Pipocam explicações sobre a pobreza do Haiti. Alguns acreditam que seja culpa do capitalismo, outros que seria herança do colonialismo. Outros acham apenas que os EUA teriam "medo" da democracia no Haiti, por isso os mantém na miséria.
A maioria das pessoas não entende porque existe a pobreza. Mas a pobreza é nosso estado natural. O estranho mesmo é porque existe a riqueza.
Assim como é difícil para os indivíduos enriquecer, e livros como "Fique rico fácil em meia hora" são sempre best-sellers, o mesmo ocorre para as nações. Construir uma sociedade funcional, quanto mais rica, pode levar séculos de aprendizado, e nem mesmo assim é algo garantido. Observem que mesmo países hoje considerados ricos, como a Itália ou a Irlanda, padeceram fome e pobreza por longos períodos.
Os infelizes haitianos não tem culpa pela tragédia do terremoto, mas têm alguma culpa pelo fracasso econômico e social do Haiti. Quem não acredita, que assista a este documentário sobre as gangues haitianas. Pessoas que, em vez de estudar ou trabalhar - ou mesmo melhorar a condição das favelas putrefatas em que vivem - dedicam-se ao crime. Os que não se dedicam ao crime, apenas esperam (inutilmente) ajuda do governo, em vez de realizar alguma coisa por si mesmos.
Observem que no Haiti eles nem ao menos tem um sistema de coleta de lixo: o lixo é simplesmente jogado no esgoto mais próximo. Descaso ou ignorância?
(É também verdade que a taxa de analfabetismo é de 80%. Quem vai aprender o quê com quem? E o Haiti é tão pobre que quase não tem mendigos - afinal, vão pedir esmola a quem?)
Além disso, outro claro problema é que, como ocorre em Gaza, o país superpovoado não tem qualquer possibilidade de atividade econômica que possa sustentar toda essa gente. A única possibilidade seria o turismo, mas, sem segurança, quem se anima a ir ao Haiti? Acho que os últimos que foram lá a passeio foram os Clinton em sua lua-de-mel.
É verdade que o Haiti quase só viveu sob ditaduras, e isso não ajudou muito. Entre os dois Duvalier e Aristide, pouco ficou para celebrar. Não acho que colocar o Lula para supervisionar a reconstrução (sugestão da Economist) ajude, tampouco.
Também é possível que o Haiti, ao expulsar e matar os colonizadores brancos, tenha regredido ao tribalismo africano, que jamais primou pela criação de riquezas. Curiosamente, mesmo com quase 0% de brancos, nem mesmo assim livrou-se do racismo: há um conflito no país entre negros e mulatos. (E entre os praticantes do catolicismo e do vodu.)
Qual a solução? Leio num texto do Theodore Dalrymple que existem 100.000 ONGs no Haiti. Uma para cada 800 habitantes. Todas com a função de "erradicar a pobreza". E isso era antes do terremoto.
Ora, isso mostra que a maioria das tais ONGs nada mais são do que poços sem fundo, entidades ideológicas que vivem de explorar o problema da pobreza, não de solucioná-lo. Afinal, se a pobreza acabasse, também acabaria o ganha-pão dessas entidades.
(Não que todas sejam completamente inúteis; há algumas almas de bem que realmente trabalham ajudando os necessitados. Mas são sempre gotas em um oceano. E depois, há um outro paradoxo: quanto mais você ajuda e alimenta, mais filhos as pessoas têm, e mais aumenta a superpopulação, renovando a pobreza.)
É claro que os haitianos não tem culpa alguma por mais esta tragédia, e é realmente triste que isso tenha acontecido. Também é triste que tenha sido necessário um terremoto para chamar a atenção sobre essa pobre gente. Confesso que, às vezes, não há como não ficar deprimido com a coisa toda.
O pior é que não parece haver solução, ao menos não a curto prazo. A única solução rápida e simples que vejo para a pobreza do Haiti seria - perdoem o cinismo - simplesmente substituir seu povo pelo educado povo suíço, americano ou japonês.
(A propósito, a solução para o Brasil seria idêntica - mas onde encontramos duzentos milhões de suíços?)
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Rezem pelo Haiti, chorem pelo Haiti
Por pior que esteja o Brasil, ainda não se encontra na calamitosa situação do Haiti.
Por que as desgraças ocorrem aos mais miseráveis?
Bem, nem tudo é coincidência. O Haiti não é apenas o país mais pobre do hemisfério ocidental, como também o com maior densidade populacional. São dez milhões de pessoas em metade de uma ilha. Sem falar que a construção civil haitiana não é sinônimo de qualidade. Isso explica um pouco a magnitude do desastre.
Terremotos de magnitude similar ocorreram no Japão com número muito reduzido de mortes, e sem o caos que se vê hoje no Haiti.
Porém, a polêmica da semana por aqui foi mesmo a afirmação do pastor Pat Robertson de que as desgraças do Haiti ao longo de duzentos anos seriam resultado de um pacto com o Demônio. (Já o cônsul do Haiti em São Paulo falou que a culpa seria da macumba africana mesmo.)
Na verdade, o que ocorreu no Haiti não foi um pacto com o Diabo, nem macumba, mas sim um cerimônia vodu. Da famigerada Wikipedia:
Do outro lado, há quem diga que a culpa pelo terremoto é do capitalismo (modalidade econômica que me parece quase desconhecida nesse país, já que seu PIB anual total é menor do que a verba à disposição para falcatruas só no Senado Brasileiro). Ou então do aquecimento global: para o ator Danny Glover, a Mãe Terra ficou brava com o fracasso das negociações em Copenhague, e por isso decidiu destruir um dos países mais pobres do planeta (Bizarra escolha.). Já um blogueiro de esquerda cujo link não consigo agora encontrar afirmou que o terremoto não foi um desastre natural, mas foi "artificialmente gerado pelos países ricos para sacanear o Haiti e roubar suas riquezas naturais." (Quais riquezas? Os habitantes depenaram até a floresta por lá, só restou 2%).
Bem. Não é momento de falar em política ou religião, mas sim de tentar ajudar essas pobres pessoas que lá estão. Rezemos pelo Haiti, oremos pelo Haiti. Quem puder, que envie ajuda.
Lamentavelmente, a maior tragédia do Haiti não é que o terremoto tenha destruído a infraestrutura do país, mas sim que não havia infraestrutura alguma para começar. O país é pouco mais do que uma favela gigante.
Por que as desgraças ocorrem aos mais miseráveis?
Bem, nem tudo é coincidência. O Haiti não é apenas o país mais pobre do hemisfério ocidental, como também o com maior densidade populacional. São dez milhões de pessoas em metade de uma ilha. Sem falar que a construção civil haitiana não é sinônimo de qualidade. Isso explica um pouco a magnitude do desastre.
Terremotos de magnitude similar ocorreram no Japão com número muito reduzido de mortes, e sem o caos que se vê hoje no Haiti.
Porém, a polêmica da semana por aqui foi mesmo a afirmação do pastor Pat Robertson de que as desgraças do Haiti ao longo de duzentos anos seriam resultado de um pacto com o Demônio. (Já o cônsul do Haiti em São Paulo falou que a culpa seria da macumba africana mesmo.)
Na verdade, o que ocorreu no Haiti não foi um pacto com o Diabo, nem macumba, mas sim um cerimônia vodu. Da famigerada Wikipedia:
A man named Boukman, another houngan, organized on August 14, 1791, a meeting with the slaves in the mountains of the North. This meeting took the form of a Voodoo ceremony in the Bois Caiman in the northern mountains of the island. It was raining and the sky was raging with clouds; the slaves then started confessing their resentment of their condition. A woman started dancing languorously in the crowd, taken by the spirits of the loas. With a knife in her hand, she cut the throat of a pig and distributed the blood to all the participants of the meeting who swore to kill all the whites on the island. On August 22, 1791, the blacks of the North entered into a rebellion, killing all the whites they met and setting the plantations of the colony on fire.
Do outro lado, há quem diga que a culpa pelo terremoto é do capitalismo (modalidade econômica que me parece quase desconhecida nesse país, já que seu PIB anual total é menor do que a verba à disposição para falcatruas só no Senado Brasileiro). Ou então do aquecimento global: para o ator Danny Glover, a Mãe Terra ficou brava com o fracasso das negociações em Copenhague, e por isso decidiu destruir um dos países mais pobres do planeta (Bizarra escolha.). Já um blogueiro de esquerda cujo link não consigo agora encontrar afirmou que o terremoto não foi um desastre natural, mas foi "artificialmente gerado pelos países ricos para sacanear o Haiti e roubar suas riquezas naturais." (Quais riquezas? Os habitantes depenaram até a floresta por lá, só restou 2%).
Bem. Não é momento de falar em política ou religião, mas sim de tentar ajudar essas pobres pessoas que lá estão. Rezemos pelo Haiti, oremos pelo Haiti. Quem puder, que envie ajuda.
Lamentavelmente, a maior tragédia do Haiti não é que o terremoto tenha destruído a infraestrutura do país, mas sim que não havia infraestrutura alguma para começar. O país é pouco mais do que uma favela gigante.
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