domingo, 10 de fevereiro de 2008

"Bom mesmo é não existir"


Há uma piada judaica que é mais ou menos assim. Um diz pro outro, "A vida é tão terrível, o melhor mesmo seria não ter nascido." E o outro responde, "Mas quem tem tanta sorte? Nem um em um milhão."

Bem, há um professor sul-africano, David Benatar, que escreveu um livro que se chama "Better Never to Have Been" (Melhor não ter nascido).

Sua tese é que a vida é algo tão horrível que o melhor mesmo era nem ter nascido. Portanto, fiel à sua conclusão, acha que as pessoas não devem ter filhos, que todas (eu disse todas) as mulheres grávidas devem abortar, de forma a extinguir a raça humana, e até mesmo a animal (ele é contrário a toda forma de vida, humana ou animal, declara-se Pro-Death). Mas, achando talvez que a não-reprodução seja um meio demasiado lento de extinção, sugere também que algum asteróide poderia ser desviado do seu curso para se chocar contra a Terra, e assim aliviar nosso sofrimento coletivo.

É a prova que faltava de que o pós-modernismo e a falta de crença em algum sentido maior da vida leva apenas ao niilismo total e à auto-destruição.

Numa ótima crítica ao livro, Michael Cook se pergunta: dado que ele odeia tanto a vida, por que não se suicida de uma vez e nos deixa em paz?

O pessimismo de Benatar é a cega elaboração da tese central utilitarista: de que o bem é um equilíbrio entre a dor e o prazer. Mas a vida diária desmente isso. A utilidade é um método cego para medir a felicidade e saber o que é bom. Você não precisa ser um mártir para saber que a dificuldade de criar crianças é amplamente recompensada pelo seu amor. Ou que o esforço do trabalho é superado pela felicidade da realização. Ou que a vista de um pôr-do-sol do topo do Everest faz esquecer o cansaço de ter chegado lá.

No entanto, o livro tem sua própria utilidade. Revela que "o maior bem para o maior número de pessoas" é a senha secreta para o niilismo. (...) Qualquer um considerando os sedutores argumentos de Peter Singer e seu grupo deveriam lê-lo. Poderão descobrir o que acontece quando os preceitos do utilitarismo são levados às suas últimas conseqüências.

14 comentários:

confetti disse...

adoro esse post !!

prazer é ausencia de dor ! jung me convenceu disso com porradas ! ))

chest disse...

prazer não é ausencia de dor, prazer é intensidade.

Mr ex, o problema das pessoas é que não levam suas ideias 'as últimas consequencias,.

confetti disse...

chest, uma ocasiao tive que andar com uma perna quebrada...minha conclusao acima procede, vem dessa esperiencie algumas barras morais, pesadas

Mr X disse...

confetti, chest,

Acho que a discussão aqui é a visão hedonista versus a epicurista dos antigos gregos. Pros hedonistas deve-se buscar ativamente o prazer. Já pros epicuristas, a sabedoria está em procurar evitar a dor.

Ficando filosófico e meio zen, sugiro que prazer e dor estão unidos, um grande prazer sempre traz em si uma grande dor (nem que seja o medo da perda da felicidade), e portanto não podemos medir as coisas matematicamente, por quanto prazer ou dor nos trazem.
Por isso o argumento do Peter Singer, que leva isso do "maior bem comum" ao limite, é errado. Ninguém pode decidir pelos outros o que é o "bem maior", muito menos o Singer, que acha que a matança de galinhas em aviários é um crime comparável ao Holocausto. Ele acha assim que está criticando a matança de galinhas, mas não, ele está apenas diminuindo o Holocausto e dizendo que a morte de seres humanos é tão irrelevante quanto a morte de galinhas pro almoço.

confetti disse...

chose, adoro vc !! well said

confetti disse...

"a sabedoria está em procurar evitar a dor. "
jung so fala disso, em toda sua obra ! piamente...i believe

chest disse...

sabedoria é uma coisa, prazer é outra, e para alguns prazer dói, e na dor há prazer.

Mr X disse...

Isso me leva àquela velha dúvida, se para o masoquista a dor é prazer, então privá-lo da dor é lhe causar dor? E portanto um prazer?

Brancaleone disse...

Com licença Mr. X:

Professor Benatar: Vai tomar no meio do seu ânus acadêmico.
Dá nôjo esta gentinha triste, mal amada, infeliz, pobre de inteligência que beira a estupidez destilar suas frustrações, traumas, insatisfações e tudo o mais.
Este cara tem mais é que si f... demorada e dolorosamente.
Gostaria de encontrá-lo e moer-lhe a cara à pancadas e encostar meu S&W na nuca dele e perguntar : " quer morrer FDP? quer? é só dizer sim e eu te mato" - aposto 10 contra um que o idiota se mijaria todo e imploraria para continuar vivo.
"Prazer é a ausência da dor". Se algum dia eu conseguir reunir as dez maiores cretinices estúpidas já ditas por um humano, esta certamente estará entre elas.

Brancaleone disse...

"Bom mesmo é não existir".

Cara!! a que ponto pode chegar o mau humor, a frustração, a falta de tesão!!
Impressionante!! Este sujeito deveria estar internado em cela acolchoada, tomando demerol de hora em hora!
O pior é que deve ter gente no mundo que compra livros dele.
Melhor mesmoa acolchoar um pavilhão inteiro e socar lá os leitores...

confetti disse...

branca, iconoclasta forever ! i love you ! ))

Pax disse...

Bem, hedonista é? Hum... confetti, quer brincar de hedonista comigo? Eu de mocinho e você de bandida. Você corre, se esconde, eu te acho, prendo, algemas, e uma tortura que te fará gemer até cansar. Vaness?

Ô Josué, que revolta é essa meu camarada?

Mr X disse...

Não se preocupe Brancaleone,
não acho que vá haver muita gente interessada no livro do sujeito... Provavelmente só o escreveu para ser original, receberá o aplauso dos seu pares na academia, mas não vai ser lido por mais ninguém.

Pax, algemas?
Prende a Confetta não... Ela é um espírito livre... ,-)

Fred disse...

Esse companheiro aí, o Benatar, foi comprado pelos demais seres vivos do planeta.

A única esperança deles é a extinção da raça humana.