quinta-feira, 10 de julho de 2014

7 x 1: Anatomia de um massacre

Muito está sendo dito e escrito sobre a vexatória surra que o Brasil recebeu da Alemanha. Ver aquela sucessão de gols, um atrás do outro, em plena Copa do Brasil, deu pena. Quase parecia estar assistindo um estupro ao vivo, ou uma criança sendo espancada por um adulto. Nunca antes na história deste país viu-se um time tão perdido em campo quanto o Brasil naquele primeiro tempo.

Alguns artigos falam da lógica e frieza germânica versus o excessivo emocionalismo do brasileiro. Clichês, decerto, e talvez haja um pouco de exagero, mas também algo de razão. Os jogadores brasileiros em geral pecam por se deixar levar demais pelas emoções. A Alemanha quando jogou contra Gana, chegou a estar perdendo em um momento: 2 x 1. E foram, também, gols feitos em relativamente rápida sucessão: empataram com a Alemanha apenas três minutos do primeiro gol alemão, e depois fizeram mais um, virando o jogo, oito minutos depois. Um time brasileiro se desesperaria: "Meu Deus, estamos perdendo para Gana!" Mas os alemães continuaram fazendo o que fazem calmamente, e pouco depois empataram.

O problema do Brasil nesta Copa, a meu ver, foi que investiram de mais em estádios e de menos em criar um time. Aparência versus essência. O importante era dar uma boa impressão para os gringos, mas ter um time com chances de ser campeão, deixa disso. O poder mágico da torcida brasileira se encarregaria dessa parte. Fred? Hulk? Jamais tinha ouvido falar dessas criaturas. É verdade que não acompanho muito o futebol brasileiro ultimamente, mas parece que não perdi muito.

Faltou organização ao Brasil, não para sediar o evento, mas para jogar futebol. É como se tivessem cuidado todos os detalhes possíveis para impressionar os gringos, e esquecessem do principal. É como gastar milhares comprando um um cálice de ouro, e depois enchê-lo com o mais vagabundo vinho sangue-de-boi. 

Deixemos de lendas. Há tempos que o Brasil não é mais o "país do futebol". O melhor time brasileiro, o apogeu do tal "futebol arte", talvez tenha sido o de 1982, aquele time que não ganhou a Copa, quem sabe se também por motivos emocionais. Mas era inegavelmente um bom time. O de 2014 não era.

O Brasil vive só do nome. Não tem, há tempos, uma seleção verdadeira. Tem um que outro talento individual, mas não tem um plano, não tem um jogo coletivo, não tem nada a não ser o pensamento mágico de que "somos os melhores do mundo". Não somos, não. Não mais.

Lemos agora que a Alemanha preparou-se por 14 anos para esta Copa, desenvolvendo as suas categorias de base.

Nesse sentido, é claro, seleções como Espanha e Alemanha tem a vantagem de que seus jogadores jogam em times locais, e muitas vezes até no mesmo time. A seleção da Espanha que ganhou em 2010 era basicamente o time do Barça. O time alemão atual é pouco mais do que o Bayern de Munique.

Talvez o melhor plano para o Brasil tivesse sido, em vez de gastar bilhões em estádios, ter usado esse dinheiro para retirar os melhores jogadores brasileiros dos times europeus por, sei lá, um ano de licença, de forma a que tivessem dedicação exclusiva para a seleção. E colocá-los para jogar e treinar como nunca. Impossível, eu sei.

Isso tudo, é claro, não explica o 7 x 1. Nada explica. Nem a Zâmbia perderia de 7 x 1. Acho que foi, acima de tudo, pânico. Certamente a perda de Neymar na partida anterior, bem como a ausência de Thiago Silva, foram sentidas bem fundo por um time inexperiente e, a bem da verdade, medíocre. Acho que aí faltou ter um jogador mais veterano em Copas para ser líder e acalmar os ânimos. Os alemães não hesitaram em colocar o Klose, que até superou o recorde de gols do Ronaldo.

Enfim, não foi bonito, e não sei se há muitas lições para se tirar disso tudo, a não ser aceitar com humildade que, no futebol como na construção de uma sociedade, raramente há milagres.



23 comentários:

AF disse...

Eu já esperava que o Brasil fosse perder, mas pô veio, 7 a 1??? Pensava que o Brasil pelo menos perdesse com honra, tipo 1 a 0, 2 a 1 ou nos pênaltis.

A Alemanha mal fez um gol e depois já fez outro. Quando vi isso, desliguei a televisão e fui jogar Age of Mythology (Titans) e depois Candy Crush, pois já não estava torcendo muito mesmo para um país que cobra altos impostos, tem peninha de bandidos, centraliza as coisas dada vez mais e adota cada vez mais medidas anti-cristãs.

Foi até engraçado o que houve, mas fiquei com dó depois ao ver as crianças chorando no estádio. Que sirva de lição para os brasileiros olharem mais criticamente o time, o país e vejam como bom treinamento, dedicação, persistência e união podem fazer a diferença.

Por um lado, isso pode afetar um pouco a imagem da Dilma e do PT, que apesar de tudo, poderão se reeleger.

Tem uma outra coisa também:

A Alemanha é um país que tem cada vez mais adotado medidas multiculturalistas e de extrema-esquerda. Se continuar do jeito que está, pode ser que daqui a uns 40 ou 50 anos, parte da sua seleção não seja composta por alemães nativos e sim por pessoas com o nome de ‘Mohamed’. Como futebol não é o ponto forte dos aiatolás, pode ser que as seleções europeias também entrem em um declínio muito grande, talvez até pior do que a seleção brasileira, pois pelo menos aqui, não temos adotado (muito) medidas multiculturalistas.

Nesses dias, quem sabe o Brasil poderá ganhar algumas taças? Se bem que até lá, talvez outros países que a gente nem imagina poderão ganhar também e estarem bem fortes, como os Estados Unidos, a Costa Rica ou até mesmo os países asiáticos.

DIREITA disse...

A alemanha tem um seleção boa ,e pronto.sem esta de preparação desde as catergorias de base que isto o brasil e outras seleções a tempos tambem tem. sempre foram bons com os resultados ,tanto que ninguem mais do que eles chegaram em finais de copa do mundo e eurocopa!
O Time alemão aproveita bem o seu porte fisico se espalhando o maximo pelo campo.todo lugar que tu olha tem um alemão de 1,90 lutando pela bola. a lentidão do time é compensada pelos toques rapidos/de primeira ,que alem de criar boas jogadas ,não desgata muito os jogadores e evita contusões !

Santoculto disse...

Hoohoo

huhuhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha


Obs.:hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha


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El Misionero Matsuura Junichiro a.k.a. Marcos Freybert disse...

Nos jogos do Brasil, eu aproveitei para por o meu sono em dia. Ou seja, fui dormir. Não perdi o meu tempo com essa merda.
#FODASEACOPA
#FORADILMA
#FORALULA
#FORAPT
#FORADESAFORODESÃOPAULO

El Misionero Matsuura Junichiro a.k.a. Marcos Freybert disse...

Catorze anos treinando. Para chegar a esse nível, precisaremos treinar, no mínimo uns 42 anos.

Santoculto disse...

Seleção tá igual Rubinho Pé-de-chinelo.

Já ganhou muito dinheiro fazendo nada em seu esporte e ainda tem a coincidência de terem sido humilhados por alemães.

''Juntemos'' à França e sua história de perdedora e humilhada por alemães, que nunca ganhou nada em guerras, mas enriqueceu por causa do colonialismo bem com pela rapina da elite contra os seus cidadãos, antes das grandes navegações.


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TERMINATOR disse...

Gente, até o espertão Ronaldo Fenômeno lembrou (ou lembraram para ele) que o Brasil também perde feio para a Alemanha em um campo muito mais importante, o Prêmio Nobel: 102 X 0. Então o Brasil já perdia para a Alemanha no IDH, renda per capta, educação, segurança, saúde, NOBEL, etc, etc, etc, e ponha etc nisto e agora o futebol, única alegria do trouxa do brasileiro, também entrou na lista. E lá vem as Olimpíadas!!! E lá vem mais conta para a gente pagar.

AF disse...

Parabéns a Alemanha por ter ganho a Copa!!!

Foi muito bem, teve muita união e dedicação!! Que seu time inspire outros também, inclusive o Brasil.

Parabéns até mesmo a Argentina, que, apesar de não ter ganho, pelo menos deu trabalho a Alemanha, chegou a prorrogação e perdeu com um gol apenas.

Quanto ao Brasil ter perdido até mesmo na disputa pelo terceiro lugar, sem comentários...

Lira disse...


Seleção da Alemanha?

Olha, se não fosse os sobrenomes, todas essas seleções multiculturais, não daria para identificar qual país elas representam. Uma coisa é o Brasil, país formado por todas essas etnias, outra é essa de "naturalizações" onde a ideia de uma Seleção esbarra na incapacidade de cantarem o hino nacional.

Seleções praticamente homogêneas etnicamente e nacionais, caíram na primeira fase: Rússia, Espanha, Itália,Japão, ou nem classificaram para a copa.

Futebol é a maior vitrine para o multiculturalismo. Pois aí tudo dá certo(com as equipes tradicionais sendo reforçadas por naturalizados). Exceto para os países de origem dos imigrantes, que por um milagre(como a Argélia), classificam para as oitavas.

Mr X disse...

"Futebol é a maior vitrine para o multiculturalismo. Pois aí tudo dá certo"

Sim, também acho. O Steve Sailer tem agora uma teoria tosca que a Alemanha ganhou por ser menos diversa, e que o bom futebol é "branco", mas é bobagem, até eles tinham vários turcos e polacos no time, os países europeus tem a melhor formação, treino e mais competitividade, apenas isso.

O futebol é uma das poucas coisas em que o multiculturalismo dá mesmo certo, por isso é usado como vitrine. Não vejo como um problema em si, fora o fato de fazer as pessoas pensarem que se dá certo no futebol pode dar certo em tudo, o que não é bem assim, o time de futebol não é microcosmo da sociedade mas um conjunto específico bem diferente da média.

direta disse...

Foi mais ou menos assim:


https://www.facebook.com/photo.php?v=10152341511014024&set=vb.718874023&type=2&theater

AF disse...

Também concordo com você, Mr. X, pois as seleções europeias costumam ter uma certa dificuldade com algumas seleções Africanas, tanto que nesta Copa, a Alemanha empatou com Gana e já aconteceu de seleções europeias poderosas serem eliminadas por seleções africanas.

Já o Brasil não tem tanta dificuldade assim (ou não tinha, do jeito que nosso futebol piorou) com as seleções africanas, mas tem com as europeias.

Quanto ao futebol e multiculturalismo, aí no caso é o multiculturalismo do bem (já discutido aqui uma vez): aqueles casos em que há bons imigrantes, que se integram, colaboram e honram o seu país, pois o dia que a Alemanha e o resto da Europa serem compostas em sua maioria por muçulmanos devido ao mau multiculturalismo, duvido que eles vão brilhar no futebol igual brilharam nessa Copa.

Há um futebolista negro na seleção alemã (Boateng) de origem ganesa que é um bom exemplo de boa integração, pois ajudou o seu país a vencer na Copa, nas outras partidas e sem contar que fez algo sensacional no final que foi não cumprimentar a Dilma (embora tenha alguns discordando).

Quero ver a Dilma (que fez a maior cara de cu no final da Copa) falar agora em “zelite branca”.

DIREITA disse...

Seleção da Alemanha?

Sim,seleção Alemã.o grosso do time é alemão .
Dos 6 não alemães do time 2 são brancos ,e todos os 3 não- brancos/alemães titulares eram substituiveis ,mas só continuaram no time para promover a agenda multirracial.



Seleções praticamente homogêneas etnicamente e nacionais, caíram na primeira fase: Rússia, Espanha, Itália,Japão, ou nem classificaram para a copa.

Dentre as Européias ,a alemã é ,ao lado da Bósnia ,a seleção mais étnica e racialmente homogênea .As seleções Espanhola e Russa estão,na realidade , entre as menos homogêneas da Europa!


Futebol é a maior vitrine para o multiculturalismo. Pois aí tudo dá certo(com as equipes tradicionais sendo reforçadas por naturalizados). Exceto para os países de origem dos imigrantes, que por um milagre(como a Argélia), classificam para as oitavas.

De fato eu a muito tempo também percebo isso. "sempre" vi esta descaracterização das ligas e seleções Européias como uma coisa além doque algo relacionado apenas a competitividade.É pura e simplesmente engenharia social Disfarçada de futebol. Afinal,não há melhor maneira de fazer um povo ser tolerante com sua popria substituição doque faze-lo idolatrar seus próprios substitutos.

DIREITA disse...

"Sim, também acho. O Steve Sailer tem agora uma teoria tosca que a Alemanha ganhou por ser menos diversa, e que o bom futebol é "branco", mas é bobagem, até eles tinham vários turcos e polacos no time, os países europeus tem a melhor formação, treino e mais competitividade, apenas isso. "

Apenas 1 polaco e 1 turco ,além de 1 tunisiano ,1 albanês e um tal de julian draxler - que eu não sei bem oque é( Alemão não é,isto é certo!).

Onço pintado disse...

Foi castigo do destino, por terem deixado de fora a Arena porto-alegrense (o Grêmio foi fundado por alemães), pois as únicas Arenas que se comparam com Arena porto-alegrense, é a arena fonte nova e a arena pernambuco, o restante não é visto nem no retrovisor.

André Costa disse...

Ao contrário, o multiculturalismo raramente dá certo no futebol! A França teve um único bom momento quando venceu a Copa 98 em casa, mas depois foram só brigas internas e fiascos. A Alemanha atual campeã tem todos os seus jogadores nascidos e criados no país, embora alguns sejam filhos de turcos (2), meio-poloneses (2) e meio-ganês (1). Todos os vencedores de Copa até hoje tiveram times essencialmente homogêneos culturalmente. Note-se por exemplo a decadência da Inglaterra e da Suécia após o boom multicultural. A Espanha foi mal nesta Copa pelo ocaso de uma geração, não pela sua homogeneidade. A Itália se mantém fiel ao seu estilo e está acostumada a vencer (2006) e perder (2010) sem brilho. Rússia e Japão nunca foram competitivos em toda a sua história, nem quando eram multiculturais (URSS). O Brasil é um caldeirão étnico mas o meio do futebol sempre foi formado pela média da população. E, finalmente, argentinos são essencialmente o mesmo povo há 120 anos (com origem espanhola, italiana, e uma minoria eslava e indígena).

bliat disse...

URSS já chegou muito mais longe do que a federação russa desse ano( onde só jogaram jogadores russos). O Japão algumas vezes chegava à segunda fase.

Quis dizer que os clubes mais ricos e uma certa elite futebolísticas possuem um recurso internacional de jogadores e o poder de naturalizar e tornar nacionais cidadãos estrangeiros, o que serve de combustível para Seleções e especialmente CLUBES. Veja os campeonatos ucranianos e russos, com clubes nos quais jogam 6 brasileiros no mesmo time e veja a distância em relação aos demais.
O mesmo digo de clubes ainda maiores.

E quanto à Argentina também tem esse efeito, mesmo tendo um mínimo de coesão, uma vez que os jogadores vieram, evoluídos, depois de muito jogarem na Europa. É a única chance das seleções da periferia do mundo: ter muitos jogadores jogando na Europa.

Incrivelmente, o Athletic de Bilbao nunca cai, mesmo na Espanha, e mesmo só aceitando bascos, mas mão ganham porcaria nenhuma.

|3run0 disse...

Me pediram para escrever sobre o jogo contra a Alemanha em um blog britanico. Eis o que saiu:

hurryupharry.org/2014/07/13/sete-a-um-sete-a-um/

Anônimo disse...

Na frança ,judeus proibem critica a Israel e apoio a Palestina com pena de prisão de 7 anos e multa de 150 mil para auqueles que insistirem em exercer a sua liberdade de expressão!

http://www.nationell.nu/2014/07/19/sju-ars-fangelse-om-du-demonstrar-mot-israel/


Assim como na revolução bolshevick- judeus do estrangeiro pegam em armas pra apoiar o regime judaico instalado na ucrania!
http://maidantranslations.com/2014/07/13/jewish-ukrainian-volunteer-battalion-matilan/

Mr X disse...

DIREITA sempre com seus reducionismos...

Não publiquei!! Censurei mesmo. Afinal, Messi não é "indígena", seu pai é claramente de origem 100% italiano, sua mãe talvez tenha alguma ascendência indígena misturada com italiano e espanhol (o sonbrenome é italiano). Li em algum lugar que ele também teria ascendência libanesa e inglesa.

http://www.lionelmessi10.net/2012/08/lionel-messis-ex-and-current-girlfriend.html

E mesmo que fosse "indígena" (como Maradona), isso não impede de ser excelente futebolista!!!

Mr X disse...

Bruno,
bacana seu post. Será que posso republicar? Ou você tem interesse em publicar outros textos em inglês? Qual seu email? Estou tentando organizar um site com textos em inglês de vários autores. Mas é um projeto diferente do do blog aqui, nada ou pouco a ver com política. Escreva para orbister @ gmail.com se quiser. Abs!

DIreita disse...

"DIREITA sempre com seus reducionismos...

Não publiquei!! Censurei mesmo. Afinal, Messi não é "indígena", seu pai é claramente de origem 100% italiano, sua mãe talvez tenha alguma ascendência indígena misturada com italiano e espanhol (o sonbrenome é italiano). Li em algum lugar que ele também teria ascendência libanesa e inglesa.

http://www.lionelmessi10.net/2012/08/lionel-messis-ex-and-current-girlfriend.html

E mesmo que fosse "indígena" (como Maradona), isso não impede de ser excelente futebolista!!!"

Não lembro exatamente oque escrevi, minha memoria é um lixo!Mas lembro que citei o fato de messi ser mestiço(nunca critiquei seu futebol).Eu tambem o via como branco antes ,mas com mais conhecimento que adiquiri em sites pró-brancos - onde se discute muito caracteristicas raciais - minhas opiniões foram, aos poucos ,mundando!
Messi possue uma avó,ou uma bisavó,pela lado materno, índia.
Ando meio desconfiado com esses "brancos "argentinos.apesar do pai de Messi parecer italiano ,eu não botaria ao mão no fogo pela certeza disto!

|3run0 disse...

Mr. X, só vi o seu comentário agora. Só para desencargo, sim, vc pode(ria) republicar o texto. :P