verdade, afinal, que - em relação a seu reduzido número geral - há muitos banqueiros judeus. Muitos advogados judeus. Muitos esquerdistas radicais judeus. Muitos Prêmios Nobel judeus. Também há muitos cineastas judeus e humoristas judeus, embora o papel destes últimos na trama não esteja muito clara. Também é verdade que os judeus gostam de ganhar dinheiro, mas, quem não gosta?

E é também verdade que há muitos judeus de caráter duvidoso. Bernie Maddoff, por exemplo, roubou bilhões. Detalhe: 95% de suas vítimas foram, também, judeus. (Não deveria estar um antisemita feliz com isso? Afinal, segundo sua mentalidade, "ladrão que rouba ladrão...")

Porém, daí a acreditar que os judeus - enquanto grupo - estariam combinados entre si para operar políticas de transformação mundial, vai um passo bastante mais longo e eu diria até que beira a paranóia desenfreada, ainda que sejam muitas as pessoas que acreditam nisso.

Qual interesse teriam os judeus, afinal, em gerar políticas que não os beneficiam de modo algum? Afinal, se são tão poderosos assim, se realmente detém as rédeas do mundo e da mídia, será que teriam sofrido o Holocausto, os pogroms e tantos outros males, será que sofreriam como vítimas preferenciais de dez entre dez terroristas?

E, no entanto, muitos acreditam nisso. Na Europa, há quem culpe os judeus - que quase não existem mais por lá - até pela imigração islâmica, da qual estes são as principais vítimas.

Mas, como observou Lawrence Auster, que é de origem judaica mas convertido ao protestantismo - para o antisemita, o judeu é a explicação de tudo. Mesmo de coisas opostas. Capitalismo selvagem? Culpa dos judeus. Comunismo? Culpa dos judeus. Imigração de malditos muçulmanos? Culpa dos judeus. Massacre de pobres muçulmanos? Culpa dos judeus.

Assim, não importa o crime, mas apenas a causa, que é sempre a mesma - o judeu. Dizem que Hitler, quando perdeu a guerra, não atribuiu a derrota aos Aliados ou aos soviéticos: acreditava piamente ter sido derrotado pelos judeus.

A coisa é tão absurda que até o próprio antisemitismo já foi acusado de ser obra de judeus: os que diriam as maiores atrocidades antisemitas seriam judeus/sionistas infiltrados em círculos neonazistas, com o objetivo de desacreditar o movimento...

Os judeus, curiosamente, são atacados tanto à esquerda quanto à direita, ainda que por motivos opostos. Para a direita, não há (tanto) problema na existência de Israel, ou seja, nos judeus que moram em seu próprio país. O problema são os judeus que estão nos EUA e na Europa promovendo políticas destrutivas como a imigração, o liberalismo, o comunismo, etc. Já para a esquerda, não há (tanto) problema com o judeu americano ou europeu, o problema é o judeu em Israel. Quando o judeu deixa de ser "minoria oprimida", e vira "maioria opressora", ou seja, torna-se o malvado "sionista", com nação própria e exército próprio que "oprime" os palestinos. (Se ele é religioso ortodoxo ou "colono", ainda pior.) Mas substitua "judeu" por "sionista" e verá que as barbaridades ditas são as mesmas.

Acredito que o antisemitismo seja uma espécie de perturbação mental, pois não há como explicá-lo racionalmente. Ou então os judeus são mesmo o Povo Escolhido, e o resto é inveja?

Os sionistas controlam tudo, até este blog.

8 comentários:

markus disse...

mister falando no assunto:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1174046/Labour-Party-embroiled-race-row-candidate-told-white-Jewish-selected.html

Diogo disse...

Complicado.

Há inclusive JUDEUS que são contra o "sionismo', atribuindo as maiores atrocidades cometidas contra seu povo, justamente depois que o movimento começou a ganhar força.

Para eles, o judaísmo deve ser encarado meramente como uma religião, e não transfigurado em política de estado.

Na verdade, se é difícil conhecer as causas do antisemitismo, é difícil entender a complexidade da história e do próprio povo judaico.

Como explicar que com o fim da URSS, muito mais judeus migraram para a Alemanha, do que para Israel, por exemplo?

Na verdade não acho que o antisemitismo seja maior que o preconceito contra negros, ciganos, índios, nordestinos e etc.

Apenas possuem a vitrine maior que os outros, por serem mais bem sucedidos.

E convenhamos, alguns até usam isso em seu favor, e fazem o lobby da vitimização.

Nada que difere da política de alguns movimentos negros, índios, homosssexuaise e, ultimamente, da minoria branca de olhos azuis, que o Chesterton citou nos coments de outro post.

Mr X disse...

"Como explicar que com o fim da URSS, muito mais judeus migraram para a Alemanha, do que para Israel, por exemplo?"

De one você tirou isso? Me parece difícil, há mais de um milhão de judeus russos em Israel, e na Alemanha o total de judeus é de 200 mil, se chegar a isso. De qualquer modo, é verdade que muitos foram, e, dada a História do país, é estranho que qualquer judeu tenha decidido migrar para lá.

Sobre a vitimização, é verdade em vários casos. Aliás, sou contra as leis de "hate speech", embora seja antipático acho que se deveria poder falar mal de quem quer que fosse.

E também há muitos casos de antisionistas radicais como Chomsky e Finkelstein, mas aí é mais pelo esquerdismo do que pelo judaísmo, já que são ateus. Pode haver, no entanto, alguma razão psicológica, rejeição à própria origem, tentativa de assimilação, etc. E tem o Naturei Karta...

Bem, não tenho a intenção de querer entender tudo. Só me parece estranho encarar os judeus como um grupo supernatural, que tem poder sobre tudo e todos... Aí já é paranóia.

Enrique disse...

Mr. X!

Cara, seus textos são ótimos e polêmicos! Por isso acompanho seu blog faz um tempo. Mesmo não concordando com tudo o que vc diz.

Logo, queria convidá-lo a escrever para o Mondo:

www.MondoPost.com.br

É uma publicação independente. Recém-nascida. Que trata de Relações Internacionais. Ter você como editor de conteúdo seria do caralho (no bom português). E não é necessário se apresentar com seu verdadeiro nome.

Esse último post, claro, também cairia como uma luva no site.

O que acha?

Se quiser conversar melhor, meu e-mail é:

enrique@mondopost.com.br

Abraço!

Mr X disse...

Olá Enrique. Obrigado pelo convite. Vou lhe enviar um e-mail. Achei interessante o site, meu problema mesmo seria talvez a falta de tempo, não sei bem que tipo de responsabilidade eu teria. Vamos conversar. :-)

Diogo disse...

Bah X, li isso em algum lugar na Internet da vida.

De qualquer forma, sem fonte não vale muito.

Releve.

:)

confetti* disse...

chose bombando na rede!u deserve it!
se for pro mondo,quero ir com vc !

Anônimo disse...

Não seja panaca! Pois com tem anti-americano, anti-alemão, anti-árabe e anti para tudo, assim deve ter anti-semitismo, seu babaca holocau$tizado!