Pode ser.
Uma outra coisa que não dá para fazer nas grandes cidades é ver estrelas, muito menos meteoros. As luzes da cidade ofuscam o céu.
Eis abaixo o mapa da Terra em versão noturna. Nas regiões claras, luz e progresso. Nas regiões escuras, subdesenvolvimento, céus estrelados, e pássaros diurnos que só cantam de dia.
As megacidades modernas são, quem pode negar, maravilhas do engenho humano. Mas também têm seus problemas. Não há quem, após um engarrafamento monstruoso ou um dia pleno de trâmites burocráticos, não pense em abandonar tudo, como Gauguin, e dirigir-se para uma remota ilha do Pacífico.
São os selvagens mais felizes do que nós? Antes que alguém pense que estou virando um ludita ou um rousseauiano elogiador de bons selvagens, me corrijo. Viver na selva ou no campo, só se rodeado com todas as benesses da tecnologia moderna, como a raquete mata-mosquitos.
(Outra curiosidade sobre cidades é que - ao menos nos EUA - nas megacidades, em geral a maioria dos eleitores vota Democrata; no campo, a população rural ou de pequenas cidades é essencialmente Republicana. Alguém tem alguma teoria a respeito?)
Os filmes de ficção científica quase sempre mostram um futuro cheio de megacidades, que às vezes cobrem todo o planeta. Mas e se o futuro fosse diverso? Uma das possibilidades das mais recentes tecnologias é justamente permitir a possibilidade de viver longe das cidades e seus problemas. Nos EUA ocorre cada vez mais uma migração dos ricos para os subúrbios; em alguns casos, para zonas quase que totalmente rurais. Se a economia piorar e a sociedade se desintegrar, comunidades rurais high-tech poderiam se tornar a nova moda, equivalentes modernos dos fortes medievais.De qualquer modo, devido à superpopulação do planeta, salvo epidemia ou guerra atômica (Deus não queira), as megacidades continuarão entre nós.

