domingo, 15 de março de 2015

Intervenção militar, sim ou não?

Para meus "amigos" do Face (eis um oxímoro da era moderna), pessoas protestando em favor da "intervenção militar" são a camada mais baixa da humanidade. Querer a "ditadura militar" em vez da "democracia" é uma demonstração de ignorância, baixeza, maldade e estupidez. 

Porém, às vezes me pergunto: será que para o povo mais pobre, ou até para a classe média, uma volta da ditadura seria algo tão ruim assim?

Noto que os pobres, no que se refere ao aspecto social, tendem a ser mais conservadores, e até reacionários, do que os de classe mais alta: são contra aborto, a favor da pena de morte, homofóbicos e muitos até, acredite, racistas. E acho que muitos deles pouco se importariam se o governo não fosse mais "democrático", desde que continuassem a ganhar algum tipo de ajuda financeira ou alimentar.

Mas também grande parte da classe média, parece-me que pouco perderia ou ganharia com um governo militar. Para o cidadão comum que trabalha e paga seus impostos, e que não está interessado em questões políticas, a forma de governo e de eleição de seus representantes, não muda tanto assim o seu dia-a-dia. A tal democracia, no fundo, é apenas uma ilusão: a ilusão de que você pode "escolher" alguma coisa, quando, na verdade, o que é que você escolhe? Quem vai te roubar?

Uma "ditadura militar" afetaria principalmente o intelectual e o militante de esquerda, preocupado com "censura". Uma preocupação até válida, concordo. Mas será que a "censura" é algo tão ruim assim? (Não estou afirmando, estou perguntando). O "período dourado" de Hollywood foi justamente durante a vigoração do código Hays, que vetava certos tipos de temas ou imagens, mas dando maior margem à imaginação do roteirista ou diretor. Pode-se afirmar também que Chico Buarque compôs suas melhores canções durante a censura, justamente por ter de se esforçar mais para burlá-la?

E, por falar nisso, não temos também censura hoje em dia, ainda que de outro tipo? (Censura ou auto-censura de tudo que não for considerado "politicamente correto" por grupos militantes).

A própria "violência" de um governo militar, me parece que afetaria mais apenas certos grupos do que a população em geral. E, se um governo de direita combatesse mais duramente o crime urbano, que é o que realmente afeta a maioria da população, poderia mesmo diminuir o número de mortes.

Fica a questão ainda de que o governo militar de 1964-1983 nem foi assim tão terrível quanto a esquerda insiste em nos dizer. Oficialmente, morreram ou desapareceram 434 pessoas, durante 20 anos. Acho que morre mais gente num fim de semana em acidente de carro hoje em dia.

Isso não quer dizer, naturalmente, que eu seja a favor de qualquer tipo de "invervenção militar" ou volta da ditadura. Na verdade, acho que preferiria um governo democrático, porém sensato, o que é raro de acontecer.

Na verdade, acho que não existe nenhum tipo de governo perfeito. Mas existem governantes menos ruins do que outros.


4 comentários:

AF disse...

A manifestação que ocorreu no domingo foi ótima, mas a resposta do governo do PT foi, como era de se esperar, péssima!

Não é fácil lidar com esse partido mentiroso e arrogante.

Quanto a intervenção militar, a "mídia golpista" está adorando pegar essas minorias que querem isso para marginalizar as manifestações.

Um governo democrático e sensato, no Brasil é impossível. Inclusive há os que defendem (pela divisão de votos que ocorre no país) que até mesmo a democracia não é a solução, mas sim problema.

Anônimo disse...

Democracia só daria certo se os leitores do mister x ou do psychological commments fossem a maioria. Eles são?? Não.

Santoculto

Mr X disse...

O sistema de governo é menos importante, o importante é a qualidade dos governantes. E o mais difícil tbm.

Por outro lado, é provavelmente melhor uma democracia com Dilma do que uma ditadura do proletariado com Dilma e os petistas comandando.

El Misionero Matsuura Junichiro a.k.a. Marcos Freybert disse...

E quem foi que disse que o PT é democracia???? Eles querem é implantar o comunismo, e dane-se quem não o quiser. Além do mais, com este nosso povo hipócrita, que não se incomoda em assistir cenas de sexo quase explícito nas novelas, um monte de bundas à mostra nos unreality shows, mas faz um cavalo de batalha se ouvir um "porra", que só quer saber de carnaval, futebol, e baile pseudofunk, tanto mais fácil.