Num artigo anterior falei brevemente sobre a solidão contemporânea e o livro "Boliche solitário", de Robert Putnam, mas acho que o tema é interessante em si mesmo e merece um artigo à parte.
A transformação de que Putnam fala ocorreu, é certo, na América e, na verdade, por todo o mundo ocidental. As famílias não só são menos numerosas, como poucos são os que ainda as mantém unidas: a maioria as têm espalhadas pelo mundo, ou ao menos por cidades diferentes. Pais divorciados, um aqui outro ali, um irmão lá, o outro acolá.
A nova família, em muitos casos, tornou-se de apenas dois: mãe solteira e filho. É curioso que os gays agora queiram tomar para si um modelo falido, salvo, claro está, que não queiram realmente. Depois do casamento gay, a grande luta do século será pelo divórcio gay, e depois virá a briga pela guarda dos pequenos gayzinhos.
Os lamacentos hippies dos anos 60 queriam acabar com a família tradicional e, de certa forma, conseguiram. Mas seu sonho coletivo tampouco se realizou. Os experimentos de comunidades alternativas onde todos dividem tudo e mais a mulher fracassaram rotundamente. Woodstock é só uma lembrança cada vez mais fugaz. Perguntam-se os velhos hippies, hoje em luta contra o Alzheimer: "Foi real mesmo, ou era só efeito do LSD?"
E as amizades? Nos EUA, é muito raro se manter no mesmo local de nascimento por toda a vida. Nasce-se em uma cidade, vai-se estudar em outra, em alguns casos faz-se a pós-graduação em ainda outra cidade diferente, e finalmente trabalha-se onde se conseguir, que pode ser em outro estado ou até em outro país. Difícil manter amizades de infância assim.
Clubes? Associações comunitárias? Isso perdeu-se. Salvo exceções, não há mais a sensação de pertencer a um grande grupo unido. A sociedade está fragmentada, não sei se devido ao multiculturalismo ou a outros fatores, e a sensação é de que é cada um por si.
Resta a Internet como último refúgio da amizade. Hoje todos temos 500 "amigos" no Facebook e conversamos com eles por Skype. Não, não é ironia. É uma ajuda e tanto, especialmente para quem mora fora do país. Antes manter esses contatos era bem mais complicado. Amigos longínquos tornaram-se mais próximos. O mundo ficou menor. Mas será que esses encontros virtuais substituem a vida real?
De certa forma, sim. Este blog, e outros, são como botecos. Lá vem o Chesterton tomar seu uisquinho do dia. A Confetti bebe rapidinho seu martini e já vai. Logo mais entra o Augusto Nascimento, positivamente entornando mais uma garrafa de cachaça, aquela nacional. O Mais Valia, que já está lá, pede mais uma. Rolam brigas e discussões acaloradas. Seu Comunista! Antisemita! Papista! Ateu! E saudosismo: que fim levaram a Didi Iashin, o Marcelo, o Pax, o DD? Talvez mudaram de bar, ou abandonaram a boemia. Mas eis que chega um novo cliente, o Microempresário. O que vai ser, patrão? Uma cervejinha? Pois não.
Sim, a vida virtual substitui o boteco real, sem o perigo de você tropeçar ou ser assaltado no caminho de volta para casa. E no entanto, às vezes dá saudades de um tempo em que tudo era mais concreto, mais palpável, e as amizades duravam trinta anos sem precisar de Facebook, e jogava-se boliche em clubes, e as famílias tinham numerosos tios e primos, e casamento gay era coisa de ficção científica, e nascia-se e morria-se no mesmo lugar.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O dilema do multiculturalismo
Há poucos anos atrás, o sociólogo Robert Putnam fez um estudo sobre o multiculturalismo e assustou-se com o que viu. Tanto que nem quis publicar todos os resultados. Basicamente, a sua conclusão foi que nas sociedades multiculturais há menos confiança entre as pessoas. Porém, o mais curioso é que isso não ocorre apenas entre grupos diversos, como seria de esperar, mas também dentro dos próprios grupos étnicos.
Los Angeles é uma das cidades mais multiculturais do mundo. É também uma das mais segregadas, ao menos em termos de divisão geográfica: asiáticos moram com asiáticos, mexicanos com mexicanos, negros com negros, brancos com brancos, iranianos com iranianos, armênios com armênios. Fora os campus universitários (e já falo sobre esse tema), e sobre os brancos que casam cada vez mais com asiáticas (tema para outro post) ninguém se mistura muito com ninguém.
Robert Putnam também é o autor do livro "Bowling alone" (Jogando boliche só), onde mostra como os americanos se tornaram menos sociais, com famílias menores, menor número de amizades, menor participação em clubes e associações comunitárias, etcétera. O título do livro faz alusão ao fato de que há cada vez mais pessoas jogando boliche nos EUA, mas cada vez menos clubes de boliche.
Estariam os dois fenômenos (crescente solidão do homem americano contemporâneo, crescente multiculturalização da sociedade) relacionados?
Não sei. Aconteceram mudanças demais desde os anos 60 nos EUA, e o multiculturalismo foi apenas uma delas. Na verdade, acho que todos os fenômenos radicais dos anos 60, como a luta contra os valores tradicionais, o extremismo político, o feminismo, a perda da religião, a revolução sexual, bem como a própria urbanização desordenada e a imigração cada vez maior causaram essa desagregação social. Não dá para colocar tudo na conta do multiculturalismo, embora este crie sim os seus problemas.
Celebrado até há pouco, hoje o multiculturalismo sofre uma chuva de críticas. Ângela Merkel, Nicolas Sarkozy, David Cameron, mas também vozes à esquerda começam a perceber que há alguma coisa errada, que o paraíso prometido da integração pacífica não aconteceu. Por quê?
Tenho a impressão que, como tantas coisas, algumas positivas mas muitas negativas, a idéia da sociedade multicultural surgiu nos campus universitários americanos. De fato, as universidades americanas são templos do multiculturalismo. Pessoas de todos os países, raças e religiões se misturam e convivem quase sempre em paz. Daí deve ter surgido a idéia de que, se isso funcionava na universidade, por que não deveria funcionar na sociedade como um todo?
Acho que a diferença é a seguinte: a universidade é um ambiente bem diverso da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, as pessoas que habitam esse mundo são filtradas pelo QI e pelo nível social, quer dizer, estão ao menos um pouco acima da média no que se refere à inteligência e classe. Em segundo lugar, são pessoas mais abertas ao convívio e à troca cultural, ou nem estariam em uma instituição de nível superior. E, em terceiro lugar, convivem apenas algumas horas por dia e por um período específico da juventude.
Já na sociedade a integração pacífica entre grandes grupos de origens diversas é mais difícil. Vejam a triste história desta lojista francesa, arriscando a própria vida (já foi estuprada, roubada, apedrejada) para manter a sua lojinha em uma "zona sensível", isto é, em um bairro exclusivamente muçulmano de Paris. Locais onde até mesmo a polícia e os bombeiros evitam ir. Será o futuro da França a guerra civil?
Devemos diferenciar o multiculturalismo da imigração. A imigração sempre existiu, o multiculturalismo é algo relativamente novo. (Embora gregos e romanos tenham convivido em sociedades relativamente multiculturais, mas isso também seria tema para outro post). Anteriormente, havia na maior parte dos casos a expectativa de que o imigrante se adaptaria ao país ao qual emigrou, adotando a sua língua e seus costumes. Isso não acontecia em todos os casos, mas na maior parte. Hoje, a expectativa é exatamente a oposta: que o imigrante mantenha sua própria cultura, e que esta seja "respeitada" pela sociedade que o acolhe, mesmo que se trate de um hábito bárbaro como a extirpação do clitóris das mulheres.
Hoje o multiculturalismo é a política oficial em quase todas as capitais ocidentais. Em parte é o mero resultado de mudanças tecnológicas e sociais, mas em parte também foi forçado, contra os desejos da maioria da população, por governos e políticos mais interessados em votos do que no bem-estar social. Mas, assim como um pêndulo, as modas e as sociedades mudam. É bem provável que, assim como o dinheiro do welfare state está acabando rapidamente e levando a crises e conflitos em tudo que é lugar, também haja uma violenta reação contra o multiculturalismo nos próximos anos. E aí, salve-se quem puder.
Los Angeles é uma das cidades mais multiculturais do mundo. É também uma das mais segregadas, ao menos em termos de divisão geográfica: asiáticos moram com asiáticos, mexicanos com mexicanos, negros com negros, brancos com brancos, iranianos com iranianos, armênios com armênios. Fora os campus universitários (e já falo sobre esse tema), e sobre os brancos que casam cada vez mais com asiáticas (tema para outro post) ninguém se mistura muito com ninguém.
Robert Putnam também é o autor do livro "Bowling alone" (Jogando boliche só), onde mostra como os americanos se tornaram menos sociais, com famílias menores, menor número de amizades, menor participação em clubes e associações comunitárias, etcétera. O título do livro faz alusão ao fato de que há cada vez mais pessoas jogando boliche nos EUA, mas cada vez menos clubes de boliche.
Estariam os dois fenômenos (crescente solidão do homem americano contemporâneo, crescente multiculturalização da sociedade) relacionados?
Não sei. Aconteceram mudanças demais desde os anos 60 nos EUA, e o multiculturalismo foi apenas uma delas. Na verdade, acho que todos os fenômenos radicais dos anos 60, como a luta contra os valores tradicionais, o extremismo político, o feminismo, a perda da religião, a revolução sexual, bem como a própria urbanização desordenada e a imigração cada vez maior causaram essa desagregação social. Não dá para colocar tudo na conta do multiculturalismo, embora este crie sim os seus problemas.
Celebrado até há pouco, hoje o multiculturalismo sofre uma chuva de críticas. Ângela Merkel, Nicolas Sarkozy, David Cameron, mas também vozes à esquerda começam a perceber que há alguma coisa errada, que o paraíso prometido da integração pacífica não aconteceu. Por quê?
Tenho a impressão que, como tantas coisas, algumas positivas mas muitas negativas, a idéia da sociedade multicultural surgiu nos campus universitários americanos. De fato, as universidades americanas são templos do multiculturalismo. Pessoas de todos os países, raças e religiões se misturam e convivem quase sempre em paz. Daí deve ter surgido a idéia de que, se isso funcionava na universidade, por que não deveria funcionar na sociedade como um todo?
Acho que a diferença é a seguinte: a universidade é um ambiente bem diverso da sociedade como um todo. Em primeiro lugar, as pessoas que habitam esse mundo são filtradas pelo QI e pelo nível social, quer dizer, estão ao menos um pouco acima da média no que se refere à inteligência e classe. Em segundo lugar, são pessoas mais abertas ao convívio e à troca cultural, ou nem estariam em uma instituição de nível superior. E, em terceiro lugar, convivem apenas algumas horas por dia e por um período específico da juventude.
Já na sociedade a integração pacífica entre grandes grupos de origens diversas é mais difícil. Vejam a triste história desta lojista francesa, arriscando a própria vida (já foi estuprada, roubada, apedrejada) para manter a sua lojinha em uma "zona sensível", isto é, em um bairro exclusivamente muçulmano de Paris. Locais onde até mesmo a polícia e os bombeiros evitam ir. Será o futuro da França a guerra civil?
Devemos diferenciar o multiculturalismo da imigração. A imigração sempre existiu, o multiculturalismo é algo relativamente novo. (Embora gregos e romanos tenham convivido em sociedades relativamente multiculturais, mas isso também seria tema para outro post). Anteriormente, havia na maior parte dos casos a expectativa de que o imigrante se adaptaria ao país ao qual emigrou, adotando a sua língua e seus costumes. Isso não acontecia em todos os casos, mas na maior parte. Hoje, a expectativa é exatamente a oposta: que o imigrante mantenha sua própria cultura, e que esta seja "respeitada" pela sociedade que o acolhe, mesmo que se trate de um hábito bárbaro como a extirpação do clitóris das mulheres.
Hoje o multiculturalismo é a política oficial em quase todas as capitais ocidentais. Em parte é o mero resultado de mudanças tecnológicas e sociais, mas em parte também foi forçado, contra os desejos da maioria da população, por governos e políticos mais interessados em votos do que no bem-estar social. Mas, assim como um pêndulo, as modas e as sociedades mudam. É bem provável que, assim como o dinheiro do welfare state está acabando rapidamente e levando a crises e conflitos em tudo que é lugar, também haja uma violenta reação contra o multiculturalismo nos próximos anos. E aí, salve-se quem puder.
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Terceiromundismo
1) O lixo. Sempre há lixo jogado pelas ruas dos países de terceiro-mundo (normalmente sendo vasculhados por cães vira-latas, gatos e/ou mendigos). Todos jogam o papel da bala que acabaram de comer no chão, ou mesmo atiram latas de coca-cola pela janela do carro. Associado a esse fenômeno, está a apatia: ninguém limpa a própria calçada, "esperam que o governo venha resolver".
2) O trânsito caótico. Ninguém respeita o sinal vermelho, e tanto faz atravessar na faixa de segurança ou não: o risco de ser atropelado é o mesmo. De fato, os pedestres ignoram a faixa tanto quanto os carros, atravessando a rua em qualquer lugar. Estacionamento em fila dupla, limpadores de vidros e flanelinhas são outros sinais claros de terceiromundice.
3) Empregos de faz-de-conta. Em sua maioria empregos públicos em que as pessoas fingem que trabalham, como é o caso do Brasil, onde o grande negócio é ser funcionário público federal. Mas também a existência de empregos idiotas, como por exemplo ascensorista. Uma pessoa que é paga para apertar botões. Sempre me espantei que isso existisse no Brasil (e ainda existe, ao menos nas repartições públicas: é o modo que o governo tem de "diminuir o desemprego").
4) Insegurança. Ricos vivendo atrás de muros em casas ultraprotegidas, tendo que pagar vigias privados, em casos extremos usando carros blindados, etc; mas insegurança também afetando pobres, que são assaltados no ônibus ou mortos por gangues.
5) Incompetência geral. Telefones públicos que nunca funcionam e que ninguém conserta. Estradas esburacadas idem. Lojas e restaurantes com serviço demorado e péssimo atendimento. Atenção: aqui a incompetência não é apenas a (esperada) do serviço público, mas das empresas privadas também.
Como se vê, primeiromundismo e terceiromundismo não têm a ver apenas com riquezas materiais. É uma questão de modo de pensar, eu quase diria de estado de espírito. O curioso é que, embora a terceiromundice seja facilmente exportável para os países de primeiro mundo (e, de fato, já há bairros de terceiro mundo em várias capitais americanas e européias), a recíproca não é verdadeira. Levar aos países de terceiro mundo o primeiromundismo (i.e. o oposto das características acima: limpeza, respeito às leis do trânsito, trabalho produtivo, segurança) é bem mais difícil.
Isso nos leva a pensar uma coisa. Considerando que a maioria do planeta é de "terceiro mundo", será que o terceiromundismo não é, na verdade, o default da humanidade, e que o primeiromundismo foi apenas uma aberração histórica e geográfica momentânea, que logo será eliminada e esquecida?
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domingo, 23 de agosto de 2009
Compaixão por terroristas
Há algo de podre no mundo ocidental. Talvez mereçamos mesmo morrer e ser destruídos sem piedade.
O terrorista responsável pelo atentado de Lockerbie, que matou 270 pessoas, foi solto pelas autoridades escocesas e retornou à Líbia, onde foi recebido como herói.
O motivo alegado é a compaixão: o pobre terrorista estava com câncer e morreria logo, mas há suspeitas que a verdadeira razão seja um lucrativo acordo comercial do Reino Unido com a Líbia. Parece ser uma explicação mais plausível. Negócios, negócios, justiça à parte.
Independentemente dos motivos, um articulista do Guardian, porta-voz maior do esquerdismo atual, celebrou a liberdade do terrorista, afirmando ser um "tributo à decência humana". Que um asno zurre asneiras, não é surpreendente. Mas o número de imbecis concordando nos comentários não deixa de ser algo arrasador.
270 pessoas morreram sem qualquer compaixão. O próprio terrorista preso jamais demonstrou qualquer arrependimento pelo massacre. Os líbios, os palestinos (também acusados de participação no atentado, ao lado do Irã), e por extensão todo o mundo islâmico, agora mesmo celebram seu herói e cospem coletivamente na cova dos 270 "infiéis" mortos.
Richard Fernandez observa que, ao mesmo tempo em que o terrorista foi solto, as autoridades inglesas prenderam uma adolescente acusada de cyberbulling no Facebook, dando a letra de quais são os crimes que realmente preocupam nossa superficial sociedade atual.
Mas o evento mostra principalmente que, na verdade, a tal "compaixão" progressista não passa de um narcisismo delirante. O importante é mostrar compaixão, aparecer aos outros como mais nobre, mais bom, defensor dos frascos e comprimidos, mesmo à custa de mais atentados, que fatalmente ocorrerão. O articulista do Guardian pode dar-se ao luxo de celebrar a "compaixão" por um terrorista pois não foram seus familiares os que morreram na explosão. Afinal, o importante é mostrar que "somos melhores do que eles". E, se de quebra ainda der para conseguir um milionário acordo petrolífero, que problema há?
Não, uma sociedade que libera um assassino de 270 pessoas, na maioria mulheres e crianças, após meros 7 anos de cadeia, não é uma sociedade "decente". É uma sociedade estúpida, em fase de câncer terminal.
O terrorista responsável pelo atentado de Lockerbie, que matou 270 pessoas, foi solto pelas autoridades escocesas e retornou à Líbia, onde foi recebido como herói.
O motivo alegado é a compaixão: o pobre terrorista estava com câncer e morreria logo, mas há suspeitas que a verdadeira razão seja um lucrativo acordo comercial do Reino Unido com a Líbia. Parece ser uma explicação mais plausível. Negócios, negócios, justiça à parte.
Independentemente dos motivos, um articulista do Guardian, porta-voz maior do esquerdismo atual, celebrou a liberdade do terrorista, afirmando ser um "tributo à decência humana". Que um asno zurre asneiras, não é surpreendente. Mas o número de imbecis concordando nos comentários não deixa de ser algo arrasador.
270 pessoas morreram sem qualquer compaixão. O próprio terrorista preso jamais demonstrou qualquer arrependimento pelo massacre. Os líbios, os palestinos (também acusados de participação no atentado, ao lado do Irã), e por extensão todo o mundo islâmico, agora mesmo celebram seu herói e cospem coletivamente na cova dos 270 "infiéis" mortos.
Richard Fernandez observa que, ao mesmo tempo em que o terrorista foi solto, as autoridades inglesas prenderam uma adolescente acusada de cyberbulling no Facebook, dando a letra de quais são os crimes que realmente preocupam nossa superficial sociedade atual.
Mas o evento mostra principalmente que, na verdade, a tal "compaixão" progressista não passa de um narcisismo delirante. O importante é mostrar compaixão, aparecer aos outros como mais nobre, mais bom, defensor dos frascos e comprimidos, mesmo à custa de mais atentados, que fatalmente ocorrerão. O articulista do Guardian pode dar-se ao luxo de celebrar a "compaixão" por um terrorista pois não foram seus familiares os que morreram na explosão. Afinal, o importante é mostrar que "somos melhores do que eles". E, se de quebra ainda der para conseguir um milionário acordo petrolífero, que problema há?
Não, uma sociedade que libera um assassino de 270 pessoas, na maioria mulheres e crianças, após meros 7 anos de cadeia, não é uma sociedade "decente". É uma sociedade estúpida, em fase de câncer terminal.
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
A solidão dos heróis
Lendo na Wikipedia um artigo sobre a poeta que citei ontem, Edna St. Vincent Millay, chamou-me a atenção este trechinho aqui:
Perceberam? Ontem como hoje, a virtude é solitária.
Ontem os literatos estavam mais preocupados em atacar os que defendiam a democracia contra os nazistas e os stalinistas. Hoje criticam quem ousa apoiar EUA ou Israel mas não quem apóia Amadinehjad ou qualquer grupo terrorista. Ser pró-terrorista é até chic.
Uribe luta sozinho contra uma guerrilha em uma América Latina quase toda sob governos socialistas que a apóiam, financeira ou moralmente. Os literatos em peso voltam-se contra o presidente colombiano, acusando-o de tudo o que não acusam o Chávez e companhia.
Apoiar Israel ou EUA é anátema. Mas defender o Hizballah e dizer que o Irã deve ter armas nucleares, é considerado "pacifismo".
Lutar pela democracia, contra o crime, contra tiranos e assasinos? Faça-o, por certo, mas não espere agradecimentos.
Não espere nenhuma recompensa pela virtude.
Sua reputação foi danificada pela poesia que ela escreveu em apoio ao esforço Aliado durante a II Guerra Mundial. Merle Rubin observou: "Ela parece ter recebido mais críticas dos literatos por apoiar a democracia do que EzraPound recebeu por apoiar o fascismo".
Perceberam? Ontem como hoje, a virtude é solitária.
Ontem os literatos estavam mais preocupados em atacar os que defendiam a democracia contra os nazistas e os stalinistas. Hoje criticam quem ousa apoiar EUA ou Israel mas não quem apóia Amadinehjad ou qualquer grupo terrorista. Ser pró-terrorista é até chic.
Uribe luta sozinho contra uma guerrilha em uma América Latina quase toda sob governos socialistas que a apóiam, financeira ou moralmente. Os literatos em peso voltam-se contra o presidente colombiano, acusando-o de tudo o que não acusam o Chávez e companhia.
Apoiar Israel ou EUA é anátema. Mas defender o Hizballah e dizer que o Irã deve ter armas nucleares, é considerado "pacifismo".
Lutar pela democracia, contra o crime, contra tiranos e assasinos? Faça-o, por certo, mas não espere agradecimentos.
Não espere nenhuma recompensa pela virtude.
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