Os leitores Nei e Chesterton fizeram uma aposta: quem vencerá o Grande Duelo Final, a Esquerda ou o Islã? Nei aposta na Esquerda, Chesterton no Islã. (Nessa hipótese, naturalmente, a Direita já terá sido extinta há muito tempo pelos dois aliados, que então lutariam entre si pelos despojos do velho e destruído Ocidente).
A dúvida é pertinente. Há um precedente de vitória islamista: a Revolução Islâmica no Irã. Ali, Marxistas e Islâmicos foram aliados até o momento de tomar o poder. Os Marxistas acreditavam que poderiam utilizar a religião para incentivar a população, mas que, uma vez no poder, esse "ópio do povo" seria logo relevado pelo ateísmo. Na prática, o que ocorreu foi que os Aiatolás, uma vez no poder, prenderam ou mataram muitos de seus aliados Comunistas e impuseram a teocracia.
Por outro lado, é bem sabido que os Comunistas Soviéticos financiaram o terrorismo islâmico em várias regiões do mundo e até criaram o terrorismo palestino, na forma da OLP. Ainda hoje a relação do ex-KGB Putin com os radicais islâmicos, e especialmente com o Irã, é ambígua. Fala-se muito que a CIA armou o Bin Laden e os talibãs no Afeganistão, mas, de acordo com as
declarações de vários ex-membros da KGB, os russos também o fizeram, em grau até muito maior. EUA e URSS simplesmente armavam facções de fanáticos opostas.
O Islã tem a vantagem de ter um objetivo mais claro do que a Esquerda: isto é, converter todo o mundo ao islamismo, subjugar os infiéis e impor a lei da
sharia. Simples. Bem ou mal, é um tipo de sociedade que já existe há 1400 anos. A esquerda, quer o quê? Comunismo? Igualdade social? Ora, a esquerda baseia-se em uma sociedade utópica inexistente, uma "sociedade futura" que é apenas a desculpa para a tomada de poder no presente. Portanto seus objetivos - fora a destruição do Ocidente tradicional - são mais difusos. Os regimes comunistas falharam justamente por não poderem oferecer uma alternativa real competitiva com as sociedades liberais capitalistas. Enquanto era utopia, tudo bem: na prática é que são elas.
Por outro lado, justamente devido à falta de objetivos, a Esquerda é mais flexível do que o Islã, e isso pode ser uma vantagem. Como um parasita, acomoda-se à forma do seu hospedeiro. Utiliza a ecologia, a religião, a educação, a cultura e até o capitalismo para seus próprios fins. Nas sábias palavras de Lenin:
"os capitalistas nos venderão a corda com que os enforcaremos." Assim, podemos generalizar e dizer que o objetivo da esquerda é a tirania estatal - a imposição de um governo oligárquico de "iluminados" que dirão às massas o que é bom para elas - mas suas características específicas podem variar enormemente, do velho comunismo soviético ao chavismo populista ao racialismo mugabiano ao lulismo pseudodemocrático, dependendo do "estágio" em que se encontra cada sociedade.
Pode, portanto, ocorrer uma terceira hipótese, ainda mais assustadora do que a vitória de um ou de outro: a união definitiva de ambos, na forma de um sistema Islamocomunista no qual a teocracia religiosa aliaria-se ao estalinismo mais doentio. O terrorista Carlos o Chacal - ontem, marxista, hoje muçulmano mas sem abandonar o marxismo - acredita justamente nessa
união, na forma do que ele chama Islã Revolucionário.
O melhor mesmo é rezar para que ambos percam.