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domingo, 4 de março de 2012

São os asiáticos os novos judeus?

Um post polêmico, ainda que de outra ordem. Faz algumas semanas, a blogosfera (bem, a limitadíssima blogosfera bizarra que leio) explodiu com comentários sobre a diminuição do número de estudantes judeus na escola mais prestigiosa de New York. A surpresa nem é essa, mas sim outra: que a grande maioria dos estudantes nessa escola agora são asiáticos.

O mesmo se dá em grandes universidades, especialmente aquelas na costa leste do país. Berkeley, Stanford e outras têm absoluta maioria de asiáticos -- de 60% a 70%, e até 80% em algumas carreiras de ciências exatas. Os judeus ainda se dão bem, sem dúvida, mas seus números estão se reduzindo. Em parte pelo desinteresse de uma geração já distante da pobreza de seus antepassados, em parte pelo casamento fora do judaísmo (muitos judeus, aliás, estão casando com asiáticas!), em parte por outros motivos, como mudança para o subúrbio ou crescimento dos judeus ortodoxos e diminuição dos seculares.

Bem, mas este post não é sobre os judeus, mas sobre os asiáticos! Estariam eles se tornando a nova elite americana? Certamente o seu número cresceu muito, e sua influência começa a se fazer sentir. São inteligentes e estudam, suplantando os branquelos e branquelas que parecem mais interessados em demandar anticoncepcionais gratuitos na faculdade do que em estudar!

Alguns criticam os asiáticos, eu tenho simpatia por eles, embora para ser sincero me causa espanto o seu número crescente. Eles são meio esquisitos! Os chineses inventaram a pólvora e o macarrão, mas também comem comidas estranhas e gostam de fazer animais sofrer. Os japoneses inventaram o walkman, fazem ótimos carros e desenhos animados e vem fazendo importantes avanços na área da robótica, mas tem uns fetiches sexuais meio estranhos! (*)

Por outro lado, os asiáticos são muito inteligentes e parecem determinados a conquistar os EUA e tornar-se sua nova elite. Quem é que poderá impedi-los?



(*) Não levem este post a sério demais. Isto é uma piadinha/provocação. Gosto dos japas, com exceção do Sakamoto!

terça-feira, 15 de março de 2011

Japão versus Haiti

"Por que não houve saqueios, estupros e violência no Japão após o desastre?", pergunta um jornalista inglês.

Ele não responde, mas grande parte dos comentaristas o faz por ele: "não há negros nem latinos no Japão", dizem, protegidos pelo anonimato virtual.

Vamos aos fatos. No Japão, de fato não houve violência nem pânico, enquanto todos lembram da epidemia de roubos e estupros que foi o Haiti pós-terremoto.

Eis o Japão:


Eis o Haiti:


Pior ainda. Um ano depois, o Haiti mal começou a reconstrução, e ainda há pessoas vivendo em campos temporários de refugiados, que estão simplesmente virando novas favelas. No Japão, já estavam trabalhando na solução dos problemas logo depois do desastre.

Claro, as diferenças econômicas explicam e muito: o Japão é a segunda economia mundial, o Haiti deve ser uma das últimas.

Mas o fato é que há diferenças no comportamento das populações. Teria algo a ver com a raça ou a cultura, como insinuam alguns comentaristas? A população negra americana, por exemplo, muitas vezes parece ter dificuldade em conter a sua violência. Vejam este vídeo, ou este. Agora imaginem isso ocorrendo em uma festa da comunidade japonesa. Difícil, certo? De fato, os Asiático-Americanos são o grupo menor representado nas estatísticas de crime no país.

Não quer dizer que os japoneses (e outros asiáticos) não sejam capazes de violência, ao contrário. Foram sádicos e violentos durante as guerras. Em Nanking, mataram e estupraram milhares de civis. Torturaram prisioneiros de guerra americanos de forma inimaginável. E, mesmo ficando no campo dos terremotos, lembremos que após o terremoto de Kanto, em 1923, os japoneses acusaram os coreanos que moravam no Japão de roubar alimentos e envenenar os poços de água. Entre dois mil e seis mil coreanos foram massacrados em represália aos rumores (japoneses odeiam coreanos, embora para nós "eles pareçam todos iguais"). 

Acho que a diferença é a seguinte: os japoneses podem ser violentos sim, mas contra os estrangeiros, sendo unidos entre si. O Japão é um país extremamente nacionalista e coeso socialmente, com baixos níveis de crime. Como contrapartida, o estrangeiro ("gaijin") jamais é aceito, mesmo sendo de segunda ou terceira geração. Há quem veja a recusa em aceitar plenamente os brasileiros de origem japonesa como ingratidão, já que no Brasil ninguém vê os japa-brazucas como cidadãos de segunda classe. 

Todas as culturas têm seus pontos positivos e negativos. Se no Haiti são mais desorganizados, provavelmente também são mais alegres e recebem melhor os estrangeiros do que os japoneses.

Pessoalmente, como já informei em outro post, admiro a cultura japonesa, e diretores de cinema como Kurosawa e Miyazaki, mesmo sabendo (ou talvez por isso mesmo) que em muitos aspectos os japoneses são bem diferentes dos ocidentais, e, em uma guerra, nos massacrariam impiedosamente.

Casa de Augusto Nascimento.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Japão e Brasil

Devido à crise, o Japão está pagando para os os dekasseguis brazucas irem embora do país e não voltarem jamais. Há quem veja isso como uma afronta. O Brasil, afinal, acolheu milhares de imigrantes japoneses e jamais os mandou embora.

De fato, o país do sol nascente é, sob o ponto de vista da imigração, extremamente conservador. Eles preferem ter uma população de velhos do que do que trazer escumalha de fora, ainda que seja de origem japonesa.

Há vários anos li uma reportagem elucidativa sobre as diferenças entre Japão e Brasil, que lamentavelmente não está online. Mas dizia basicamente que as nossas qualidades eram as mesmas que os nossos defeitos, e que impediam que o Brasil se tornasse um grande Japão. O brasileiro é um povo alegre, informal, amistoso, aberto a tudo e a todos. Lamentavelmente, isso quer dizer que também é desorganizado, corrupto, incompetente, pouco confiável. O japonês é fechado, formal, tradicionalista, sério. Mas extraordinariamente eficiente.

Eis Hiroshima em 1945. Eis Hiroshima em 2009.

Eis o sertão nordestino em 1945. Eis o sertão nordestino em 2009.

(Por outro lado, os japoneses são meio pervertidos. Os brasileiros também.)

Brasil + Japão = Sabrina Sato?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Europa e Japão

Na Itália, em Verona, um jovem agredido por uma gangue de neonazistas está em coma e grave perigo de morte. Material neonazi e neofascista foi apreendido com os desprezíveis skinheads. No caso, não tratou-de de um ataque racista (o jovem era italiano), mas uma agressão por motivo fútil.

Embora tais atos de violência sejam casos isolados, a tendência parece ser o seu aumento. O grande perigo da imigração descontrolada na Europa é que o temor da população e o desânimo com seus governos dê lugar a um retorno de movimentos fascistas. Na mesma Itália, dias atrás, um romeno estuprou e matou uma jovem italiana. Prostitutas do leste europeu mataram uma garota romana. Os ilusos sonham com uma Europa multi-cultural e pacífica, mas isso só ocorre em música de John Lennon; a realidade é que o multi-culturalismo está desembocando é no neo-tribalismo: não havendo mais identificação com a nação, o indivíduo se torna para a identificação tribal, racial ou grupal. Gangues latinas, turcas, sérvias, asiáticas disputam o mercado do crime. Skinheads atacam imigrantes. Muçulmanos radicais prometem jihad anti-ocidental, o que por sua vez aumenta o perigo do neofascismo contrário.

Leio, enquanto isso, um artigo comparando Europa e Japão. Enquanto na Europa, assim como nos EUA e em quase todo o mundo ocidental desenvolvido, a imigração e o multi-culturalismo são políticas aparentemente irreversíveis, no Japão a grande discussão é se o número de imigrantes deve ser de 0.5% ou 1%. Sociedade fortemente tradicional, o Japão mantém seus hábitos de isolamento. E, no entanto, possui os mesmos problemas do resto do dito Primeiro Mundo: baixo nível de natalidade, envelhecimento da população, desaceleração econômica, diluição dos valores tradicionais, consumismo, hedonismo. Mas escolheu um outro caminho: em vez de trazer imigrantes para renovar sua população, optou por envelhecer e criar soluções tecnológicas como robôs para cuidar dos velhinhos. Pior? Melhor? Não sei, o futuro dirá. O Japão também enfrenta grandes desafios, não o menor a expansão da arqui-rival China. Mas a violência e o crime no país são bastante menores do que na Europa multi-cultural.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

América Latina contra si mesma

No Belmont Club, leio a história do admirante Heihachiro Togo, responsável pela vitória do Japão contra a poderosa Rússia czarista em 1906.

No século XIX, os europeus mandavam e desmandavam por toda África e Ásia, causando humilhação aos povos nativos. Os japoneses, no entanto, ao contrário do resto do mundo colonizado, reagiram de modo diverso ao usual: em vez de se lamentar, mandaram seus melhores homens para a Europa para aprender as mais avançadas tecnologias européias. Em 1905, tinham uma frota naval com navios modernos que, sob a brilhante liderança do admirante Togo (que estudou na odiada Inglaterra) derrotou a Rússia na batalha de Tsushima.

Na morte do admirante Togo, em 1936, as Marinhas da Inglaterra, EUA, Holanda, França, Itália e até da inimiga China participaram de uma parada naval em sua homenagem.

A moral da história é velha e simples: o ressentimento não leva a lugar nenhum. O anti-americanismo, o derrotismo, o ódio aos opressores, a fixação com injustiças passadas, o apego a idéias fracassadas como o socialismo, não levam a lugar nenhum.

Aqui na América Latina, somos especialistas no auto-engano. Em vez de aprender com o melhor que o mundo produz, nos refugiamos na busca de culpados e em promessas vagas de “socialismo do século XXI”, quando o do século XX já foi ruim o suficiente.

Em coluna no Jornal La Nación, Mariano Grondona observa:

En su estudio magistral sobre el resentimiento, Max Scheler señaló en este sentido que el poseído por este impulso destructivo pasa a ser su víctima porque deja de inspirarse en el sentido común. Si pierde entonces una licitación o falla en un examen, en vez de preguntarse a sí mismo en qué falló se dice que le ganaron con trampa. Pero una vez que se convence de haber sido objeto de una injusticia, deja de aprender de su experiencia fallida para superarla en la próxima ocasión; de este modo, se queda sin un futuro mejor.

Enquanto continuar ressentida por injustiças e fixada no passado ou em utopias ultrapassadas, enquanto continuar incapaz de aprender, e seguir o exemplo dos japoneses (e irlandeses, chineses e até indianos), a América Latina continuará sem um futuro melhor.