
Muitos se preocupam com a extinção das espécies, mas há ao menos um animal que nem o mais radical dos ecologistas se importaria se estivesse hoje mesmo em extinção: estou falando, é claro, da barata.
Odeio barata.
Não me importo muito com moscas e mosquitos, até que gosto de aranhas, minhocas são simpáticas, e sapos e morcegos são até legais. Ratos, escorpiões e cobras não são lá muito divertidos, mas não me metem medo.
Mas odeio barata. Todo mundo odeia barata. Até Kafka tinha nojo de baratas, já que o inseto da "Metamorfose" não era uma barata, mas um tipo de besouro.
Aparentemente nem as baratas se suportam entre si, já que a maioria das espécies segue um comportamento solitário.
Por que as baratas causam tanto asco e rejeição nos seres humanos? Será que são aquelas patinhas "peludas"? Será a sua corrida rápida e rasteira, de direção sempre imprevisível? Será a sua cor nojenta? Serão aquelas antenas compridas em perpétuo movimento? Será o barulhinho que fazem quando vivas? Ou será o barulho que fazem quando esmagadas?
Será o fato de que muitas vezes permanecem vivas mesmo após pisada, borrifadas com DDT, envenenadas com cianureto e esquartejadas por uma vassoura? As baratas estão entre os animais de maior resistência: podem ficar até um mês sem comida e 45 minutos sem respirar; são ainda altamente resistentes à radiação nuclear.
Ou será que é o fato de que algumas espécies voam (os machos, as fêmeas não têm asas) e transmitem dezenas de doenças e alergias?
Ou será que é o seu número assombroso e distribuição mundial? Segundo um recente estudo, só na Grande São Paulo existem 3.5 bilhões de baratas.
Será que é o fato de que existem mais de 4 mil espécies de baratas conhecidas, incluindo uma barata no Peru que chega a 7 cm de comprimento? As piores baratas, consideradas como praga, são a Barata alemã (Blatella germanica) e a barata oriental (Blatta orientalis). Apesar do nome, ambas são originárias da África.
Não sei a razão. Sei que odeio baratas, e espero que esse bicho desgraçado entre logo em processo de extinção.