segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Para onde vai a Europa?


Para onde vai a Europa? Acossada pela crise demográfica, pela imigração muçulmana, pela ossificação econômica e pela perda de competitividade frente a Ásia, muitos perguntam-se sobre o seu destino. As opiniões se dividem. Há quem diga que com a diminuição ou emigração de sua população nativa e o crescimento progressivo da população muçulmana, em meras décadas se tornará ume verdadeira "Eurábia", colônia do Islã. Há quem preveja que o multiculturalismo, como um iogurte estragado, degenerará em guerra civil e diversas lutas intra-étnicas por toda a Europa, cada tribo lutando por si e contra todos. E há quem, otimista, acredite que a União Européia se tornará uma potência mundial de igual para igual com EUA e China, como este professor indiano aqui (texto dica da Alba):

No melhor dos casos, a fase unipolar dos EUA durou toda a década de 90, mas esse também foi um período sem rumo. O “dividendo da paz” pós-Guerra Fria nunca se transformou numa ordem liberal global sob a liderança americana. Agora, em vez de sentar sobre o globo, estamos competindo e perdendo, num mercado geopolítico, ao lado de outras superpotências: União Européia e China.

O fato de a Europa ainda não ter um exército comum pode tranqüilizar os conservadores americanos; a questão é que a Europa não precisa de um. Os europeus usam a inteligência e a polícia para prender radicais islâmicos, a política social para tentar integrar populações muçulmanas rebeldes e a força econômica para incorporar a antiga União Soviética. O investimento anual europeu na Turquia também cresce, trazendo-a mais perto da União Européia. E a cada ano um novo oleoduto é aberto, transportando petróleo e gás da Líbia, Argélia ou Azerbaijão para a Europa. Que outra superpotência cresce na média de um país por ano, com outros esperando na fila e implorando para se juntar?

Parece-me que nosso amigo indiano é demasiado otimista, ou esqueceu de tirar os óculos cor-de-rosa ao fazer sua análise. Leva demasiada fé em "políticas sociais" que até agora pouco ou nada fizeram para aplacar radicais islâmicos, e tem mais fé na polícia européia do que os próprios europeus. Não considera, além disso, o grave problema da natalidade. No momento, a taxa de mortes em países como Itália ou Alemanha supera o número de nascimentos. Na Ucrânia, a proporção é quase duas mortes para cada nascimento.

(Abro parênteses: ninguém sabe explicar muito bem as causas de tal crise demográfica. Uns a atribuem à decadência do cristianismo na Europa: é fato que as famílias religiosas têm mais filhos. Outros, à prosperidade, bem como custo de vida: ter um filho custa muitos euros por mês. Outros ainda ao welfare state, que não dá esperança de emprego aos jovens. Outros, ainda, à perda da confiança na própria civilização, resultado também das terríveis guerras que há sessenta anos sacudiram o continente. Notem que entre os países com maior crise demográfica estão justamente Alemanha, Itália e Japão, ou seja, o velho Eixo. O leste europeu, que passou pelo Comunismo, tampouco quer se reproduzir.)

Não estou entre os mais catastrofistas, mas tampouco acredito numa União Européia como potência mundial. Afinal, nem os próprios europeus acreditam nisso. Quando falo com europeus, lhes pergunto sobre o que acham sobre o futuro, e a maioria (mesmo o pessoal de esquerda, aliás maioria) é unânime no pessimismo, em achar que o continente será tomado por hordas de imigrantes e seus descendentes e, naturalmente, decairá. O que mais me espanta nesses comentários é o tom de resignada aceitação com que são feitos. Como se a História já estivesse escrita, como se não houvesse nada a fazer. Ora, mas é perfeitamente possível limitar a imigração islâmica.É perfeitamente possível, em teoria, que os europeus voltem a ter bebês. O problema talvez seja que foram alimentados por demasiado tempo por bobagens politicamente corretas. Um escritor dinamarquês de esquerda recentemente publicou uma série de perguntas em uma revista de esquerda. Perguntas que começam a surgir na cabeça de cada vez mais europeus:

What if the fight against Islam is the big European war right now?

What if it is the new Thirty Years War that replaces the old one prior to the peace of Westphalia, which is now defines Europe?

The European establishment, the European debate , treats Islam as if it was only a religion.

Think — what if Islam is only a religion if seen from the perspective of the individual Muslim?

What if Islam is already at war from within the mosque and further up in the hierarchy. And think — what if it actually already is at war from the viewpoint of the individual Muslim believer.

What if the order in the Quran about killing or dominating the infidel (non-Muslim) is part of the doctrine that the individual Muslim recognize?

What if the Muslim terrorists are only the storm troops in the war, those who commit the commando raids in the broader fight?

What if the only way the war can be won for Christian Europe is by prohibiting Islam and sending all Muslims back to Islamic countries? What inhumane conduct does the war not impose on us?

What if all European countries develop Muslim no-go zones as already exist in Great Britain?

What if the Palestinians suffer due to our massive aid to the Palestinian areas ($6 billion over three years), where the help up until now has only turned the whole population into social clients, while their leaders have ruled with corruption and lawlessness — just like a bunch of mafia bosses?

What if the Israeli attacks into Gaza should be the model for Århus in dealing with Gellerupparken [Muslim ghetto outside Denmark’s second largest city]?

What if Arafat was a mafia boss of the magnitude of Saddam? What indicates otherwise?

And what if there actually were no Palestinian problem, but that a Palestinian problem has been created by the Arab side going all the way back to the 1920s, and that it is inspired by the Nazis’ anti-Semitism?

What if there still exists only an Islamic/Jewish problem? And that what we see around Israel is of the same character as what is about to happen in Europe: The Muslims everywhere invent their “legitimate” rights.

Now, what if.

What if Europe is a huge West Bank? If neighborhoods such as Gellerupparken and Mjolnerparken are only Arab settlements in Denmark.

What if Israel’s military strength — as weakened as it may be by now — is its only possibility of survival in an Arab world, and that it is now equally necessary for the military to be raised in European countries and turned against other usurpers?

Now, what if we have a common foe, Islam?

2 comentários:

Alba disse...

Puxa, Mister,

Obrigada pela citação!

Na verdade, e atendo-me só ao texto do professor indiano, também acho que há excesso não de otimismo, talvez, mas de melhores informações, já que a União Européia é um conjunto de países que esconde vários desníveis. Portugal, por exemplo, está em situação mais frágil que a Espanha do ponto de vista econômico.

E,sem dúvida, existe crise demográfica, que os estudiosos atribuem, grosso modo, às enormes mudanças nos costumes.

Desse ponto de vista, só vejo possibilidade de melhora na crise se o Estado passar a oferecer mais incentivos pró-natalidade, o que muitos podem fazer, em forma de licenças maiores, creches, escolas de período integral, salário-família, etc.

Como sabe, não consigo ver a população islâmica como ameaça de per se e alguns países, como a Inglaterra, conseguem, pelo que sei, bons resultados com políticas inclusivas.

De toda forma, parabéns pelo texto bem escrito, embora discordemos em muitos pontos, e pelo blog!

Mr X disse...

Oi Alba,
Pois é, a situação é complicada e não é fácil de reduzir a coisas tão esquemáticas. Mas tampouco dá pra negar que exista algum tipo de problema. O que vai acontecer, vamos ver.
Um abraço