Então. Os terroristas de Boston eram chechenos. Um morto, um capturado. Muçulmanos, é claro. Mas não é de todo certo que a religião tenha sido o principal motivo. Na verdade, embora importante, eu acho que foi apenas um motivo acessório, uma justificativa para um ato que teve mais a ver com outras questões.
O irmão maior parecia ser o mais fanático religioso, e o mais envolvido com grupos terroristas. No entanto, era casado com uma americana branca e tinha uma filha pequena. Já o jovem de 19 anos, que está agora em custódia policial, dizia que não tinha amigos americanos, que não os entendia. Parecia ser mais isolado. A família deles tinha retornado ao Daguestão (embora chechenos de nascença, cresceram na região vizinha).
Bem, é bastante claro que eram jovens que mesmo morando há vários anos no país, um deles até tendo ganho uma bolsa de estudos de uma importante universidade americana, não se adequaram de todo à vida na América. Ou, pensando bem, adequaram-se extremamente bem.
Afinal, o que é a vida na América, hoje em dia? A América é o multiculturalismo, é uma cultura superficial, é um país para onde a maioria das pessoas vai apenas para ganhar dinheiro, e não por interesse em, digamos, sua culinária, suas tradições ou o exemplo de Thomas Jefferson.
É verdade também que a vida de um imigrante nem sempre é fácil. Eu sei disso. Os imigrantes nem sempre são bem tratados. Muitos, na verdade, são explorados: a elite empresarial beneficia-se deles pois pode contratá-los a preço mais baixo que os locais. Aliás, grande parte da razão para a imigração na América e em outros países é por conduzir a uma redução de salários (lei da oferta e demanda), o que beneficia os empregadores. Se eles forem ilegais ou tiverem vistos temporários, melhor ainda. Podem receber ainda menos dinheiro, e serem expulsos quando não servirem mais!
Mas, de um modo mais amplo, muitos imigrantes sentem-se isolados culturalmente. A América pode ser um país cruel. O Robert Lindsay, que é um maluco idiota de esquerda e acha que o governo americano é "de direita", no entanto escreveu uma descrição interessante (ainda que totalmente negativa) da cultura materialista do país, em especial no que se refere às
relações entre os sexos e nas expectativas materialistas das mulheres, o que leva muitos homens à loucura.
Isso ajuda a explicar os vários atiradores loucos que de vez em quando aparecem no país. A maioria deles, jovens sem namorada ou com problemas de relacionamento.
O assassino coreano de Georgia Tech também sentia-se confuso. Era louco, é verdade, mas o sentimento de isolamento pode ser um poderoso elemento que conduz a surtos psicóticos. Se tivesse permanecido na Coréia com sua família, isso não teria acontecido.
A mesma coisa pode ter acontecido com os jovens terroristas de Boston. O isolamento ou algum outro motivo levou-os a uma aproximação com o terrorismo islâmico, que é um poderoso catalisador da raiva. O Hans Magnus Erszenberger uma vez escreveu um bom artigo sobre isso, "
O perdedor radical". Cada vez mais estamos entrando numa era em que os motivos importam menos, e importa mais a possibilidade que cada indivíduo tem de ser, individualmente, um terrorista. Sua vida justifica-se com a aparição na televisão e o sentimento de poder. Dois jovens de 19 e 26 anos, munidos apenas de armas e algumas panelas de pressão, pararam um país inteiro.
Algum dos leitores conhece a Chechênia? Eu vi um filme sobre a Chechênia uma vez, o ótimo "12", do Mikhalkov. Os chechenos são famosos por terem uma cultura machista, retrógrada e violenta. Muitos dedicam-se ao contrabando e ao crime. Brigas de facas na rua são normais. A tradição antes do casamento é seqüestrar a noiva, às vezes de forma violenta. Depois do casamento, a tradição é sair de carro dando tiros de Kalashnikov. Parece um país divertido.
Os americanos agora estão debatendo se vale a pena importar mais chechenos para a América: existem
apenas 200 no país. É muito pouco! Os EUA precisam de bem mais. A diversidade é a força de uma nação.
Crianças chechenas brincando.