Não há qualquer pista sobre o atirador. Poderia ser: a) um islamista que odeia soldados franceses e judeus; b) um neonazista que odeia árabes, negros e judeus; c) um ataque diversionista para incriminar nacionalistas franceses e prejudicar a candidatura de Marine Le Pen; d) um maluco paranóico esquizofrênico.
A alternativa d é pouco provável, já que tudo parece indicar alguém (ou até mesmo um grupo) bem organizado e eficiente, e a alternativa c é conspiracionista demais. O que nos deixa com duas possibilidades opostas: terrorista islâmico ou militante anti-imigrantes com treinamento militar similar ao atirador norueguês.
É bem possível que o atirador seja um ex-soldado, o que não invalida nenhuma das teorias. Não faltam muçulmanos entre os soldados franceses. Por outro lado, em 2008, alguns soldados franceses foram demitidos acusados de neonazismo. Seria uma vingança? Talvez, mas é bem mais possível que se trate de um crime político. Afinal, este ano há eleições na França. Os candidatos mais cotados são o falso conservador Sarkozy e o socialista Hollande. Correndo por fora, está a nacionalista Marine Le Pen. Se os atentados forem obra de um muçulmano, talvez a beneficiariam; se forem obra de um neonazista, no entanto, poderiam prejudicá-la.
De acordo com as estatísticas mais "oficiais", há entre 5 e 9 milhões de muçulmanos na França. Porém, como na verdade não existem estatísticas realmente oficiais e o governo francês até mesmo proíbe que estatísticas por origem étnica ou religiosa sejam realizadas (é o tal estado secular), um número mais aproximado talvez seja o de 15 milhões. Somem-se os outros imigrantes não-muçulmanos (africanos, chineses, romenos, albaneses ciganos e brancos do leste europeu) e temos uma França com cada vez menos franceses. Visitei ano passado e pude confirmar: até as pequenas cidades estão inundadas de imigrantes, especialmente árabes. Parecia Bagdá.
Ou seja, ganhe quem ganhar as eleições, a França como a conhecemos provavelmente já está perdida. (Claro que se ganhar o Hollande o processo se acelerará).
Se o atentado foi obra de um militante anti-imigração, mais valeria ter dado um tiro no pé, ou na cabeça. Tiros à queima-roupa em menininhas de 8 anos não são bem-vistos, e o momento escolhido, dias após um bom discurso de Marine Le Pen sobre as minorias, não foi certamente o melhor. Se foi obra de muçulmanos, bem, é possível que a mídia logo pare de falar no assunto. Aconteceu outras vezes.
Saberemos com certeza provavelmente apenas quando o próximo ataque ocorrer. Lamentavelmente.
Atualização: A polícia francesa está neste momento cercando a casa do principal suspeito. Um policial foi ferido. O atirador é, quem diria, muçulmano. Vinte e quatro anos, nacionalidade "francesa" mas de origem paquistanesa ou argelina. Vive em Toulouse mas visitou várias vezes o Afeganistão. Motivo dos crimes? "Vingança pela morte das crianças palestinas." Bem, creio que em breve não se falará mais muito do assunto...




