sexta-feira, 25 de junho de 2010

Nerds idiotas e vândalos imbecis

Ontem havia filas quilométricas na frente das Apple Stores por aqui, com milhares de pessoas tendo passado a noite inteira na fila. Tudo para comprar o novo iPhone 4.

Quem passaria toda a noite na rua para comprar um telefone? Evidentemente, não se trata de necessidade. Todos os que estavam na fila já tinham telefones celulares de, pelo menos, penúltima geração. Eu posso entender uma fila quilométrica do pão em tempos de escassez, e até mesmo uma fila quilométrica para assistir a um espetáculo único, mas uma fila para obter um objeto que poderiam comprar sem problemas uma semana depois?



A resposta é status.

Aquelas pessoas que estão na fila não querem um telefone, querem mostrar aos outros que são os primeiros a ter um objeto de consumo que é símbolo de modernidade, hipness, coolness.

A busca de status é o motor da sociedade americana.

Alguns verão uma contradição entre o consumismo e o esquerdismo, ou acharão estranho um blog "de direita" criticar o consumismo. Mas não há contradição alguma. Tudo é status. Apoiar os tibetanos, os índios da Amazônia ou os palestinos são causas da moda que aumentam o status daquele que as apóia. Sob essa ótica, colocar uma mensagem no Facebook lamentando o destino das criancinhas de Bangladesh tem a mesma função do que comprar um iPhone ou, para o pássaro fragata, inflar seu papo vermelho.

Afinal, tudo se resume a isso: ser superior ao vizinho e chamar a atenção do sexo oposto.

Curiosamente, a maioria desses nerds interessados em gadgets e causas da moda são brancos. Há até um website dedicado a isso, Stuff White People Like, onde nos informam:
In 2009, millions of white people took 35 seconds to turn their twitter profiles green, and consequently sent a very powerful message to the leaders of Iran. Their message was that they wanted their friends to know that they would stop at nothing to ensure freedom and democracy for the Iranian people. Thanks in large part to that effort Iran is now completely democratic.
Uma ilustração visual do fenômeno é o vídeo paródico "White and Nerdy", de Weird Al Yankovic.

Porém, enquanto os "white nerds" fazem fila para comprar um iPhone, o que fazem os negros e mais especialmente os latinos das comunidades pobres? Comemoram a vitória dos Lakers destruindo selvagemente um táxi.


Tudo, é claro, também filmado e colocado online com os onipresentes celulares, já que tampouco estes grupos são imunes à tentação do status. (Neste outro vídeo, podemos ver dezenas de iPhones filmando o evento, e a bandeira mexicana balançando ao fundo).

Talvez seja o meu mau humor falando depois de assistir uma patética partida entre Brasil e Portugal em que nenhum time sequer se esforçou para ganhar, mas não há muita esperança para o Ocidente se os dois extremos (consumismo e vandalismo) se tornarem as normas de comportamento social. 

 iPhone com vibrador.

15 comentários:

Anônimo disse...

... e Woland, escreve: As vezes voce me assusta, Mister X. Parece um cara de esquerda escrevendo ! Acho isso normal... Estas filas. Aqui, elas não existem não por sapiência do povão e sim por sermos um bando de duros ! Populismo de esquerda, impostos e taxas tomando 5 meses do sálario do trabalhador e 40% do PIB não permitem isso. E é do nosso tempo. Na França, Paris, Louvre !, OHHHHH !, aconteceu o mesmo na abertura, disse abertura, da loja da Apple ! E, nas filas, tem gente que se interessa por tecnologia, sim, e não são nerds imbecis. Outros, querem aparecer. "Desfilar" com a novidade ! Só gostaria de que o Brasil tivesse uma dessas empresas por aqui... Gênios como o Steve Jobs por aqui. Desculpe-me mas um texto tipicamente de esquerda.

Mr X disse...

Calma Woland. Eu tenho um iPod touch, então também devo ser um típico white nerd imbecil. Só não passei a noite numa fila para comprá-lo. E, pra falar a verdade, tampouco achei o objeto tão incrível assim. Depois de alguns dias, você já está querendo a próxima novidade tecnológica. No meu caso, um destes brinquedinhos aqui.

Mas eu gosto de novidades tecnológicas. Tenho um pouco de birra com a Apple, confesso. Parece-me mais design do que substância. Talvez porque o meu Macbook Pro esteja com problemas DE NOVO.

Texto de esquerda? Ao contrário. Nada contra os iPhones, e só faz fila quem quer. Todos são livres para comprarem o que quiserem.

Apenas observo as contradições de nosso tempo. Consumismo e vandalismo são os dois lados da mesma moeda da cultura moderna. Um lado consome em nome do status, o outro lado destrói. Esta também é a América. Ou o mundo.

(Ver o que acontece na França durante as comemorações de Ano Novo).

Eventos isolados, ou representações da cultura?

Confesso que multidões brandindo telefones com câmera enquanto filmam toda e qualquer cena de vandalismo ou crime me deixam um pouco perplexo.

Cláudio disse...

"A busca de status é o motor da sociedade americana."

Eu diria da sociedade moderna, esta dos "adultescentes."

Aqui no Brasil um iPhone, assim que foi lançando, era vendido por cerca de 1900 reais.

Eu adoro o site "Stuff White People Like"!

c* disse...

kkkk !

seu woland pede desculpas à mrx por julgar seu post "de esquerda" e mrx da uma resposta kilometrica dizendo que "ah non, surtout pas, jamais, du calme,etc.."

na minha galaxia, se alguém disser que estou parecendo"de direita" vou chorar o dia inteiro e jogar meu bberry no lixo !
non, tou brincando ! kkkk

c* disse...

("a frança"coitada,special guest em todo e qualquer assunto...xingada, desprezada,sacaneada, humilhada,chutada !

france mon amour,moi je t'aime ! )

Mr X disse...

Não joga no lixo não, pode dar pra mim.

Blackberry é de direita e iphone é de esquerda? ou vice-versa?

Vive la France!

Andre Bossard disse...

Mes passado, quando lançaram o iPad aqui na Europa, eu estava em Londres. Meu hotel ficava na Oxford Street a poucos passos da Apple store londoniana. Pude presenciar o mesmo tipo de cenas descritas pelo Mr X, onde cada um dos infelizes que haviam passado a noite na fila pra ser 'o primeiro' a ter o tal gadget ao entrar na loja atravessava um corredor polonês de empregados da loja que o aplaudiam. Poucas horas depois, no aeroporto de Gatwick encontrei o mesmo iPad a venda, sem filas, sem midia, sem o 'glamour' presenciado a poucas horas.

Klauss disse...

Não sei, mas acabei de ler esse texto aqui http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/11181-as-tres-humanidades.html

Acho que tem muita coisa a ver!

Anônimo disse...

Tem gente que deve ser 'ruim de cama', feio e deve levar uma vida desgraçada de sem graça e dai procura compensar tudo isso cercando-se de tecnologismos inúteis. Tem os que descambam pras drogas e outros que preferem o suicídio. Estes últimos são os mais corajosos de todos e resolvem suas carências de forma honrosa e solitária matando-se.
Mas a aporrinhação mesmo vem dos caras infelizes, mal amados e feios que amanhecem em filas para comprar mais uma quinquilharia que daqui a seis mêses vai estar ultrapassada por outra quinquilharia... Pior é que estes sujeitos saem por ai mostrando que a quinquilharia que acabaram de comprar faz isso, aquilo e aquele outro e eles tem que mostrar tudo isso o mais rápido possível para o maior número de vitimas possível já que a porcaria que ele comprou dura pouco e vai logo ser substituida por outra porcaria...
Dia destes um sujeito me apareceu com um celular que faz um montão de coisas. Tem TV digital, GPS, internet, dois chips, camera com um porrilhão de pixels, conexão USB, memória de 12gb etc etc etc etc etc. Ficou um tempão me mostrando as maravilhas da geringonça e eu ali, pensando no meu Samsunguinho que mal e mal tem radinho fm... Lá pelas tantas eu disse - "O meu celular é melhor que o seu" Ele riu e perguntou porque. Tirei meu samsumguinho e deixei cair no piso de cimento. tampinha prum lado, bateria pro outro!!! me abaixei, juntei os pedaços, montei e liguei e o bichinho funcionou direitinho. Olhei para ele e disse 'O seu faz isso??"
Ele balançou a cabeça e disse que eu era louco. "Louco sim, mas meu celular ainda é melhor que o seu e olha que ele já tá comigo a uns 3 anos..."

Mr X disse...

Huahuahuau. O meu celular também já caiu uma pá de vezes e ainda funciona. Mas fazer isso com um iphone?

Anônimo disse...

olá Mr. X!
gosto muito do seu blog, estou sempre por aqui!
gostaria de comentar:
além das razões citadas para alguém ficar na fila, acredito que exista uma outra, mais simples, banal e óbvia até - pessoas
que gostam muito de "gadgets" e ficam ansiosas por experimentarem um novo ou uma nova versão....algo até meio infantil, mas que não faz mal a ninguém e
não se baseia nos motivos "pejorativos" citado por você...
abraços
Luiz Fernando

c* disse...

o anonimo do samsunguinho é josua, so pode ser !


lol

Roberto disse...

Não vejo muita graça nesse assunto porque perdi meu smartphone de 800 contos esses dias atrás. Não sei se terei, de novo, coragem de gastar tanto dinheiro numa bosta tão pequena, mas enfim...
Acho que as pessoas vivem esquecendo que os objetos são um meio e não um fim, justamente por causa de uma coisa baseada no consumismo, que é o que voce disse: status. Status, essa necessidade lazarenta que nos faz quer parecer melhor do que os outros. É a vaidade, maldita vaidade... Mas a culpa não é do consumismo, a alma humana é que é assim.
De repente é o capitalismo que desperta o que há de pior nas pessoas?

Gunnar disse...

Acho que o consumismo não precisa necessariamente ser bem visto sob a ótica direitista, principalmente se associarmos direitismo mais com conservadorismo do que com capitalismo.

Na verdade, eu diria até que joga contra. O capitalismo funciona bem dentro do seu âmbito, que é o de permitir a existência de um livre mercado. Mas não substitui a moral, a religião, a cultura e o lazer. No entanto, é o que muita gente tenta fazer.

O próprio Olavão critica essa distorção.

Aliás, livre-mercado por livre-mercado até os comunas já aprenderam que é o melhor mesmo (vide Lula), enquanto vão minando a política, a moral e a sociedade, sem que ninguém perceba, afinal, o "os negócios estão indo bem"...

O verdadeiro conservadorismo trata de valores bem anteriores e mais profundos do que o simples livre-mercado, sendo esse simplesmente o pré-requisito de um mundo no qual a existência dos mesmos é possível.

Ricardo F. Brun disse...

É cara...
Milhares e milhares de propagandas para as pessoas comprarem o que não precisam.
Pq na real, a gente precisa de poucas coisas pra sobreviver.
Celular pra mim continua sendo um telefone móvel.