sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Inteligência e maldade

No Indivíduo, Pedro Sette Câmara fala sobre um

problema que parece ser inerente a toda a dramaturgia brasileira de que consigo me lembrar: os personagens nunca são lá muito inteligentes. São, na melhor das hipóteses, pessoas de inteligência mediana o suficiente para não ofender os mais burrinhos nem repugnar muito aqueles que pararam de ler Arnaldo Jabor logo depois que o primeiro dente nasceu.

Claro, você pode dizer, provavelmente com razão, que o público brasileiro associa a inteligência à maldade, à manipulação; afinal, se tudo o que se concebe é alguma espécie de vantagem pessoal, algum modo de se aproveitar de todas as situações, para que alguém usaria sua inteligência senão para fazer isso, senão para submeter um protagonista tão imbecil quanto bondoso e simpático a uma série de infortúnios e ser derrotado no final apenas porque o bem sempre vence?

Embora concorde no geral com o Pedro, observo que a ligação entre inteligência e maldade e burrice e bondade não é só brasileira. Pensemos nos inteligentíssimos vilões de Shakespeare, ou no Cândido pós-moderno Forrest Gump. Será que realmente os malvados são mais inteligentes e os bonzinhos mais burros? A julgar pelo que ocorre na política brasileira, é um mero clichê.

Afinal, em Brasília ninguém precisa ser muito inteligente para poder roubar.

2 comentários:

Brancaleone disse...

Mr X:
Não é que os ladrões eleitos ( e os indicados por estes) não são tão inteligentes. Acontece simplesmente que os eleitores deles são infinitamente mais estúpidos, vai daí que os políticos ue roubam podem até ser meio burrinhos, mas os eleitores são imensuravelmente burros...

Quanto a relação bonzinhos burros X mauzinhos inteligentes.

Simplíssima explicação:

Para que o mal triunfe, basta que o bem não faça nada...

Ou seja: Os bonzinho por serem bonzinhos, têm certos pudores, algumas éticas e conceitos morais que não os permitem agir ou reagir à altura da maldade. Esta inocência, esta ingenuidade de que se ganha simplesmente por ser "bom" é que faz com que o mal triunfe quase sempre.
O bonzinho espera ganhar com a ajuda de deuses, da justiça, da constituição e da verdade. Como todas estas coisas são relativas e venais - principalmente venais, o mau sai ganhando.
O bonzinho não é burro, é apenas acomodado.

confetti disse...

josua falou, bem !!

chose o amazing ta ficando more and more amazing ! cheers