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domingo, 20 de junho de 2010

Frases do domingo

Hoje tem poema? Tem não sinhô. Deixo vocês com alguns aforismos de Nicolás Gomez Dávila, escritor reacionário colombiano que recentemente descobri. Tudo o que ele escrevia eram frases curtas, como:

"Mais repulsivo do que o futuro que os progressistas involuntariamente preparam é o futuro com que eles sonham."

"A sociedade moderna se dá ao luxo de tolerar que todos digam o que querem, porque hoje todos basicamente coincidem naquilo que pensam."

"A crítica ao burguês recebe duplo aplauso: o do marxista, que nos julga inteligentes porque corroboramos seus preconceitos; e o do burguês, que nos julga corretos porque pensa no seu vizinho."

"O amor ao povo é vocação do aristocrata. O democrata só o ama no período eleitoral."

"O homem moderno chama mudança caminhar mais rapidamente pelo mesmo caminho na mesma direção. O mundo nos últimos trezentos anos não mudou senão nesse sentido. A simples proposta de uma mudança verdadeira escandaliza e aterroriza ao moderno."

"Para viver depois dos trinta anos é preciso embrutecer-se com a rotina cotidiana ou inventar desesperadamente mil razões diversas e igualmente fictícias de viver."

"A prolixidade não é excesso de palavras, mas sim escassez de idéias."

Vou lá assistir a Copa do Mundo, volto depois.

(Esta última frase, esclareço, não é do Nicolás...)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O fim das FARC

Marulanda "Tirofijo", líder das FARC, está comprovadamente morto, portanto talvez seja a hora de realizar algumas reflexões.

Uma dúvida que tenho é a seguinte: a esquerda em geral é a favor do controle de armas, certo? Considera as armas perigosas e quer limitar sua venda.

Pois bem, como se concilia isso com seu apoio ou simpatia pelas FARC e outras guerrilhas, que usam, claro, armas todo o tempo? Ou sua simpatia pelos palestinos, entre os quais até garotos de 14 anos tem acesso a fuzis AK-47?

Outra dúvida: o Brasil é signatário do pacto de banimento de minas terrestres. Aí leio o outro dia que as FARC possuem umas oito mil minas. No outro dia mesmo, dois soldados colombianos a morreram em um campo minado das FARC. Mas o Itamaraty não critica esse uso ilegal de minas terrestres e nem mesmo se digna a chamar as FARC de terroristas.

O pesadelo das FARC parece estar acabando. Teria acabado antes, não fosse a simpatia de certas forças políticas e de parte da mídia.

De fato, ontem mesmo, no encontro do Foro de São Paulo, essa fantasmal organização que até pouco tempo quase todos negavam existir, o Daniel Ortega, pedófilo estuprador e presidente da Nicarágua, saudou a memória desse "grande lutador" que foi o Marulanda.

De qualquer modo, é salutar ver as FARC e seus simpatizantes entrando pelo Cano.

Onde andará Ingrid Betancourt?
Viva? Morta? Quem a salvará?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Como negociar

A propósito de negociações, aqui uma breve entrevista com "Karina", líder guerrilheira das FARC que acaba de se entregar às autoridades. Grifos meus.

¿Por qué tomó la decisión de entregarse después de 24 años de lucha?

Me entregué únicamente por la presión en la región por parte del Ejército sobre nuestra zona de influencia. La decisión la tomé solo hasta el domingo a las 5 de la mañana, después de mucho tiempo de pensarlo.

¿Usted sintió temor de que le ocurriera lo mismo que al asesinado 'Iván Ríos'?

Creí que me podía pasar lo mismo porque muchos piensan en el dinero y por mí ya ofrecían mucho dinero. Uno está rodeado de muchos combatientes en la guerrilla y no sabe que está pensando cada uno.

¿Usted tuvo algo que ver con el asesinato del papá del presidente Álvaro Uribe?

No conozco quién asesinó al papá del Presidente. Yo no tengo ni sangre ni mis manos manchadas en ese hecho. De mí , se dijeron muchas cosas en la prensa y los noticieros que no son ciertas...responderé ante la justicia.

¿Cómo están las Farc después de todas estas deserciones y golpes ?

Las Farc están resquebrajadas. El frente 47 tiene menos de 50 hombres. En la unidad que estaba bajo mi responsabilidad sufrimos un bajón muy fuerte.

sábado, 10 de maio de 2008

"Nem simpatia, nem antipatia"

Diogo Manardi escreve sobre as escravas sexuais das FARC:
Rocco Cotroneo, correspondente do Corriere della Sera na América Latina, fez uma reportagem sobre uma escrava sexual das Farc. Aos 11 anos, ela foi arregimentada pelos terroristas colombianos para montar minas. Essa tarefa costuma ser desempenhada por crianças para evitar o risco de perder um terrorista num acidente. Aos 12 anos, ela se tornou escrava sexual de um alto comandante das Farc, um dos mais procurados do país. Ele tinha 45 anos. Algum tempo depois, ela engravidou. É comum que as escravas sexuais das Farc – as "ratas" – tenham de abortar com pontapés na barriga. Como ela pertencia a um dos chefes do bando, conseguiu ter o filho, que lhe foi tomado aos 2 meses de idade e entregue a um parente. Ela fugiu do acampamento terrorista e foi acolhida num instituto do governo, onde Rocco Cotroneo a encontrou.

O assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, já garantiu a "neutralidade" do Brasil na guerra contra as Farc. Quando lhe perguntaram se seu grupo tinha simpatia pelos terroristas, ele respondeu simplesmente: "Nem simpatia, nem antipatia". No caso das ratas, é como manter uma postura de neutralidade diante de Josef Fritzl, o austríaco que prendeu a própria filha por mais de vinte anos, servindo-se dela como sua escrava sexual. Josef Fritzl? Nem simpatia, nem antipatia.

Na verdade, grande parte da esquerda não é exatamente "neutra". Tem, sim, simpatia pelas FARC. Tomo a liberdade de reproduzir um comentário encontrado no blog do PD:
Lula se recusou a classificar as FARC como grupo terrorista. Seria uma carta aprovando o genocídio em curso perpetrado por Uribe e EUA.
Viram? No universo de fantasia de certos esquerdistas, lutar contra grupos terroristas (como Colômbia e Israel fazem) é "genocídio". Seqüestrar civis ou escravizar meninas de doze anos e usá-las para montar minas é "luta legítima".

Eu poderia aqui escrever linhas e linhas sobre como o governo Lula, sob a farsa da neutralidade, é comprovadamente conivente com as FARC. Mas não é isso que me interessa agora. O que me interessa é entender como certas pessoas, em nome da "justiça social", do "bem", podem ignorar as coisas mais terríveis: ficar na verdade, cegas para como o mundo funciona de verdade. Não há nada de surpreendente no fato de que guerrilheiros na selva utilizem meninas como escravas sexuais, aliás há extenso material sobre o tema. Os traficantes cariocas fazem o mesmo toda hora. Mas a ideologia esquerdista parece tornar as pessoas imunes ao senso comum. Coisas que horrorizariam qualquer mortal (e até eles mesmos em outras situações; digamos que estivéssemos falando do CV e não das FARC) passam batidas quando estão de algum modo ligadas à ideologia socialista.

Claro: daria para argumentar que a ideologia socialista, de por si, é imoral; daí que os passos para atingi-la também possam ser imorais. No entanto, o problema é que seus defensores se consideram santos baixados a terra, portadores de uma Moral Superior. E quem ousa criticá-los é um "direitista fanático" ou "membro das elites", ou um "burguês", ou um "imperialista".

Imperialistas e genocidas safadas protestando contra as FARC.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Cadê os defensores do Equador e das FARC?

Onde estão agora os esquerdistas que defendiam o presidente equatoriano, que o chamavam de "grande estadista", que protegiam docemente as FARC como criancinhas coitadas, vítimas do "imperialismo"? Onde estão aqueles blogueiros que diziam que as tais informações do computador do Reyes eram falsas ou irrelevantes? A Interpol acaba de comprovar como verídicas todas as informações encontradas lá, inclusive a compra de urânio, as relações perigosas com Equador e Venezuela, e até mesmo o link com membros do Partido Democrata americano, fãs de Obama e favoráveis ao "diálogo" com a guerrilha... Pois é, é a esquerda internacional em toda a sua glória, do Oiapoque ao Massachussets.

A Europa, enquanto isso, praticamente abandona a visão romântica das FARC. O jornal El País, mais de esquerda que o Diabo, no entanto não hesitou em publicar uma série de reportagens bem extensivas sobre as guerrilhas, coisa que a imprensa brasileira nem sonha, indicando que as FARC não tem apenas um, mas ao menos oito acampamentos no Equador e relações diretas com o governo de Quito.

Ah, mas a esquerda local prefere acreditar que as FARC nada tem a ver com os governos socialistas que pipocam pelo continente. Já vai ter blogueiro afirmando que, na verdade, tanto a Interpol quanto o jornal El País estão a soldo de Uribe e do "império"... Algumas pessoas nunca aprendem.