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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nota noturna

Há um pássaro que costuma começar a cantar às duas da madrugada, atrapalhando meu sono. Parece que ultimamente isto anda ocorrendo muito aqui em Los Angeles, assim como em outras grandes cidades. Pássaros diurnos que cantam à noite. Uma das explicações possíveis é que, durante o dia, o ruído do trânsito impede que suas "serenatas" sejam ouvidas. Por isso a mudança para a noite.

Pode ser.

Uma outra coisa que não dá para fazer nas grandes cidades é ver estrelas, muito menos meteoros. As luzes da cidade ofuscam o céu.

Eis abaixo o mapa da Terra em versão noturna. Nas regiões claras, luz e progresso. Nas regiões escuras, subdesenvolvimento, céus estrelados, e pássaros diurnos que só cantam de dia.


As megacidades modernas são, quem pode negar, maravilhas do engenho humano. Mas também têm seus problemas. Não há quem, após um engarrafamento monstruoso ou um dia pleno de trâmites burocráticos, não pense em abandonar tudo, como Gauguin, e dirigir-se para uma remota ilha do Pacífico.

São os selvagens mais felizes do que nós? Antes que alguém pense que estou virando um ludita ou um rousseauiano elogiador de bons selvagens, me corrijo. Viver na selva ou no campo, só se rodeado com todas as benesses da tecnologia moderna, como a raquete mata-mosquitos

(Outra curiosidade sobre cidades é que - ao menos nos EUA - nas megacidades, em geral a maioria dos eleitores vota Democrata; no campo, a população rural ou de pequenas cidades é essencialmente Republicana. Alguém tem alguma teoria a respeito?)

Os filmes de ficção científica quase sempre mostram um futuro cheio de megacidades, que às vezes cobrem todo o planeta. Mas e se o futuro fosse diverso? Uma das possibilidades das mais recentes tecnologias é justamente permitir a possibilidade de viver longe das cidades e seus problemas. Nos EUA ocorre cada vez mais uma migração dos ricos para os subúrbios; em alguns casos, para zonas quase que totalmente rurais. Se a economia piorar e a sociedade se desintegrar, comunidades rurais high-tech poderiam se tornar a nova moda, equivalentes modernos dos fortes medievais.

De qualquer modo, devido à superpopulação do planeta, salvo epidemia ou guerra atômica (Deus não queira), as megacidades continuarão entre nós.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

No pasarán


Em dramático desenlace, a famigerada lei 125 das “retenciones agrícolas” não passou no Senado argentino. Deu empate, e coube ao vice-presidente da Cristina Kirchner decidir. Ele votou contra o próprio governo. A lei não passou.

A proposta, basicamente, aumentava enormemente os impostos à exportação dos produtos agrícolas. Os agricultores, naturalmente, não gostaram e protestaram de forma inédita.

O conflito entre os agricultores e o governo já dura mais de 4 meses, durante os quais o país praticamente paralisou. O crescimento econômico este ano vai ser bem abaixo do esperado, a inflação aumentou e o Wall Street Journal faz graves críticas à condução do país. A popularidade da Cristina Kirchner caiu dos 56% aos 20%.

Mas como neste país hermano nunca se dá um passo para frente sem dar dois para trás, o governo peronista (rima com vigarista) decidiu reestatizar as Aerolineas Argentinas. Talvez devam mudar o nome para Kirchner Air.