Nem me preocupa aqui a questão do estímulo à divisão racial, ou mesmo à questão da expropriação de terras perfeitamente legítimas em nome de origens quilombescas bastante duvidosas.
Mas parecem-me que são um pouco inúteis, porque não ajudam nem mesmo aos negros.
Observem: nos tais neo-quilombos, nenhum indivíduo tem a posse da terra: são comunidades forçadamente coletivas. A terra não pode ser negociada. O sujeito que quiser não pode nem vender seu terreninho. Ou fica, ou perde tudo. É claro que para alguns é uma vantagem, como diz este texto do Movimento de Mestiços-Pardos Brasileiros (é, existe isso) que luta contra a instalação de um quilombo em antigo parque natural na Amazônia:
A esperança em melhorar de vida, ter casas boas, energia e telefone estimularam a comunidade a se reconhecer como quilombola diante do governo. Mas, na região, volta e meia há quem se declare ‘carambola’ ou ‘calhambola’, por não estar familiarizado com o termo quilombola. Conforme informações do ICMBio, das 15 famílias da vila, pelo menos 10 estão envolvidas com tráfico de animais silvestres, e muitas já foram multadas.
