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sábado, 11 de junho de 2011

A Mãe de todas as Mamatas

Passei horas lendo sobre um caso que está escandalizando a Argentina e que ilustra bem como corrupção e causas progressistas sempre andam de mãos dadas.

A associação Madres de la Plaza de Mayo está envolvida até o pescoço em um grave escândalo de corrupção. Talvez poucos no Brasil saibam, mas a entidade, que começou humildemente como um mero grupo de mães protestando pelo desaparecimento de seus filhos durante a ditadura militar, tornou-se uma mega-ONG envolvida em dezenas de causas progressistas, da educação à habitação à saúde, recebendo milhões do governo federal.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

As velhas abertas da América Latina

Presidente removido em Honduras. Golpe, ou, ao contrário, defesa da Constituição contra atos ilegais? A melhor explicação dos eventos. A resposta de Chávez: cão que late não morde? Obama, aparentemente contrário à remoção do presidente, insiste no diálogo. Enquanto isso, na Argentina, o casal K - amiguíssimo de Chávez - leva pau nas eleições legislativas. Estamos vivendo uma repetição de velhos temas, ou algo novo?

Open thread sobre a América Latina.

Zelaya pede dicas de democracia ao amigo Fidel.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Estados Unidos da Argentina

Obama é peronista. Um excelente artigo explica a incrivel decadência da Argentina graças ao peronismo: como um dos dez países mais ricos e promissores do mundo antes da II Guerra Mundial virou em poucas décadas piada de salão da economia mundial. E avisa: Obama está repetindo os mesmos erros. Falta só Michelle virar a Evita negra.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Enquanto isso, na Argentina...

A Cristina Kirchner tunga mais de 100 bilhões de dólares da aposentadoria privada de milhões de argentinos, passando todo o dinheiro para o controle do governo.

Alguns argumentam que os Kirchner estão roubando tudo o que podem antes da quebra do país, que deve ocorrer em algum momento do ano que vem.

Antes de Perón, a Argentina era um dos países mais ricos do mundo. Mesmo no recente 1998, a Argentina ainda estava no 19 lugar no chamado "índice mundial de liberdade econômica". Ano passado estava em 108... Com esta nova medida, deve ter caído mais algumas posições e ficado ao lado do Zimbabwe.

É a longa marcha do país rumo ao total subdesenvolvimento.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

No llores por mi, Argentina (llora por ti)

Não estou mais em Buenos Aires, portanto não assisti à patética queima e destruição de vagões de trens suburbanos por piqueteiros supostamente irritados com a baixa qualidade dos serviços.

A Argentina dos Kirchner vai de mal a pior. Um demolidor e deprimente artigo do cientista político boliviano José Brechner acaba com todas as possíveis ilusões já desde o título: "La Argentina no tiene futuro".

Cien años atrás el mundo veía a la Argentina como el país latinoamericano con mayor proyección internacional. El único que por el nivel educativo de sus inmigrantes, podía llegar a competir con los grandes. Hoy la Argentina es el fiasco más dramático del continente. Hecho que demuestra, que no son solamente las personas instruidas las que generan el progreso y desarrollo de una nación, sino que el sistema empleado para lograr su avance económico es tanto o más importante que la erudición de sus habitantes.

La Argentina no sólo eligió el camino económico equivocado, sino que carece de principios éticos. Para reencauzarse, necesita por lo menos 20 años continuos de coherencia política y económica, sin sobresaltos, bajo el imperio de la ley. Con sus actuales gobernantes y con el fantasma del peronismo, la misión es imposible. A Perón no terminan de enterrarlo, y cuando se vive en el pasado no hay lugar para al futuro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A ignorância ao poder

A Argentina já teve um dos maiores escritores do século XX, Jorge Luis Borges, bem como vários outros escritores de primeira linha como Julio Cortázar, Ernesto Sábato, Roberto Arlt, Horacio Quiroga, Alejandra Pizarnik, Victoria Ocampo, etc.

Pois a presidenta Cristina Kirchner propôs, para a Feira do Livro de Frankfurt, no qual a Argentina é país convidado, que a cultura de seu país seja representada pelas seguintes figuras: Eva Perón, Carlos Gardel, Diego Armando Maradona e Ernesto Che Guevara...

Enquanto isso, no Brasil, Lula chamou os estudantes de babacas e seguiu seu hábito de falar através de analogias popularescas medonhas. Da matéria da Folha:

"Eu digo todo dia: governo para todos, não discrimino ninguém. Mas faço como a minha mãe. Se eu tiver um bife, não tem um filho mais bonito que vai comer sozinho não. Todos vão dar uma lambidinha." Lula fez diversas referências ao próprio passado no discurso. Numa delas, culpou seus antecessores pela violência urbana ao dizer que "a política econômica estabelecida neste país nos últimos 40 anos fez gerar duas gerações de jovens sem oportunidades". Então lembrou ser o oitavo filho de uma família pobre, na qual "ninguém virou bandido, nem nunca roubou um centavo".


Evidentemente, o conceito de "roubo" no dicionário petista é bastante limitado, e não inclui a apropriação de dinheiro público.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O fim da disciplina

Um dos aspectos mais curiosos de nossa época talvez seja a intenção de querer abolir as regras antigas, "ultrapassadas", que funcionaram mais ou menos bem ao longo de alguns séculos, e substituí-las por coisas novas não-comprovadas e inventadas pelo intelectual do momento, não por alguma razão lógica, mas porque seus idealizadores acreditam que "o mundo seria mais bacana se fosse assim".

Penso por exemplo na questão da educação.

Aqui na Argentina houve vários casos recentes de alunos agredindo ou ridicularizando professores e depois ainda colocando os vídeos na Internet. Em grande parte dos casos nada aconteceu com os alunos. Evidentemente, é impensável que o professor ou professora em contrapartida encoste um dedo na criança ou adolescente, pois poderá ser acusado/a de violência ou assédio sexual, perder o emprego e até mesmo ser agredido/a com violência pelo pai ou mãe do aluno, que não acredita que seu amado filho mereça punição ou nota baixa.

Cito por conveniência os casos que ocorreram aqui mas trata-se de um fenômeno, na verdade, global. Hoje o aluno não é punido ou disciplinado, pois o professor perdeu a sua autoridade. Em parte porque os pais não querem, em parte por questões culturais, em parte pelo pensamento esquerdista de que "não adianta punir" ou até de que a disciplina seria algo nocivo. Mesmo ser colocado em recuperação, rodar de ano ou levar notas baixas é visto como algo negativo, "que poderia acabar com a auto-estima do aluno", e nós não queremos acabar com a auto-estima de um aluno indisciplinado que nunca abriu um livro, certo? E muito menos acabar com a auto-estima de seus pais, que acham que seu filho merece tudo, até porque está pagando altíssimas mensalidades ou altíssimos impostos.

Não contentes com acabarem com a disciplina nos colégios, agora querem acabar com ela nas famílias também. Na Suécia ou não lembro qual país do norte da Europa, já é proibido por lei um pai dar palmadas no seu filho. Não duvido que no futuro próximo um garoto possa levar seus pais ao tribunal por ter levado uma chinelada por mau comportamento.

O problema desse pensamento é o seguinte: é baseado numa utopia, numa visão idílica da vida que não corresponde à realidade. Vivemos em um mundo onde há crianças escravas, crianças prostitutas, crianças sexualmente abusadas e espancadas pelos pais, crianças dando e levando tiros no tráfico, crianças drogadas, etc. Mas a preocupação da sociedade é com o adolescente punido pelo pai ou professor, algo inadmissível na nossa sociedade ultra-liberal.


quinta-feira, 17 de julho de 2008

No pasarán


Em dramático desenlace, a famigerada lei 125 das “retenciones agrícolas” não passou no Senado argentino. Deu empate, e coube ao vice-presidente da Cristina Kirchner decidir. Ele votou contra o próprio governo. A lei não passou.

A proposta, basicamente, aumentava enormemente os impostos à exportação dos produtos agrícolas. Os agricultores, naturalmente, não gostaram e protestaram de forma inédita.

O conflito entre os agricultores e o governo já dura mais de 4 meses, durante os quais o país praticamente paralisou. O crescimento econômico este ano vai ser bem abaixo do esperado, a inflação aumentou e o Wall Street Journal faz graves críticas à condução do país. A popularidade da Cristina Kirchner caiu dos 56% aos 20%.

Mas como neste país hermano nunca se dá um passo para frente sem dar dois para trás, o governo peronista (rima com vigarista) decidiu reestatizar as Aerolineas Argentinas. Talvez devam mudar o nome para Kirchner Air.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tinha que ser mulher ao volante!

Ou será que não? Segundo recente pesquisa, as mulheres causam muito menos acidentes estradais do que os homens:

Un estudio del Centro de Experimentación y Seguridad Vial (Cesvi) reveló que los conductores hombres son más peligrosos y agresivos que las mujeres, al participar en más del 96 por ciento de los accidentes en rutas, lo que se debe a que ellas son más pacientes y cumplen más las normas de tránsito.

Sobre un relevamiento de unos cinco mil accidentes graves en rutas, se determinó que los hombres concentran el 96,8 por ciento, mientras que en el caso de autopistas la participación femenina sólo asciende al 15 por ciento.

La cifra, de todos modos, se ve influida por la mayor cantidad conductores masculinos que constituyen las tres cuartas partes del total de automovilistas, además de que los choferes profesionales son casi todos hombres y provocan un tercio de los choques.

No obstante, si se calcula la participación femenina en los accidentes de acuerdo a la cantidad de mujeres con licencia de conducir, la tendencia se mantiene: sólo están involucradas en el 28,4 por ciento de los choques, mientras los varones superan el 70 por ciento, lo que los especialistas atribuyen a que son más agresivos al volante.


A investigação baseou-se na Argentina, mas não há razão para supor que seus resultados não sejam universais. Os homens são mesmo mais imprudentes.

(Um país no qual as mulheres causam zero por cento de acidentes é a Arábia Saudita, onde as mulheres são proibidas de dirigir, afinal assim ordenava Maomé no Corão.)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

CPMF, CSS, PQP...

Ontem foi aprovada no Brasil a nova CPMF, agora chamada de "CSS", ou "Contribuição Social para a Saúde". Sei.

Se eu não soubesse que fazem parte da mesma organização política, juraria que tinha sido combinado: foi mais ao menos o mesmo tempo em que a Cristina Kirchner anunciou em Buenos Aires que os pesados novos impostos ao campo seriam utilizados para "construir novos hospitais e financiar programas sociais".

Há quem acredite.

Há quem acredite em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa também.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Lula lá, Cristina aqui

Cristina Kirchner apelou e afirmou que o aumento brutal das "retenciones" (leiam-se impostos) para o campo que causaram tantos protestos dos produtores rurais, serviriam para financiar "programas sociais" (leia-se bolsa-esmola).

Ela disse ainda que, para que haja "redistribuição de riquezas" (leia-se, o governo tira de quem trabalha para dar a si mesmo), o campo tem que pagar, "pois trata-se de um setor com rendas extraordinárias que se nega a dividir com os que não têm."

Em notícias relacionadas, em sua visita a Roma há poucos dias, o Corriere della Sera informa que Cristina gastou 100 mil euros em jóias na famosa joalheria Bulgari, e mais 6000 euros em lençóis de algodão egípcio na casa Pratesi.

O governo, naturalmente, nega.



quinta-feira, 24 de abril de 2008

Perón y los nazis

Em tema com o meu post sobre Buenos Aires publicado no blog do PD, apresento aqui uma entrevista sobre a relação de Perón com os nazistas. Perón, figura nefasta ainda hoje idolatrada por muitos argentinos, e principal referência política do país, já que os peronistas ocupam quase todos os espaços, era na verdade um êmulo de Mussolini e admirador dos nazistas, tendo protegido vários generais da SS... Alguns trechinhos, ou ler completa no link:

DW WORLD: ¿De qué forma facilitó el Gobierno argentino de la época la llegada de nazis a la Argentina?

Uki Goñi: La facilitó de varias maneras, pero sobre todo enviando agentes a Europa, que a su vez eran ex miembros de la SS o nazis que ya habían llegado a Argentina, para organizar el traslado de Alemania a la Argentina. El principal encargado fue un ex capitán de la SS llamado Carlos Fuldner. Fuldner era un alemán nacido en la Argentina, cuya familia había vuelto a Alemania en la década del 30. Carlos Fuldner se enrola en la SS y asciende hasta capitán. Después de la guerra escapa a Madrid y organiza la primera red de escape a la Argentina, se reúne con Perón, hay reuniones en la Casa Rosada y luego Fuldner viaja a Europa y allí comienza el escape en serio de sus camaradas de la SS.

¿Cuál fue el interés del Gobierno de Perón y de éste personalmente para llevar a los criminales de guerra a la Argentina?

Perón tenía varias razones para hacerlo. La primera fue una simpatía natural que el sentía por el nazismo, el fascismo y los oficiales del Ejército alemán. Perón dijo que consideraba que los juicios de Núremberg eran una infamia y que él había decidido rescatar todos los oficiales alemanes que pudiera. Perón también quería llevar a la Argentina a científicos y técnicos alemanes, por ejemplo diseñadores de aviones jets y científicos nucleares. Pero con ellos y además de ellos se fueron a la Argentina una gran cantidad de criminales de guerra tipo Adolf Eichmann y Josef Mengele, que también entraron al país disfrazados de técnicos.

¿A sabiendas de Perón?

Yo creo que sí, porque Perón dijo que los juicios de Núremberg eran una infamia y eso es una frase muy llamativa y deja muy claro cuál era el pensamiento de Perón sobre ello.

¿Había también coincidencias ideológicas entre el nacionalsocialismo y el peronismo de la época, como una forma de socialismo nacional?

Perón había estado en la Italia de Mussolini como agregado militar y cuando volvió a la Argentina habló de Mussolini –y también de Hitler– con gran entusiasmo y admiración. Durante la guerra, Perón tuvo muchos contactos con el servicio secreto de la SS, que operaba en Sudamérica, o sea que no es algo que haya comenzado después de la guerra, sino que ya durante la guerra Perón tuvo contactos con oficiales de la SS.


¿Tuvieron los nazis una influencia política en la Argentina y si así es, de qué tipo?

Más que haber tenido una influencia en la Argentina, los nazis se fueron a la Argentina porque sintieron que allí había un régimen que era similar ideológicamente al régimen nacionalsocialista. Es decir que ya había una ideología preexistente en la Argentina. Creo que la influencia fue de otro tipo: a un país que se acostumbró a tener a Eichmann o a Mengele de vecinos le fue más fácil después aceptar que militares del propio país cometieran los crímenes que cometieron. Si un país tuvo a Eichmann, ¿por qué no va a tener a Videla?