segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sobre o globalismo

O globalismo - ideologia que pretende um único governo global - não é uma idéia recente. Não sendo um estudioso do tema, nem saberia dizer qual a sua origem, mas sei que, em 1942, antes mesmo do final da guerra mundial, já havia uma congregação de igrejas protestantes promovendo abertamente a idéia de um governo mundial e várias outras medidas (algumas que, curiosamente, terminaram se tornando realidade), como forma de solucionar os conflitos bélicos internacionais. No pós-guerra, uma série de intelectuais como Bertrand Russel uniram-se em um movimento secular que tinha objetivos muito similares.

A idéia - ou ideologia - por trás do projeto é simples, quase tosca: não havendo nações, não haveria nacionalismos, e portanto não haveria guerras entre os diversos Estados.

Mas será que funciona mesmo?

Vejam que na China, estado bastante totalitário, uma revolta de muçulmanos na última semana matou 184 pessoas. A princípio acreditava-se que os mortos eram os manifestantes muçulmanos (uigures). No entanto, relatos posteriores informaram que, na maioria, as vítimas eram civis chineses Han, agredidos brutalmente pelos revoltosos que estavam irritados com o fechamento das mesquitas. (No norte uigur, a estratégia chinesa é a mesma que no Tibete: trazer milhares de chineses Han para a região e assim modificar o balanço e a cultura da população local. A mesma estratégia que os muçulmanos utilizam na Europa, só que em sentido inverso.)

Se um Estado totalitário como a China não consegue acabar com as divisões religiosas, étnicas e sociais, poderá fazê-lo um Superestado a nível global, por mais poder que tenha?

E, de qualquer modo, eventos como esse demonstram é que é ilusão acreditar que um governo global vai trazer paz, já que, mesmo não havendo Estados-nações, continuarão havendo conflitos étnicos ou regionais, bem como, por certo, o terrorismo. É pouco provável que o próprio nacionalismo acabe, já que este não é uma abstração, mas parte de uma característica humana - como informei em outro post, somos seres essencialmente tribalistas, haja ou não linhas imaginárias separando um povo do outro.

De fato, uma característica humana é a de definir-se sempre em oposição ou em relação a outros. O nacionalismo é uma dessas diferenciações, mas há muitas outras possíveis - por religião, por cultura, por ideologia política, por cor da pele, por sexo, por hobbies, por características psicológicas, por classe social, etc. Assim, o único modo em que poderíamos ter uma humanidade completamente unida seria no caso hipotético de um inimigo ou agente externo - por exemplo, no caso de uma invasão de seres extraterrestres, caso clássico dos filmes de ficção científica.

Agora, o que um governo global sim permitiria é a uns poucos escolhidos indivíduos terem imensa soma de dinheiro e poder. E isso talvez explique, ao menos em parte, o interesse contínuo em realizar essa utopia.

5 comentários:

DD disse...

O que me preocupa mais em tudo isso é a avidez da elite globalista por controle demográfico. Quando um bando de bacanas fala em "controle demográfico" é impossível não subentender "genocídio".

DD disse...

Aliás, essa última encíclica papal deixou-me aterrado. Que história é essa de "autoridade política mundial"? Do que é que ele está falando, do Imperador Cristão do "De Monarchia"? Será que ele pensa que a Igreja tem alguma carta na manga? Será que ele acha que conseguirá convencer os burocratas globalistas a adotar princípios cristãos?

Muito estranho...

Mr X disse...

Sobre o controle demografico, li coisas aterradoras sobre um assessor de Obama que recomenda esterilizacao involuntaria em massa e abortos obrigatorios. Vou fazer um post a respeito.

Bruno disse...

Já dizia o Carl Schmitt que o fundamento do político é a oposição, entre amigos (aqui ele puxa a Phillia de Aristóteles) contra um inimigo comum.

Boa percepção a sua. Se extraterrestres aparecessem, eles seriam os inimigos, e os seres humanos passariam a ser, nesse sentido, todos amigos. Aí m governo global se faria possível.

DD disse...

Bruno:

E coisas como o aquecimento global, não são o "inimigo comum" da humanidade?

O que você acha do que vai abaixo?

"It would seem that humans need a common motivation, namely a common adversary, to organize and act together in the vacuum; such a motivation must be found to bring the divided nations together to face an outside enemy, either a real one or else one invented for the purpose....The common enemy of humanity is man....Democracy is no longer well suited for the tasks ahead... In searching for a new enemy to unite us, we came up with the idea that pollution, the threat of global warming, water shortages, famine etc., would fit the bill."

Está num livro publicado pelo Clube de Roma, de 1993. Viu que eles não estão preocupados com a realidade da suposta catástrofe ecológica, mas apenas no seu uso como pretexto para a coesão planetária? Você já viu algo mais maquiavélico do que o que está descrito no texto acima?