quinta-feira, 31 de julho de 2008

O óbvio e o(s) obtuso(s)

A conexão entre as FARC e o governo Lula, pedra já tão cantada por Olavo de Carvalho, não era invenção não. A revista colombiana Cambio acaba de publicar informações exclusivas sobre a relação dos petistas com o grupo guerrilheiro colombiano, obtidas através do utilíssimo computador do Raul Reyes. Já sei, logo vão estar todos dizendo que é invenção, que é tudo criação dos agentes do imperialismo, do Uribe e da mídia golpista... Enquanto isso, leiam:

EL EMPLEO
17 de enero de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'

"El lunes 15 inició 'la Mona' su empleo nuevo y para asegurarla o cerrarle el paso a la derecha por si en algún momento les da por molestar, entonces la dejaron en la Secretaría de Pesca desempeñándose en lo que aquí llaman un cargo de confianza ligado a la Presidencia de la República".

ACTUAR CON CAUTELA

14 de abril de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'

"Debo actuar con cautela para no facilitar al enemigo argumentos que lleven a cuestionar el refugio. En ese sentido, el haber conseguido el traslado de 'la Mona' y 'la Timbica' para la capital del país, ha sido importante. Ese bajo perfil lo mantendré hasta la neutralización. Obtenida esta, tendré pasaporte brasileño y lo primero que debo pensar es en irlos a ver".

Mais, no link acima. Ou aqui.

A maldição da mídia

A mídia está preocupada. Obama não está tão à frente nas pesquisas quanto deveria, considerando a sua triunfal viagem a Berlim. Chega mesmo a estar atrás de McCain em uma delas. Qual o motivo?

Talvez a causa seja mesmo a sua superexposição midiática. Todos sabem que o que a mídia cria, a mídia destrói. Não pode evitá-lo: é a sua natureza, como a do escorpião da fábula. Pensem em Michael Jackson. Pensem em Britney Spears. Pensem na Princesa Diana. Por quanto tempo pode a mídia manter acesa uma mania até que esta comece a cansar o público e voltar-se contra si mesma? Qual é o limite?

Eis aqui o trecho de uma reportagem de uma jornalista-tiete da revista alemã Bild (imagino que seja uma espécie de Caras local), e que talvez indique com precisão o momento em que Obama "jumped the shark":

Ele levanta um par de pesos de 16 quilos e realiza 30 repetições. Então, incrivelmente, pega os halteres de 36 quilos! Lentamente os ergue, realiza 10 movimentos com seu braço esquerdo, logo outros 10 com o direito. Ele respira profundamente e bebe um gole da garrafa de água mineral Evian de 0,5 litros.
(...) Eu pergunto, "Sr. Obama, posso tirar uma foto?". "É claro!", ele responde, antes de perguntar o meu nome e sentar ao meu lado.
"Meu nome é Judith," respondo. "Eu sou Barack Obama, muito prazer!", ele diz, e coloca seu braço sobre meu ombro. Eu enlaço a sua cintura - uau, ele nem mesmo suou. QUE HOMEM!
Se Obama morrer na praia, vai ser por culpa justamente da mídia que tanto o idolatra.


quarta-feira, 30 de julho de 2008

O fim de Paris?

Paris é - quem pode negar, certo, confetti? - uma das cidades mais belas e românticas do mundo. Uma das razões para isso é a proibição de construir prédios mais altos do que 37 metros no seu entorno urbano, vigente há várias décadas. E, no entanto, o prefeito socialista Bertrand Delanoè quer mudar as regras e permitir a construção de prédios de até 200 metros de altura. Mais de dois terços da população da cidade é contrária à mudança, mas o prefeito, em perfeita lógica socialista, informa:
"Os parisienses não gostam da idéia de edifícios altos: as pesquisas dizem isso claramente. Mas a missão dos funcionários públicos é guiar-se pelo interesse geral, e não por pesquisas."
Evidentemente, o prefeito e seus funcionários sabem mais sobre qual seria o interesse geral do povo do que meras pesquisas de opinião popular...

Um dos nouveau arquitetos da cidade, sentindo o cheiro de comissões, é a favor do plano para destruir Paris, e afirma que "temos que parar de pensar em Paris como uma cidade-museu." Curiosamente, o mesmo arquiteto é o autor de um dos museus mais horrorosos da cidade.

Os parisienses têm fama de esnobes, chatos e antipáticos, mas nem mesmo eles merecem a feiúra da arquitetura moderna e dos edifícios residenciais de cinqüenta andares.

A Paris do futuro: a Torre Eiffel pode ser vista logo atrás.
(Veja outros projetos medonhos pra Paris de amanhã.)

terça-feira, 29 de julho de 2008

O leitinho das crianças

A propaganda palestina já foi melhor... Esta é realmente de doer: o Hamas diz que os túneis subterrâneos construídos entre a fronteira de Gaza e o Egito não são para o contrabando de armas, mas sim para trazer leite para as crianças...

Bem, considerando que há idiotas que acreditam em qualquer coisa saindo da boca dos "oprimidos palestinos", quem sabe eles caiam nessa também.

Mas por que será que até para carregar leite em pó os otários precisam estar mascarados?

(via LGF).

"Pô, Ahmed! Tá faltando o meu Toddynho?!"

O leite precisa ser içado com cabos? É que a garrafa poderia explodir...

Mozz em Tel-Aviv

E continuando com os posts sobre temas vários e irrelevantes: o cantor Morrissey (ex-Smiths) chegou ontem em Israel, para um show hoje à noite em Tel Aviv. Entidades palestinas, pra variar, protestaram pois queriam um boicote, mas quando é que esses caras não protestam?

"Why do you come here
When you know you make things hard for me?"
I'm soooo sorry
...

Pobres não se importam com o aquecimento global

O "aquecimento global" é uma preocupação das elites, que sentem-se culpadas por viajar de avião ou de SUV aqui e ali. Os pobres querem eletricidade, aqui e agora:

“They [poor people] could not give a damn about climate change because they want 24 hours a day light,” said Luft who cited the example of people living in slums outside Bangalore, India. “In India alone, 600 million people are not connected even to the [power] grid,” said Luft, “When you talk to these people all you have to do is drive 10 minutes from the center of Bangalore to the slums there and ask them about climate change. And they’ll tell you: ‘We want electricity, we want it today, we want it cheap, we don’t care how you make it.’”

Os ricos tampouco querem cortar seu consumo de eletricidade e gasolina, é claro. Querem que os outros cortem. Como em tudo na vida, são sempre os outros que devem fazer sacrifício.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sonham os andróides com ovelhas elétricas?

Estes andróides japoneses ainda não são muito espertos, mas conseguem responder a perguntas do público e reagir a estímulos externos. Seu movimento corporal ainda é estranho. Já em termos de voz e expressões faciais, eles são extremamente realistas.

Estes modelos são chamados de "actróides". De fato, daqui há alguns anos, com alguns ajustes a mais, poderão ser usados como atores em filmes. Mesmo com inteligência limitada, talvez sejam mais espertos do que o Sean Penn e ou a Naomi Campbell.

Será que um dia será possível criar esse sonho da ficção científica, andróides com inteligência real, emoções e sentimentos?

Aqui um artigo incluindo entrevista com o criador dos robôs abaixo, Hiroshi Ishiguro (o último dos andróides, visto no vídeo de baixo, é baseado no rosto próprio Ishiguro).



domingo, 27 de julho de 2008

Poema do domingo

Ho tentato di baciarti e tu mi hai morso


Ho tentato di baciarti e tu mi hai morso,

tutto tutto è perduto.

Possedevo un divino paradiso

in quei giorni lontani.

Vivevo in un altro sogno

che i timori malcerti

di una fine e i rimorsi

mi facevano solo più bello.

Ora ho perduto tutto.

Per volere sapere,

per il mio male implacabile

che non crede al futuro

mi sono gettato nel buio…

Cesare Pavese (1908-1950)

sábado, 26 de julho de 2008

Obama, ainda

Não está pegando muito bem nos EUA a viagem de Obama ao Oriente Médio e à Europa. O candidato já caiu vários pontos nas pesquisas. Os artigos de sátira se multiplicam (este aqui, britânico e cheio de alusões bíblicas, está ótimo). A mídia, aqui e ali, começa a ser mais crítica. Mais do que a imagem de um estadista global, começa a passar a imagem de um narcisista sem controle.

O fato é, o discurso de Obama na sua viagem não é para o eleitorado americano, mas para o resto do mundo. As elites globalistas salivaram com o seu discurso; o eleitor de Ohio, um pouco menos. Uma colunista canadense observou que, no seu discurso em Berlim, o candidato era mais aplaudido quando dizia-se "cidadão do mundo", entre outras platitudes internacionalistas. Quanto mais se afastava da América, mais era aplaudido.

Talvez esse seja o problema das atuais elites políticas do mundo atual, especialmente de EUA e Israel. Cansados das eternas críticas às suas políticas, querem ser "melhor vistos" pelo resto do mundo. Espelham-se então nos desejos, não do próprio povo, mas dos estrangeiros, da tal "comunidade internacional".

O problema com este approach é que, como na fábula do velho, o menino e o jumento, não importa o que você faça, o "resto do mundo" sempre vai achar algum motivo para criticar.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O fim da infância

Leio no Pajamas Media um artigo sobre a paranóia com os adultos que tiram fotos de crianças, mesmo que sejam de seus próprios filhos brincando com amigos. Na cabeça de muitos, um adulto tirando fotos de crianças no parque só pode ser um pervertido.

A paranóia com as fotografias é irracional, pois, mesmo que seja um pedófilo maluco tirando fotos de crianças brincando no parque, que dano pode causar a fotografia à criança? Roubar a sua alma? Ir parar no Youtube?

Mas hoje a paranóia com a pedofilia é tão grande que até brincar no parque com seus filhos pode ser visto por outros como algo suspeito. Pegar pela mão o filho de um sobrinho então, nem pensar. No outro dia, em um ônibus londrino, os passageiros viram um adulto de rosto suspeito levando da mão uma menininha que reclamava, "estou com fome". Foi fotografado pelas câmeras de segurança, denunciado, levado à delegacia. Era o pai da criança.

O curioso é que ao mesmo tempo em que a mídia gera esse pânico com pervertidos pedófilos (menos de 3% de todas as crianças desaparecidas foram seqüestradas por estranhos, e a maioria dos casos de pedofilia ocorre silenciosamente no âmbito familiar), é também a própria mídia a que estimula a sexualidade precoce das crianças. No Brasil, então, é uma piada. Crianças de 8 anos fazem a dança da garrafa ou cantam canções de funk com letras explícitas, muitas vezes até sob o olhar orgulhoso da mãe ou do pai imbecil. Os cartazes de turismo são um convite explícito ao turismo sexual. E líderes do movimento gay fazem apologias diretas à pedofilia, sem qualquer crítica. Eles podem, é claro, pois são uma "minoria oprimida". Aliás, tanto deu certo o discurso das "minorias" que outros pretendem usar o mesmo truque: há indícios do surgimento de um movimento pedofílico nos moldes do movimento gay (eles já tem até partido político na Holanda).
A pedofilia não é algo novo, seu conceito é. Na Idade Média, as jovens casavam com 13 anos de idade. Romeu e Julieta teriam aproximadamente 13 anos. No mundo muçulmano, seguindo a tradição do fundador Maomé, ainda hoje é comum o casamento de adultos com meninas de 9 anos (em países atrasados como Afeganistão ou Paquistão corresponde mesmo a mais da metade dos casamentos realizados).

Mas tempos atrás as crianças podiam brincar na rua, sozinhas, por horas a fio. Andar de bicicleta, brincar de esconde-esconde, descer lomba no carrinho de rolimã. Hoje, deixar a criança na rua, sozinha, tá louco? Melhor deixar ela em casa, trancada no quarto, divertindo-se na Internet. O que é loucura, pois nos chats e nos messengers da vida é muito mais fácil para adultos pervertidos localizarem a criança ou pré-adolescente, sob total desconhecimento dos pais.

As crianças de hoje são ao mesmo tempo as menos inocentes e as mais frágeis.

Fiz parte talvez da última geração que jogou bola de gude e bateu figurinhas (que vinham no chiclé Ping Pong ou Ploc).


Não existe mais a inocência.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Obama para presidente do mundo

Obama discursou hoje em Berlim para um público de centenas de milhares de pessoas. Os alemães, até onde sei, não votam nas eleições americanas nem são demasiado confiáveis em suas preferências eleitorais: já elegeram Hitler.

Obama falou em paz, mudança, futuro, harmonia. Só faltou cantar. Mais do que qualquer outra já vista, a campanha de Obama parece a turnê de um rock star. McCain praticamente desapareceu: as eleições são um referendo, um confronto de Obama com seu próprio ego, e só pode perder para si mesmo.

É cada vez mais provável que vá ganhar as eleições, ao que se seguirá, naturalmente, um grande desencanto lá por meados de 2009. O homem do cavalo branco, ou seria preto, só pode manter as esperanças do povo acesas enquanto está ainda lá longe no horizonte.

Surpreende-me o número de pessoas que caem no conto de "hope" and "change", como se não tivessem sido repetidas milhares de vezes por políticos ao longo dos anos. Mas é assim mesmo: no fundo, queremos ser enganados, queremos crer que daqui pra frente, tudo vai ser diferente...

Vivemos em um mundo em que os políticos não mais representam os desejos dos cidadãos, se é que alguma vez representaram. Obama diz simplesmente o que o público quer ouvir. Mesmo que o público seja diverso. Diz uma coisa aos brancos e outra aos negros; uma coisa aos israelenses e outra a palestinos. Diz que é contra e ao mesmo tempo a favor das forças militares no Iraque. As contradições não importam. Obama é um símbolo. Obama será eleito ou não em base a como ele faz as pessoas se sentirem consigo mesmas, não em base às suas políticas:

A nação quer baixar o preço da gasolina; Obama promete aumentá-lo, mantendo o veto à abertura de novos poços de petróleo. A América quer ver os imigrantes ilegais pelas costas; Obama promete não somente anistiá-los, mas dar-lhes assistência médica com o dinheiro dos contribuintes. A nação quer menos impostos; Obama promete criar mais alguns. Se milhões de cidadãos americanos que pensam e querem o contrário de Obama juram votar nele para presidente, não é por causa do que ele promete, mas a despeito de ele lhes prometer até mesmo o inferno. A atração da imagem hipnótica é mais forte do que o cálculo de custo-benefício.

Já vimos essa operação ser realizada no Brasil, com base na imagem estereotipada do “presidente operário”, contra cujos crimes e perfídias já ninguém pode levantar uma voz audível, pois, arrastados pela chantagem psicológica, todos se acumpliciaram de algum modo ao ritual de sacrifício ante o altar do ídolo.



quarta-feira, 23 de julho de 2008

O fim da imprensa e das instituições neutras

Não foi só a camiseta do Che Guevara que enganou os guerrilheiros das FARC. Os soldados colombianos que libertaram a Ingrid na operação Jaque (Xeque), utilizaram em sua operação o logotipo da Telesur venezolana: o camarógrafo, de fato, fez-se passar por um membro da equipe de tevê chavista.

Uma semana antes, já havia ocorrido polêmica devido ao fato dos mesmos soldados terem alegadamente utilizado na operação o emblema da Cruz Vermelha em uma das camisetas. E Ingrid, após o resgate, comentou seu estranhamento pelo helicóptero não conter o símbolo de nenhuma ONG.

Pergunto: eram rotineiras as operações da Telesur e da Cruz Vermelha, bem como várias ONGs, na transferência dos reféns das FARC? Ou seja, eram tais organizações coniventes com o crime de seqüestro, guerrilha e tráfico de drogas?

A imprensa e as tais "organizações humanitárias" se revelam cada vez menos neutras, e cada vez mais posicionadas de certo lado do espectro ideológico.