quarta-feira, 9 de março de 2011

Retratos da solidão contemporânea

Num artigo anterior falei brevemente sobre a solidão contemporânea e o livro "Boliche solitário", de Robert Putnam, mas acho que o tema é interessante em si mesmo e merece um artigo à parte. 

A transformação de que Putnam fala ocorreu, é certo, na América e, na verdade, por todo o mundo ocidental. As famílias não só são menos numerosas, como poucos são os que ainda as mantém unidas: a maioria as têm espalhadas pelo mundo, ou ao menos por cidades diferentes. Pais divorciados, um aqui outro ali, um irmão lá, o outro acolá.

A nova família, em muitos casos, tornou-se de apenas dois: mãe solteira e filho. É curioso que os gays agora queiram tomar para si um modelo falido, salvo, claro está, que não queiram realmente. Depois do casamento gay, a grande luta do século será pelo divórcio gay, e depois virá a briga pela guarda dos pequenos gayzinhos.

Os lamacentos hippies dos anos 60 queriam acabar com a família tradicional e, de certa forma, conseguiram. Mas seu sonho coletivo tampouco se realizou. Os experimentos de comunidades alternativas onde todos dividem tudo e mais a mulher fracassaram rotundamente. Woodstock é só uma lembrança cada vez mais fugaz. Perguntam-se os velhos hippies, hoje em luta contra o Alzheimer: "Foi real mesmo, ou era só efeito do LSD?"

E as amizades? Nos EUA, é muito raro se manter no mesmo local de nascimento por toda a vida. Nasce-se em uma cidade, vai-se estudar em outra, em alguns casos faz-se a pós-graduação em ainda outra cidade diferente, e finalmente trabalha-se onde se conseguir, que pode ser em outro estado ou até em outro país. Difícil manter amizades de infância assim.

Clubes? Associações comunitárias? Isso perdeu-se. Salvo exceções, não há mais a sensação de pertencer a um grande grupo unido. A sociedade está fragmentada, não sei se devido ao multiculturalismo ou a outros fatores, e a sensação é de que é cada um por si.

Resta a Internet como último refúgio da amizade. Hoje todos temos 500 "amigos" no Facebook e conversamos com eles por Skype. Não, não é ironia. É uma ajuda e tanto, especialmente para quem mora fora do país. Antes manter esses contatos era bem mais complicado. Amigos longínquos tornaram-se mais próximos. O mundo ficou menor. Mas será que esses encontros virtuais substituem a vida real?

De certa forma, sim. Este blog, e outros, são como botecos. Lá vem o Chesterton tomar seu uisquinho do dia. A Confetti bebe rapidinho seu martini e já vai. Logo mais entra o Augusto Nascimento, positivamente entornando mais uma garrafa de cachaça, aquela nacional. O Mais Valia, que já está lá, pede mais uma. Rolam brigas e discussões acaloradas. Seu Comunista! Antisemita! Papista! Ateu! E saudosismo: que fim levaram a Didi Iashin, o Marcelo, o Pax, o DD? Talvez mudaram de bar, ou abandonaram a boemia. Mas eis que chega um novo cliente, o Microempresário. O que vai ser, patrão? Uma cervejinha? Pois não.

Sim, a vida virtual substitui o boteco real, sem o perigo de você tropeçar ou ser assaltado no caminho de volta para casa. E no entanto, às vezes dá saudades de um tempo em que tudo era mais concreto, mais palpável, e as amizades duravam trinta anos sem precisar de Facebook, e jogava-se boliche em clubes, e as famílias tinham numerosos tios e primos, e casamento gay era coisa de ficção científica, e nascia-se e morria-se no mesmo lugar.

49 comentários:

Microempresário disse...

Lindo texto, X. E agradeço a lembrança, esclarecendo que consumi toda minha cota de fermentados e destilados na juventude, e hoje me restrinjo ao mate gelado e à cocacola.

E dê uma olhada neste texto, que tem uma visão completamente diferente do assunto, e igualmente válida, acho eu. Aliás, recomendo todo o blog, faz parte da minha leitura diária, como o seu.

http://carlosorsi.blogspot.com/2011/03/nos-realmente-precisamos-de-raizes.html

Gunnar disse...

Muito bacana o texto, X! Partilho desse saudosismo, embora não tenha realmente vivido tal época dourada.

Anônimo disse...

Porra, o cara está em crise, de novo...

Anônimo disse...

Ehhh...
A vida sem a influência da igreja cristã, de seu valores e princípios é uma merda mesmo.
Os movimentos revolucionários que surgiram nos últimos 400 anos, legaram às pessoas conteporâneas o lixo de suas rebeldias: (capitalismo exarcebado, socialismo, nazismo, comunismo, gayzismo, feminismo...bahh!!!). Que venha o governo de Cristo! Apocalípse 19.11-21

Mr X disse...

Na verdade, gosto de muitas coisas da tecnologia e da sociedade moderna, e naturalmente não poderia viver sem a Internet. Por outro lado, alguns aspectos da vida moderna, eu aprecio menos. O será apenas, como diz o leitor acima, uma crise, com sorte passageira?

Abraços,

maisvalia disse...

Obrigado pela parte que me toca, mas ainda mantenho, com muito custo é claro, meus amigos não virtuais, hehehe.
Este espaço é bem legal, apesar do AN - brincadeirinha - pois no passado nos estranhamos pois pensei que ele era petralha, no que , me enganei. Petistas me dão asco. Pelo menos, nunca votei neles, hehehehe.
Mas gosto do blog, tanto quanto o do Caio Blinder - mesmo ele sendo liberal.
Já no do Sakamoto eu sou censurado em todas as minhas versões e ids. O japones só gosta de ser patrulhado pela milícia a favor. Tentei entrar na sua - MrX - discussão sobre feminismo mas não deu.
Abs a todos os amigos virtuais deste buteco, chest, micro, AN, gunnar, confetti e ao dono.

Chesterton disse...

post seminal.

Augusto Nascimento disse...

"... o Augusto Nascimento, positivamente entornando mais uma garrafa de cachaça, aquela nacional"
Se o sheik maluco, em vez de tentar reduzir o número de cigarros de OC-e salvar seus pulmões-, tivesse reduzido o número de copos-salvando seus neurônios-, teria salvo da destruição uma das maiores inteligências que o Brasil já viu (alguns textos dele são de rara intuição sociológica). Agora, ele parece um personagem de canção de Vicente Celestino, xingando petralhas na Internet e escrevendo sobre como o desejo dos sauditas de exterminar os iranianos prova que estão todos metidos na conspiração. Triste, muito triste.

Augusto Nascimento disse...

"Abs a todos os amigos virtuais deste buteco, chest, micro, AN, gunnar, confetti e ao dono."
Abraços.

Anônimo disse...

Olavo de Carvalho acabou-se,de fato, mas agora temos o Augusto Nascimento. Sua primeira obra já tem nome: "O Imbecil Positivo".
Fernando - SP

Diego disse...

para Nerds pouco sociaveis e retraidos e com opiniões distoantes do mainstream a blogosfera se tornou La Bodega e sem rasgar seda o sanduíche aqui é muito bom.

Augusto Nascimento disse...

"Olavo de Carvalho acabou-se,de fato, mas agora temos o Augusto Nascimento. Sua primeira obra já tem nome: 'O Imbecil Positivo'."
Temo que ele me processe por causa da semelhança de nomes: "Imbecil Coletivo" já é o nome do Seminário de Filosofia dele. Com a palavra o mestre: "O imbecil coletivo não é, de fato, a mera soma de um certo número de imbecis individuais. É, ao contrário, uma coletividade de pessoas de inteligência normal ou mesmo superior que se reúnem movidas pelo desejo comum de imbecilizar-se umas às outras." E, definitivamente, quero que ele pense que eu estou querendo me aproveitar da fama dele (quem faz esse tipo de coisa é o Schopenhauer, que não descansou enquanto não escreveu um livro em parceria com OC).

Augusto Nascimento disse...

Correção: "E, definitivamente, NÃO quero que ele pense que eu estou querendo me aproveitar da fama dele".
Quem tirou o "não" foi o Schopenhauer, que quer me intrigar com Olavo de Carvalho só por ciúme (depois que escreveu um livro com Olavo de Carvalho, não quer outra coisa na vida).

Mr X disse...

Ô Augusto, você não tem outro assunto que o Olavo de Carvalho?
Rapaz, arrange um hobby, coleção de selos ou figurinhas, estudo dos insetos ou da língua suaili, sei lá. Ajuda.

com opiniões distoantes do mainstream a blogosfera se tornou La Bodega

Acho que por isso para mim (e para muitos) a blogosfera se tornou um espaço tão concorrido, pois é possível discutir opiniões pouco politicamente corretas que não seriam possíveis de discutir na mídia normal, ou mesmo na mesa de um bar ou café, sob pena de receber olhares de ódio. Claro, o anonimato virtual ajuda. Mas também o fato das discussões serem por escrito, e substanciadas por links imediatos a artigos, notícias, etc.

Augusto Nascimento disse...

"Ô Augusto, você não tem outro assunto que o Olavo de Carvalho?"
1) Não. E o Olavo de Carvalho também não tem. Até as histórias sobre o sheik maluco (o mais interessante personagem do nosso folclore nacional e que deve ser primo siamês literário do ladrão boliviano de uma peça de Nelson Rodrigues) são, no fundo, sobre como ele é incrível e enfrentou a tariqa do Schuon inteira com as mãos amarradas nas costas. Agora, ele está enfrentando a KGB inteira. Em vez de clamar por um golpe militar, por que ele não esmaga logo o PT inteiro com as próprias mãos? Afinal, Olavo de Carvalho é o Chuck Norris da filosofia tupiniquim.
2) Até tenho outros assuntos, mas eles são chatos. Por exemplo, os dois pesos e as duas medidas da direita local, que acha que qualquer um que discorde das olavattes é um pé-de-cana ideológico, mas que acha que, quando Olavo de Carvalho passa na frente do bar chamando saudita de meu louro, tudo está OK.

Edu disse...

Gostei da idéia de boteco virtual!

Somos seres sociais X! A coisa ia acontecer de qualquer jeito! Sabe o que é melhor desse blog? Eu juro q morro de preguiça de ir atrás de tudo o que vcs leram pra poder fazer parte da discussão, mas lendo vcs, algo eu aprendo.

Um brinde!

Mr X disse...

Uôu. O Chest deu o link lá no blog do Japamoto desta entrevista com um professor afro-americano, mas não custa repostar aqui.

http://noracebr.blogspot.com/2011/03/o-mercado-vence-o-racismo.html

Dois trechinhos:

"O salário mínimo, que as pessoas consideram uma conquista para os mais desprotegidos, é uma tragédia para os pobres. Deve-se ao salário mínimo o fim de empregos úteis para os pobres. A obrigação de pagar um salário mínimo ao frentista no posto de gasolina levou à automação e ao self-service. O lanterninha do cinema deixou de existir não porque adoramos tropeçar no escuro do cinema. É por causa do salário mínimo. Na África do Sul do apartheid, os grandes defensores do salário mínimo eram os sindicatos racistas de brancos, que não aceitavam filiação de negros."

"Primeiro, não existe igualdade racial absoluta, nem ela é desejável. Há diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres, e isso não é um problema. O desejável é que todos sejamos iguais perante a lei. Somos iguais perante a lei, mas diferentes na vida. Nos Estados Unidos, os judeus são 3% da população, mas ganham 35% dos prêmios Nobel. Talvez sejam mais inteligentes, talvez sua cultura premie mais a educação, não interessa. A melhor forma de permitir que cada um de nós — negro ou branco, homem ou mulher, brasileiro ou japonês — atinja seu potencial é o livre mercado. O livre mercado é o grande inimigo da discriminação. Mas, para ter um livre mercado que mereça esse nome, é recomendável eliminar toda lei que discrimina ou proíbe discriminar."

Mas claro, sempre vai aparecer alguém pra dizer que "ele é só um Uncle Tom"...

Augusto Nascimento disse...

Ele bem que poderia ter se lembrado das virtudes do livre mercado e da meritocracia durante os oito anos em que apoiou o crony capitalism dos republicanos (mas agora se recusa a apoiar o crony capitalism dos democratas: deve ser questão de princípios...). Mas eram tempos diferentes, tempos em que os "conservadores" diziam que "deficits don't matter". Fico feliz em ver que bastou mudar o partido-ou a cor, sei lá- do presidente, e os "conservadores" viram a luz. Obama não melhorou os EUA, mas melhorou um bocado o discurso do Partido Republicano e dos seus simpatizantes. Como é mesmo aquela história da hipocrisia ser o tributo que o vício paga à virtude?

maisvalia disse...

Essa entrevista eu já tinha postado um pedacinho no sakanamoto - da liberdade de expressão, pois o politicamente correto japones é campeão de censura (ah se eles pudessem mandar no mundo, né?) - e como achei muito boa guardei-a em arquivo.

Didi Iashin disse...

Oêêê!!! Mr. Equis, você se lembrou dessa velhota aposentada!! Obrigada. No máximo, tomaria uma dose de Baileys, eu que sou muito enxerida. Só tinha desaparecido porque meu pc véio faleceu e eu ainda não consegui resgatar os dados. Agora, estou de volta!!! Besitos!

Anônimo disse...

"Logo mais entra o Augusto Nascimento, positivamente entornando mais uma garrafa de cachaça, aquela nacional."

Pelo teor dos comentários do cara, aposto que ele toma garrafas e garrafas de Absinto todos os dias.

Augusto Nascimento disse...

OC diz que Bush foi o melhor presidente do Iraque (para quem foi eleito para governar a matriz, é pouco). Obama já é o maior líder da história do GOP: ele fez com que os republicanos lembrassem que deficts matter, que não faz sentido vender o jantar de hoje para pagar a sobremesa do almoço no Fasano, que esses tais sauditas são legais e tudo mais-e têm mente aberta: até andam de mãos dadas com presidentes americanos em público; em alguns estados americanos, até pouco tempo atrás, isso dava cadeia-, mas são os maiores financiadores do Terror no mundo, etc. Só falta fazer o Machado de Assis do MSM-descoberto pelo Mr. X, o Carpeaux-Wilson Martins do século XXI-,(tão preocupado com a decadência das cidades negras-causada, segundo ele, pelos eleitores e políticos negros-quem mandou deixar essa gentinha votar e ser votada, né?: desse jeito, como diria Millor, vamos acabar caindo numa democracia!) que o estado que o feitor dele chamou de Petelândia, a Louisiana, é de maioria BRANCA, e que a governadora que o patrão dele responsabilizou pelo desastre do Katrina era branca. Mas para o que passa por direita no Brasil um racismo básico sempre cai bem...

Augusto Nascimento disse...

1) Em matéria de absinto, estou mais para Medeiros de Albuquerque do que para Pardal Mallet.
2) Falando em drogas legais, absinto, uísque, cerveja, etc., é bom lembrar que existe também rum- e existe também a poesia:
"Como ama o homem adúltero o adultério
E o ébrio a garrafa tóxica de rum,
Amo o coveiro – este ladrão comum
Que arrasta a gente para o cemitério!
É o trancendentalíssimo mistério!
É o nous, é o pneuma, é o ego sum qui sum,
É a morte, é esse danado número Um
Que matou Cristo e que matou Tibério!"
Augusto dos Anjos

Anônimo disse...

Gente, qual o e-mail do blog? Tinha um antes mas agora não tô achando.
Abração a todos

Mr X disse...

orbiste@gmail.com

Augusto Nascimento dos Anjos?

Mr X disse...

Ops, sorry, o email correto é orbister@gmail.com

Não sei porque não aparece mais no fim da página.

Quem era obcecado pela cor branca era o mulato Cruz e Souza, não o Augusto dos Anjos.

Marcelo Augusto disse...

Olá!

Acho que o Marcelo citado no texto sou eu, o Marcelo Augusto.

Eu continuo lendo o blog com a mesma frequência de antes, apenas tenho comentado menos.

Atualmente, o blog onde mais comento é o Blog do Pax. O pessoal de esquerda de lá coloca algumas coisas até interessantes sobre o liberalismo e a direita brasileira (Direita? No Brasil? Onde?). O problema é que essas colocações, no geral, estão equivocadas e passam bem longe do liberalismo e do que é ser de direita. Lembrete: Liberalismo e direita são coisas diferentes.

Aliás, sugiro aqui a leitura de um interessante debate que houve no Blog do Pax sobre os valores liberais, o livre mercado, o capitalismo, os desastres do coletivismo e assuntos afins. O debate começou mais ou menos neste comentário.

E como ninguém é de ferro, manda uma cerveja bem gelada aí, Garçon Mr. X!

Até!

Marcelo

Augusto Nascimento disse...

"Quem era obcecado pela cor branca era o mulato Cruz e Souza"
Que Olavo de Carvalho-para não dar pinta de racista- elogia (os esquerdistas fazem a mesma coisa com os rapper e quejandos- todo racista precisa ter seu negro de estimação: até George Wallace tinha o seu). Sílvio Romero e Medeiros de Albuquerque já haviam provado que era uma porcaria.

Mr X disse...

Cruz e Souza era uma porcaria? Gosto de alguns de seus poemas. E Olavo também elogia os mulatos Lima Barreto e Mario de Andrade, bem como Machado de Assis (não sei se seria correto chamá-lo de mulato, essa é uma coisa do movimento negro e politicamente correto que busca tomar escritores para si; o escritor é bom ou ruim independentemente de sua raça ou preferência sexual).

Augusto Nascimento disse...

Machado de Assis (conhecido mais intimamento como "Machado" ou o "Bruxo de Cosme Velho") é hors concours na literatura brasileira: só ranhetas confirmados como Janer Cristaldo e Millôr Fernandes falam mal dele. Estátuas de granito não têm raça. Além disso, o próprio OC confessa que "o diabo diz a verdade nove vezes para poder mentir melhor na décima". Lima Barreto é o maior romancista brasileiro do século XX, não era um Cruz e Sousa qualquer, não (e Olavo de Carvalho distorce-por astúcia política- a vida dele, fingindo esquecer que, pouco antes de morrer, ele ainda estava escrevendo crônicas em defesa da Revolução Russa-Olavo de Carvalho é um mentiroso compulsivo em matérias culturais, as quais, aliás, ele conhece muito bem).
Se se fosse julgar poetas por "alguns de seus poemas", até D. Pedro II entraria no cânone literário ("O sincero acolhimento Do fiel povo ituano Gravado fica no peito Do seu grato soberano" não é muito pior que as outras poesias horrorosas dele). É preciso ter constância. Os poetas são os legisladores não-reconhecidos do Mundo, como ensinou Shelley. Eles são os mais altos representantes de um povo, deles não se pode esperar menos do que a perfeição jamais!

Beto disse...

Pô amigo Mr. X, belo texto, mas você não estava meio down quando escreveu isso não é?

Senão pede pro maisvalia uma dose de wisky! Mas cuidado pro AN não esticar o braço e pegar antes... :)

Chesterton disse...

AN= Bad Trip

Mr X disse...

Não acho que o Cruz e Sousa seja um mau poeta, melhor do que os picaretas dos irmãos Campos. Em compensação, não acho que Lima Barreto seja um bom escritor, embora tenha alguns contos divertidos.

Meio down? Pode ser... Passou.

Mr X disse...

Ah! E além disso, Lima Barreto criticava a República positivista, e alguns dizem mesmo que fosse monarquista!

"Uma rematada tolice que foi a tal república. No fundo, o que se deu em 15 de novembro foi a queda do Partido Liberal e a subida do Conservador, sobretudo da parte mais retrógrada dele, os escravocratas de quatro costados". (Lima Barreto)

E agora, AN?!?!?!

Ah já sei, é tudo uma invenção do Olavo de Carvalho!!!!! Em seu novo livro co-escrito com Lima Barreto.

Augusto Nascimento disse...

1) Ao contrário de Olavo de Carvalho, eu não acho que um artista ou pensador só seja bom se concordar comigo (D. Pedro era péssimo poeta porque era péssimo poeta, ter sido imperador só fazia dele um péssimo homem- e muitos grandes poetas eram péssimos homens, a começar por Shelley). Aliás, Medeiros de Albuquerque, o qual eu citei antes, era republicano antipositivista.
2) Não fui eu quem usou Lima Barreto como exemplo de analista genial, escamoteando dos leitores ignorantes dele que o analista genial não concordava com ele em praticamente nada. Se a análise de Lima Barreto de Floriano (é, Olavo de Carvalho estava se dedicando a seu esporte preferido: atacar o Brasil e idolatrar os bosses dele) é tão genial, por que a análise dele de Lenin não é? Por que para atacar a Revolução de Novembro ele finge que não sabe que Lima Barreto apoiara a Revolução de Outubro? Mas se for contra o Brasil, Olavo de Carvalho namora até o bolchevismo...
3) Lima Barreto foi indubitavelmente o maior romancista brasileiro do século XX (se restringirmos Machado ao século XIX).

Chesterton disse...

AN, estou com nauseas de tanto que v. fala em OC.

Beto disse...

Eu admiro o Olavo, acho ele de grande valor, estudioso, que tem obra própria, apesar de ter ojeriza do academicismo.
Mas quem no academicismo brasileiro pode ser páreo pra ele? E a esquerda brasileira, a elite, qual a erudição que tem?

Agora, não acho o prof. Olavo também acima das críticas, infalível, também não é por aí.

Duas coisas que podem ser considerados como defeitos nele:

1 - Concordo com o AN, muitas vezes achincalha demais o Brasil, mas com motimos também. Só que o Brasil não é só coisa ruim, também tem coisa boa. Tem uma parte do povo lamentável e políticos de quinta categoria, mas também tem a outra parte do povo de valor.
É que, enquanto jornalista e crítico, ele tá lá pra dizer o que está errado, mas nesse intuito ele generaliza e parece que põe todos os brasileiros no mesmo balaio. Tenho certeza que ele sabe fazer essas distinções, só que muitas vezes o programa dele passa que o Brasil como um todo é um lixo, é uma porcaria, etc...
Isso passa esnobismo, uma certa arrogância, principalmente, para quem é novato quanto a ele.
(sem esquecer que ele atua como jornalista, vive do senso crítico e da crítica)

2 - Também não gosto dos folclóricos palavrões..rsss
Realmente não sei se ele tem essa mania por palavrões ou, como ele já disse, usa com fins didáticos, fins educacionais. Afinal, mesmo não gostando, ele usa os palavrões em contexto. Ele usa geralmente pra representar um pensamento, que de outro modo, ficaria sub-representado, não totalmente de acordo com o valor que ele atribui ao objeto. Para ele, como falar dos boçais e da boçalidade sem emitir um palavrão?
Achava e acho desnecessário. Mas admito que ele usa dentro de um contexto, não baixa necessarimente o nível das idéias que ele expressa com isso.

A minha dúvida é, fora do uso profissional, em sua vida privada também solta o verbo frequentemente?
Será que ele sofre de "coprolalia"?
Não tendo controle sobre os palavrões? Não creio, mas...

Mesmo se for, essa mania deve ser separada de sua vida profissional, sua obra, não confundir uma coisa com outra.
Se o professor for acometido de coprolalia, pelo menos poderão dizer: viram, Olavo não é perfeito! :)

Augusto Nascimento disse...

"AN, estou com nauseas de tanto que v. fala em OC."
Tome um placebo, e isso passa logo.
"É que, enquanto jornalista e crítico, ele tá lá pra dizer o que está errado, mas nesse intuito ele generaliza e parece que põe todos os brasileiros no mesmo balaio."
Pode ser, mas que necessidade ele tem de ficar atacando nossa pátria, sua República e seus heróis e mártires enquanto fica lambendo as botas dos Orléans e Bragança e dos Founding Fathers? O que ele quer afinal, substituir Tiradentes por Nathan Hale e Floriano por John Adams, o George Bush do século XVIII? Se ele odeia tanto o Brasil, por que não vai para a Fox News falar mal de Obama em inglês-ele certamente é bem mais qualificado do que as nulidades bizarras que andam por lá- e pára de de atacar o Brasil? Ele-bem mais do que FHC, a vítima original da comparação do Nosso Guia, parece o sujeito que se separa e passsa o resto da vida caluniando o ex-cônjuge. Será que ele também fica trollando as ex dele ou ele só gosta de trollar Tiradentes, a República, o povo brasileiro em geral e os alunos dele em geral?

Chesteron disse...

Olá, Beto.
1. falar mal do Brasil é um serviço de utilidade pública. Ufanismo é danoso. Pau no Brasil que ele merece.

2. palavrão é liberdade de expressão, só atinge aos que querem ler o texto dele. Parece que o AN não sai do site do Olavão

3. AN é frequentador do último refúgio dos canalhas (não estou acusando-o de canalha)ao alegar patriotismo para não discutir a idéia lançada. Infelizmente (?) o Brasil é um país de idiotas, isto é, de uma elite política-cultura idiota.

A questão toda do Olavão é que até agora ninguem tentou contraria suas idéias e partem para cima dele de todos os modos. Aí, só tem uma solução: mandar todo mundo para a PQP.

O último texto sobre "sociedades justas" dele é um primor. E dificilmente alguem vai conseguir contrariar o texto.
abs

Chesteron disse...

O Brasil é feito de homens de " consciências pouco exigentes"...

Augusto Nascimento disse...

Eu adoraria contrariar a "ideia" de que Obama é responsável pelas gastanças dos ídolos dele, Reagan e os dois Bushes, e que D. João derrotou Napoleão, mas, no Universo em que ele vive, aparentemente, isso aconteceu mesmo. No Universo em que ele vive, cassar Juscelino (com o objetivo de eleger Lacerda na marra) e eleger um marechal em um colégio eleitoral tutelado pelas armas e expurgados dos democratas foram medidas democráticas, mas cassar Lacerda quando ele passou a conspirar contra seus benfeitores fardados foi um crime que clama aos céus por Justiça (e só porque Castello Branco tinha inveja da beleza de Lacerda- é a História segundo a revista Capricho). No Universo dele, os jesuístas fizeram muito bem em "provar" que a Terra era o centro da Terra e mandar Galileu calar a boca. Se o patriotismo com relação à própria pátria é o último refúgio dos canalhas, o patriotismo da pátria alheia é o quê, o primeiro?

Augusto Nascimento disse...

"O Brasil é feito de homens de ' consciências pouco exigentes'"
Até exportamos o excedente para a Virgínia...

Chesteron disse...

My Country is where liberty is!

Augusto Nascimento disse...

Pensamento tão elevado deve soar ainda melhor em russo: afinal, Prestes garantia que, se a URSS e o Brasil entrassem em guerra, ele ficaria do lado soviético. Bons tempos em que a direita tinha coragem de chamar um traidor de traidor... Como lembrou em sua biografia Walter Clark, só duas pessoas já foram chamadas de "apátrida" no registro oficial do Congresso Nacional, Prestes e ele (por conta do acordo com o grupo Time-Warner). Fosse o Brasil um país sério, Olavo de Carvalho seria o terceiro. Mas desde que ele continue defendendo as negociatas da direita- e a esquerda está bem contente com as suas-, quem liga para a pátria?

Mr X disse...

Agora entendo seu interesse pelo Lima Barreto: estamos diante de um Major Augusto Nascimento Policarpo Quaresma...

Augusto Nascimento disse...

"Entre os que tiveram seu caminho de vida decidido pela influência dele contou-se o jovem Affonso Henriques de Lima Barreto. Ele aprendeu com Taine que as coisas podem não ser o que parecem. Como romancista, ele fixou a imagem da ambigüidade constitutiva das atitudes humanas no duelo de personalidades do major Quaresma com Floriano Peixoto, onde o passadista se revela um profeta e o progressista um ditador tacanho e cego."
1) Passadista? O sujeito era voluntário das forças republicanas contra os traidores monarquistas! Passadistas eram os adversários dele. Olavo de Carvalho já respondeu à acusação de que era despreparado para o debate democrático com o genial argumento de que "despreparada para o debate democrático" era a mãe. Passadista é a mãe do senhor Olavo de Carvalho, um mentiroso patológico!
2) Profeta? O personagen aposta todas as fichas no regime de Floriano e acaba na cela de espera do pelotão de fuzilamento, seus sonhos de grandeza da pátria destruídos: o major erra todas do começo ao fim.
Profeta-usando-se o modo de argumentar olaviano- é mãe (ou melhor, profetisa).
3) Entre o major Quaresma e o marechal Floriano, bom era o major. Entre o major e o soldado raso da Halliburton (sempre a defender as guerras que fazem o lucro dos amigões), quem é que ganha?

Tânia Braga Guimarães disse...

Como diz a música > A solidão é fera, a solidão devora.

Gostei do seu texto.

c* disse...

no life forever !

da uma saudade là do pd....daqueles gritos e dos beijos, das mil descobertas, do tesao que rolava entre nos.....
blog agora é hardware, ninguém tem mais saco...

Anônimo disse...

Gostei do texto, é muito elucidativo. Eu me considero um solitário por opção. Tenho amigos e família que estão sempre em contato, mas muitas vezes fujo disso pra ficar comigo mesmo. Ao longo do caminho, encontrei alguns solitários que ficaram sem opção. Querem companhia, mas não as encontram. Os motivos estão muito bem colocados nesse texto do Mr. X. A vida em sociedade é uma construção constante, e todas as instituições agregadoras possuem prós e contras, tais como igrejas ou clubes. Mas são boas possibilidades para o encontro não virtual. A união pode fazer uma força. Gostaria de fazer alguma coisa para isso ocorrer. Abs.