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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A escola é necessária?

Há uma boa discussão no blog da Dicta & Contradicta sobre o tema do homeschooling. Enquanto este é proibido no Brasil, nos EUA já são mais de dois milhões de estudantes que aprendem unicamente com os pais, sem ir ao colégio.

Críticos do sistema dizem: a) que o aluno que não vai à escola perde oportunidades de socialização e b) que os pais não podem ser especialistas em matemática, física, biologia, história, etc.

A primeira acusação é, parece-me, infundada. Oportunidades de socialização não faltam em outros lugares. Depois, para alguns a escola pode até ser um período de momentos inesquecíveis em que se fazem amigos que duram para a toda a vida. Para muitos outros, no entanto, é apenas um pesadelo no qual se sofre constante bullying, há competição desenfreada para ver quem tem o tênis ou celular mais maneiro, a frase mais ouvida é "te pego no recreio", e -- nos dias de hoje -- violência, drogas, estupro coletivo e tiroteios estão se tornando quase comuns. (ver vídeos chocantes aqui). 

O segundo problema é real, mas nem tanto assim. Se é verdade que os pais não podem ser especialistas em tudo, também é verdade que é para isso que existem livros, caso necessário professores particulares ou tutores -- e a Internet.

A Internet, a meu ver, torna a escola praticamente desnecessária, ao menos para quem tem cérebro altamente desenvolvido e polegar opositor. Tudo está ali, basta saber procurar, e utilizar (como todas as ferramentas, também se presta a abusos). Não é à toa que hoje o grande negócio nos EUA são escolas e universidades online

Então, para que é necessária a escola? Bem, em primeiro lugar, é verdade que a solução do homeschooling não serve para todos. A escola sempre será necessária para a maioria da população, para todas as pessoas que não tem tempo ou condições de serem ao mesmo tempo pais e professores. Em segundo lugar, para ter filhos instruídos você precisa de pais instruídos. O esquema tampouco funciona com pais pobres semianalfabetos.

O problema é que, hoje em dia, a escola pública, e posteriormente a Universidade, virou uma fábrica de produzir pequenos marxistas. Pareceria que a sua grande função é criar pessoas acostumadas a acreditar que devem receber tudo de graça. Os estudantes já têm meia-entrada no cinemas. Agora querem transporte público a custo zero. Isso sem falar na lavagem cerebral sexológica, que querem instituir a idades cada vez menores, sabe-se lá com qual intuito.

Não acho que o homeschooling seja uma solução adequada a todos. Mas certamente é uma opção para muitos, e jamais deveria ser proibido, como (ainda?) ocorre no Brasil, este curioso país em que o presidente mais popular de sua história não terminou o primário e o deputado federal mais votado é analfabeto, mas ai de quem quiser educar os próprios filhos.