quarta-feira, 14 de março de 2012
Reescrevendo o Passado
Por exemplo, uma organização esquerdista italiana filiada à ONU publicou um artigo de uma certa Valentina Sereni querendo tirar Dante das escolas italianas, afirmando que a Divina Comédia é antisemita, homofóbica e islamofóbica. Será que é mesmo? Bem, Maomé, fundador do islamismo, aparece num dos últimos cantos do Inferno com seu ventre aberto de cima a baixo e torturado por demônios. As cúpulas da cidade infernal de Dite são chamadas de mesquitas. Quanto aos judeus, também são jogados nas chamas acusados de praticar usura. Já os sodomitas vão para o sétimo círculo do inferno -- seu pecado é considerado pior do que o assassinato.
Mas é inútil catalogar essas descrições dantescas com a linguagem politicamente correta de hoje em dia. Pela mesma medida, Dante poderia ser acusado de papófobo, já que coloca mais de um Papa no Inferno. Honestamente, esses idiotas deveriam é preocupar-se com a queda na qualidade da educação. É pouco provável que o italiano médio de hoje em dia sequer consiga ler a Divina Comédia.
O mesmo ocorreu no Brasil com Monteiro Lobato, recentemente acusado de racista. Não entendi porque, já que, do que eu lembro, Tia Nastácia era apresentada positivamente. Talvez, para essas pessoas, politicamente corretas e educativas são as letras de funk ou de rap...
Nem a Bíblia escapou dessa ânsia positivamente soviética de reescrever -- há uma tradução atual na qual Deus é chamado de Ele/Ela...
Na verdade, eu acho que os autores do passado sabiam mais das coisas do que os modernosos imbecis, com sua suposta superioridade moral. Aliás, pecado de soberba. Que ardam no Inferno!
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Fumacê politicamente correto
ROMA - Segundo a Suprema Corte de Justiça italiana, os juízes devem reservar um tratamento diferenciado aos seguidores da religião rastafári encontrados carregando grande quantidade de maconha, considerando que, para os adeptos desta religião, fumar maconha favorece a contemplação e a reza, o que se baseia "na crença de que a erva santa tenha crescido sobre a tumba do Rei Salomão".
Tumba do Rei Salomão? Hahaha! Era só o que faltava... Enquanto a maconha avança, desde 2005 fumar tabaco na Itália é cada vez mais proibido.
Via c-avolio, que pergunta: "Ué! E o tal Estado laico, como é que fica?"
Pois é, ultimamente só se vêem os tais Estados "laicos" fazendo exceções às leis para beneficiar muçulmanos, e, agora, rastafaris... Será que "laico" quer simplesmente dizer anti-cristão?
Em outras notícias, o número de seguidores do movimento rastafari na Itália aumentou em 400% nos últimos dois dias. ;-)
domingo, 4 de maio de 2008
Poema do domingo
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
Tant'è amara che poco è più morte;
ma per trattar del ben ch'i' vi trovai,
dirò de l'altre cose ch'i' v'ho scorte.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Berlusconi e umas eleições complexas
Já morei na Itália e acho que os fatores que impulsaram a vitória do Berlusca vão além do simplismo de uma "volta à direita" ou do "medo à imigração".
Um, queira-se ou não, o sujeito tem carisma. É tipo o Obama, tampouco gosto de suas políticas mas não nego que ele tem carisma.
Dois, e principalmente: o povo quer estabilidade. O equilíbrio político na Itália é muito instável, muitos governos caem e os partidos brigam muito entre si. A esquerda, então, é especialista em brigar consigo mesma. O governo Prodi esteve sempre imerso em brigas porque os partidos menores, da chamada “Sinistra radicale” (esquerda radical) votavam contra o próprio governo em certos temas. Aí finalmente o governo caiu.
Notem que o povo não gostou e, como castigo, a Sinistra radicale não elegeu um único deputado. Até a deputadíssima midiática transexual comunista Vladimir Luxúria foi escorraçada/o do Parlamento.
Quanto ao crescimento da Lega Nord, é sim impulsado pelo medo ao aumento da imigração (bem como a temas internos como o problema do lixo em Napoli).
Sobre a imigração, pergunto: onde é que está escrito que os países europeus devem aceitar trocentos milhões de imigrantes sem reclamar?
O Diogo Mainardi, que também já morou na Itália, e é surpreendentemente (?) muito crítico do Berlusconi, comenta:Eu votei no Partido Democrático. Perdi feio. Sou um especialista em derrotas eleitorais. Sempre escolho o candidato mais azarado. O Partido Democrático se opunha a Berlusconi. Não vou gastar seu tempo explicando os motivos que me levaram a votar nele. Basta dizer que numa coluna de 2003 comparei Berlusconi a Lula. E voltei a compará-los outras duas vezes. O mesmo populismo rasteiro. A mesma retórica ordinária. O mesmo aparelhamento do poder. O mesmo método plebiscitário de anistiar suas estripulias éticas por meio do voto.
Apesar disso, o resultado eleitoral italiano tem de ser comemorado. A esquerda sumiu. Acabou. Morreu. O velho fundamentalismo comunista e o novo fundamentalismo ambientalista, reunidos no mesmo partido, ficaram sem representantes na Câmara dos Deputados e no Senado. É isso aí: zero. O país que por tanto tempo se gabou de ter o maior partido comunista do ocidente finalmente se livrou desse atraso. Os sindicalistas e os verdes, que impediam qualquer tentativa de modernizar a economia italiana, conquistaram 3% dos votos e foram varridos do cenário político. Seus líderes, depois da derrota histórica, continuavam a declarar que a Itália ainda precisa da esquerda. Não precisa, não. Ninguém precisa da esquerda.
O eleitorado italiano eliminou parte do entulho regressivo que imobilizava o país. Falta a outra parte.
Na verdade, uma porção da direita mais radical (simpatizantes do fascismo) tampouco foi demasiado bem nestas eleições.