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terça-feira, 13 de abril de 2010

Mitos e verdades da era contemporânea

1. Os EUA são a maior potência capitalista do mundo --> MITO.

Os EUA, em muitos aspectos, não são mais um país capitalista, daqueles que seguem fielmente as regras do livre-mercado. Bem, talvez nunca tenha existido um país assim. Nada é 100% nesta triste vida. Mas a América, sendo a principal potência ocidental, é assim mesmo o país que demonstra em maior grau os defeitos desse mesmo Ocidente em decadência. É também o país onde os revolucionários neormarxistas transnacionais - que têm a seu dispor toda a riqueza produzida pelo capitalismo global - estão mais avançados. Não é preciso ler os artigos do Olavo de Carvalho sobre o Council of Foreign Relations e outros institutos esquerdistas agindo em pleno coração dos EUA. Baste saber que o país tem dezenas de políticas de caráter claramente socialista, como o chamado "rent control", e muitas outras políticas redistributivas, algumas que vêm desde os tempos de FDR.

2. O melhor modo de ajudar os pobres é dando-lhes comida e auxílio financeiro, sem exigir responsabilidades. --> MITO

Uma vez, no velho blog do PD, o nosso leitor Chesterton causou escândalo ao afirmar que chutara um mendigo. Na verdade, quem tinha chutado o mendigo era o Janer Cristaldo, a quem eu posso perfeitamente ver nessa situação (chutar é com ele mesmo), o Chesterton havia apenas copiado e colado o artigo. Bom, o caso é que ninguém mais nestes dias de politicamente correto fala em "mendigo", virou tudo "homeless" ou "sem-teto", até mesmo no Brasil. Nos EUA, eles são um grave problema, enfeiando muitas cidades com sua presença. Não podem ser retirados, nem mesmo dos locais chiques onde decidem se deitar, pois isso iria contra os seus direitos humanos. Podem passar a noite em abrigos comunitários, e muitos voluntários auxiliam levando sopa, pizza e dando vários benefícios. Porém, ocorre uma coisa curiosa: quanto mais benefícios você dá, o número de homeless, em vez de diminuir, mais aumenta. As cidades que mais ajudam os homeless, são, paradoxalmente, as que maiores problemas tem com essa "chaga social". (É verdade que a maioria dos homeless aqui são pessoas com problemas mentais, e estariam melhor em uma instituição adequada - o fechamento dos hospícios pelos foucaltianos foi outro grave crime da esquerda).

3. O racismo dos brancos é o que mais prejudica a vida dos negros, índios e latinos. --> MITO.

O racismo, por definição, só existe em sociedades multiraciais. A Suécia, antes da chegada de imigrantes muçulmanos, provavelmente não conhecia o racismo. Existe sim um problema de desarmonia racial nos EUA, mas nem sempre se trata de ódio à cor da pele ou aos olhos puxados do vizinho. O "racismo" acabou virando, hoje, uma mera arma para atacar aqueles com quem se discorda politicamente. É contra Obama? Seu racista! Participa de protestos contra o governo? Seu racista! É contrário às "cotas raciais"? Seu racista! Fez uma piada inofensiva com um colega? Seu racista! (Será demitido! É, e você também.) Ora, nem tudo é culpa do "racismo". Por exemplo: segundo as estatísticas, lamentavelmente, negros e latinos cometem a maioria do crime nos EUA. Cometem crime porque sofrem racismo, ou sofrem racismo porque cometem crime? (*) É irrelevante. O fato é que nenhum branquelo se arrisca a andar por certas horas da noite em certos locais, por medo das gangues de negros ou mexicanos (que, aliás, se odeiam entre si). Menos problemático é andar pelos bairros asiáticos. É forçoso e triste reconhecer, mas grande parte dos problemas nas comunidades negras (e, em menor grau, latinas) tem origem nessas próprias comunidades, e nada tem a ver com o racismo dos brancos. Ou são os brancos os que os obrigam a participar de gangues e envolver-se com drogas e prostituição?

(*) Uma das teorias afirma que negros e latinos apresentam maior número de jovens entre 18-25 anos não-escolarizados, que são fatalmente os que mais cometem crime segundo as estatísticas (os brancos têm proporcionalmente idade mais elevada), e por isso sua criminalidade é maior: o fator não seria a raça ou a condição social, mas a juventude.

4. O islamismo é a maior ameaça atual ao Ocidente. --> MITO.

O problema não é o islamismo. A maioria dos países islâmicos são países pobres e fracassados. O únicos países islâmicos ricos são os que têm petróleo e, mesmo assim, sua extração é realizada por empresas internacionais. A maioria da tecnologia produzida por esses países não é própria, mas vem da Europa, América ou Ásia. Um Irã nuclear é uma ameaça, de fato, mas mais pelos seus poderes de chantagem do que por tornar-se uma superpotência a nível global. Então, o problema não é o islamismo em si, mas o fato de que o Ocidente, por motivos incompreensíveis, tenha aberto a sua porteira para milhões de imigrantes islâmicos, não reaja quando provocado, e se recuse mesmo a agir com presteza contra os agitadores e terroristas em seu meio. Pois, para a esquerda, o inimigo não é o jihadista, o inimigo é o fundamentalista cristão. Observe que, no governo Obama, meramente falar em "radicalismo islâmico" é proibido.

5. Obama é queniano e muçulmano. --> VERDADE?

Michelle Obama afirmou que o país natal ("home country") de Obama era o Quênia. Lapso freudiano? Mas a avó queniana de Obama falou o mesmo, assim como o embaixador do Quênia. Lá, o herói é celebrado como só um nativo poderia ser. O amor de Barack pelos muçulmanos também já foi diversas vezes documentado. "I stand with the muslims", disse ele em sua autobiografia. Isso sem falar que foi educado como muçulmano em uma madrassa na Indonésia, e, para os muçulmanos, uma vez muçulmano, sempre muçulmano.



Tudo está em como você vê.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O inimigo interno

Prestes a serem embarcados para a guerra do Afeganistão, 12 soldados americanos foram mortos por um terrorista muçulmano em pleno quartel, no que talvez seja o primeiro atentado islâmico em solo americano desde 11/09/01.

A mídia afirma que foi apenas um mero caso isolado de gun rage, que poderia ter sido realizado por um coreano, um mexicano ou até um americano da gema. O fato é que o atirador neste caso é um psiquiatra do exército americano chamado (tchan tchan tchan tchan) Malik Hasan. Muçulmano, sim. E fanático, aparentemente. (Ainda está vivo; certamente surgirão mais detalhes a respeito).

Quem é o amigo? Quem é o inimigo? É possível para um muçulmano ser fiel à bandeira americana e lutar contra seus colegas da ummah? Sim, creio que seja possível. A questão é, como diferenciar um muçulmano amigo de um muçulmano jihadista? Pela cor dos olhos?

A resposta, claramente, é que não é possível, não de modo simples ao menos. Muito mais fácil e prático seria impedir totalmente o ingresso de muçulmanos no exército. Mas, como um terrorista muçulmano não precisa estar no exército para causar danos, deduz-se que, por extensão, deveria barrar-se completamente a entrada de muçulmanos no país. Mas até que ponto um governo tem o direito de definir qual religião cada pessoa pode praticar?

Quem é o inimigo afinal? É o Afeganistão? É o "terrorismo"? É o Islã?

Deixemos de lado essas perguntas incômodas e passemos a uma outra história, que guarda com esta outra uma secreta relação: índios da Amazônia costumam praticar infanticídio. Um recente vídeo - realizado com atores indígenas - causou polêmica ao denunciar o fato. Fabio Marton, em interessante post, parece acreditar que os índios, dentro de suas reservas, se assim o quisessem, deveriam poder seguir sua própria cultura e, por extensão, suas próprias leis.

O argumento não deixa de ser interessante - mas, então, o mesmo deveria ocorrer com as demais culturas? Se - voltando a eles - os muçulmanos querem extirpar o clitóris de suas filhas em seus guetos na Inglaterra ou na França, que de mais a mais já são áreas onde branco não entra, quem pode importar-se com isso?

Na África, certos feiticeiros tradicionais têm o costume de extirpar o pênis ou os membros de crianças ainda vivas para utilizá-los em rituais de "cura". Devem os africanos seguidores de tal prática ter permissão para realizá-la, mesmo em países ocidentais?

Por aí começam a ver-se os dilemas do multiculturalismo e da idéia que "todas as culturas são iguais". Mas - já que a globalização veio para ficar e é mais fruto das mudanças tecnológicas do que uma conspiração totalmente consciente - como sair dessa cilada?