segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A queda do muro

Imperdível a série na Dicta sobre os vinte anos da queda do Muro de Berlim.

Uma das perguntas que ficam é: como é possível que, mesmo depois de evidenciado fracasso comunista, estejamos assistindo hoje a um renascimento de políticas socialistas, seja na América Latina com o mais descarado chavismo e similares, seja na Europa e nos EUA com controle estatal cada vez maior?

Há duas respostas possíveis: uma, a de que é justamente o fim da existência do modelo negativo comunista a que permite a continuação do delírio utópico. Não havendo mais Guerra Fria nem União Soviética nem dissidentes, não há mais um modelo de referência negativo contra o qual contrastar a prosperidade ocidental. Existe apenas o "capitalismo", e tudo é culpa deste. Portanto, "precisamos de socialismo". E, se alguém criticar as políticas socialistas em base ao que ocorreu no passado, basta dizer: aquilo não era socialismo, era "stalinismo".

Mas o bom doutor Anthony Daniels/Theodore Dalrymple nos lembra que, na verdade, mesmo durante o mais abjeto comunismo soviético, era bem sabido o que ocorria na Rússia. Apesar das mentiras de Walter Duranty, a fome na Ucrânia causada pela coletivizacão forçada foi largamente documentada por outras fontes. O que havia não era ignorância: era vontade de acreditar em lorotas mesmo. A fé na utopia é mais forte do que a razão. De acordo com esta segunda explicação, portanto, nem mesmo a existência dos mais atrozes sistemas comunistas acabará com o pensamento mágico.

"Mr. Gorbachov, tear down this wall!", disse famosamente Reagan. Mas mais difícil é acabar com os muros mentais.

10 comentários:

DD disse...

Ouvi, outro dia, de um comunista à moda antiga, partisan mesmo:

- A ditadura do proletariado não é uma tirania. É uma ditadura no sentido romano.

E eu:

- É porque você nunca leu os historiadores romanos. Para eles, não havia tanta diferença entre as duas coisas.

E ele não voltou ao assunto.

Marcus Carvalho disse...

Fiquei sabendo pelo blog do Cláudio Avólio que 64% dos brasileitos gostariam que o governo tivesse mais presença na economia, o que só pode representar algum tipo de demência coletiva.

Os selvagens reclaman de como os políticos são corruptos e incompetentes mas querem que eles tenham mais poder sobre a economia.
O brasileiro adora celulares super ultra modernos, gosta de ter computadores e internet rápida mas não quer o sistema que cria tudo isso.
Tem brasileiro (meu sogro, por exemplo) que ainda diz que a FHC deu a Telebrás de graça. Ele aparentemente estava mais satisfeito quando a Telebrás era "nossa" e ele não tinha telefone, do que agora, que ele tem telefone.

Será que a Sindrome de Estocolmo de encaixa nesses casos?

Mr X disse...

Eu acho que é mais fruto de anos de lavagem cerebral contra o malvado "neoliberalismo". Pois o fato é que o pouco que tivemos de "neoliberalismo" ajudou à população mais do que qualquer outra política.

Mas veja que aqui no Brasil até o PFL virou DEM e rejeita o "neoliberalismo", praticamente só tem partido com "Social" ou "Socialismo" no nome.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_partidos_pol%C3%ADticos_no_Brasil

c* disse...

bonita analise...

eu tava la quand o muro caiu, I mean no dia seguinte...e foi o maior frisson!!
digam o que disserem, um frisson do caralh*

DD disse...

Eu era muito pivete. Acho que lamentei pela ausência de duas Alemanhas na Copa do Mundo.

Didi Iashin disse...

"64% dos brasileiros" ...

Depois, vem a explicação da metodologia de pesquisa:
- foram consultados treze estudantes cabeludos, fedorentos e maltrapilhos da PUC-SP, treze estudantes cabeludos, fedorentos e maltrapilhos da USP, treze barbudinhos, roupas da Richards e rabo de cavalo (pero calvos)da Vila Madalena, treze mafaldinhas de suvaco cabeludo da PUC-SP, treze hippies-de-butique da USP, treze feministas de croc laranja e meias Hello-Kitty da Vila Madalena.
Isso é representativo da população brasileira? No-I-Don't-think-so!

Chesterton disse...

o mais ilustrativo foi uma reportagem que li não sei onde, sobre o descontentamento de alguns alemães orientais sobre a vida que levam hoje em dia.
Bem , eles reclamavam que antes tinham mais importância, ou ocupavam cargos mais importantes.
Mostra claramente que um gerente de empresa comunista vira no máximo almoxarife de uma empresa capitalista. A suposta educação que ganharam foi uma verdadeira porcaria. Imagine se Cuba vira economia de mercado. A única coisa que os dirigentes comunistas poderiam fazer seria vender picolé na praia.

Gunnar disse...

De fato, Chest, alguns dias depois de cair o muro, passado o deslumbramento inicial, muitos ex-orientais passaram a usar camisetas "Ich will meine Mauer zurück (eu quero meu muro de volta)".

Enfim, hoje, Berlim é a cidade mais legal do mundo.

E para o Dr X, uma homenagem: http://www.youtube.com/watch?v=ILjCZ9VHvfg

Pax disse...

O que aconteceu com o blog do KCT?

Mr X disse...

Nem idéia. Mas ele disse que voltava em breve.