Caros amigos, vou dar uma pausa no blog. Não sei bem por quanto tempo, talvez só por algumas semanas. Já tinha planos de não postar até janeiro mesmo, pois este é um período naturalmente complicado, mas agora também surgiu uma certa confusão sobre o destino do blog.
O fato é que não sei mais o que quero dizer, e tenho que pensar um pouco e decidir em qual caminho seguir.
É o seguinte: recentemente, o tema racial tem sido objeto de polêmica aqui no blog. Eu mesmo, confesso, nunca soube bem como abordar o tema. Não tivesse ido morar nos EUA, e provavelmente jamais teria falado sobre o assunto. Porém, nos EUA, essa discussão racial é bem mais direta, e de certo modo é bom que seja assim. Impossível ignorar totalmente o assunto, por mais politicamente correto que se seja. Além disso, de fato estão acontecendo mudanças que definirão o destino do mundo nas próximas décadas, talvez séculos. Um desses temas certamente é a imigração. Podemos ignorar as diferenças raciais e culturais, e tentar fingir ou esperar que tudo vai dar certo e que tudo vai de algum modo se ajeitar. Mas e se não fosse bem assim? E se realmente existissem diferenças que não podem ser resolvidas de modo tão simples, só com mais "conscientização" e dinheiro público?
No outro dia, um marroquino matou cinco pessoas na Bélgica com granadas e um fuzil. No mesmo dia, um grupo de congoleses protestava contra as eleições do Congo -- não no Congo, mas em pleno centro londrino. Causaram confusão e atacaram pessoas que nada tinham a ver com a história. E, também na mesma semana, na Itália, dois imigrantes senegaleses foram mortos por um aparente militante neonazista, que depois se suicidou. Independentemente do que você pense sobre essas notícias e sobre a questão das diferenças raciais, religiosas e culturais, uma coisa é certa -- se não houvesse imigração, nenhum desses problemas estaria acontecendo.
Então é realmente um assunto urgente. O futuro do ocidente depende disso. Mas a verdade é que me sinto desconfortável ao tratar de certas questões. Até tenho curiosidade de ler sobre o assunto, mas não tenho vocação para porta-voz da "causa branca". Alguns leitores me acusam de não ir mais fundo na discussão de temas raciais, e querem pautar o blog. Acreditam que eu fique em cima do muro para não causar polêmica, ou para não descontentar os leitores que não acreditam em diferenças raciais, ou por não ter as ideias bem formadas ainda. Talvez eles tenham razão. Talvez eu não tenha estômago (certamente me incomoda quando algumas pessoas se expressam de forma extremamente desagradável, ou quando negam a dignidade básica humana de outros apenas por pertencerem a certo grupo racial.) Talvez outra pessoa deveria escrever sobre isso no meu lugar.
Nos EUA, há blogs moderados que tratam do assunto. No Brasil, é mais complicado, até porque é um tema que, me parece, tem menos relevância. Quero dizer que o Brasil, ao contrário de EUA e Europa, é e sempre foi uma nação mestiça, de maioria não-branca. Se houvesse uma pureza racial original perdida, seria aquela dos indígenas. Até acho um pouco de mau gosto falar sobre essa questão quando, sei lá, 70% da população é de raça mista. (EUA e Europa são diferentes pois até há poucas décadas tinham 90% de população branca européia).
Por um tempo achei que o Dextra fosse ser essa voz moderada no Brasil, mas me enganei. Talvez um dia surja outra pessoa mais preparada. Talvez essa pessoa seja algum leitor atual.
(Porém, dica: se você quer falar sobre temas raciais e ter mais do que três leitores, não chame os negros de macacos, não chame os cristãos de babacas, e não cante loas a Adolf Hitler. Pega mal! Ou, quer saber? Faça como achar melhor, afinal vai ser seu blog e não o meu!)
Este blog já tem quase quatro anos, e mudou bastante desde o seu começo. Alguns leitores fiéis ainda estão aí: Chesterton, Gunnar, Brancaleone e, muito de vez em quando, a Confetti. Outros chegaram, foram, e deixaram só saudades: RW, Augusto Nascimento, Pax, Tiago. Agradeço a todos pela constante leitura. A temática, originalmente libertária, depois virou meio neocon e mais adiante flertou com os paleocons. Mas no fundo jamais teve uma linha política muito definida, talvez porque nem eu mesmo saiba o que pensar sobre certas coisas. O blog, era, mais do que tudo, um contraponto ao onipresente discurso progressista que está aí. Um local contrário ao politicamente correto que impera em quase todo o mundo atualmente. Porém, para se escrever sobre algo com convicção é preciso ter as idéias mais claras. Não basta apenas ser do contra.
Por isso, acho que realmente eu preciso definir qual caminho seguir. Certamente vou continuar escrevendo, afinal é uma espécie de vício. Sempre com liberdade, tanto para mim quanto para os leitores. (Na realidade, quase nunca censurei ninguém, por mais nazista ou stalinista que fosse, e a única coisa que me irrita é quando tentam pautar o blog, ou quando a discussão civilizada dá lugar a xingamentos). Se quiser falar sobre raça, também vou falar. Mas estou sentindo que falta mesmo um embasamento maior, e para isto talvez seja preciso ler mais e escrever menos.
(Enquanto isso, comprem o livro, à venda na Amazon e CreateSpace).
Mais uma vez, desejo um Feliz Natal a todos. Nos vemos em 2012.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Terra da oportunidade e do débito
Falamos sobre riqueza e pobreza no outro dia, e de como elas são sempre relativas.
Será que, nestes tempos de crise geral, os EUA ainda seriam a "terra da oportunidade", onde qualquer um pode ascender socialmente desde que se esforce para isso?
A experiência de Adam Shepard pareceria dizer que sim. Com apenas 25 dólares no bolso, ele mudou-se para uma cidade desconhecida, com a idéia de começar do zero, sem utilizar nenhum de seus contatos nem informar ninguém que tinha curso superior. Após ficar alguns dias no homeless shelter, arranjou um emprego carregando móveis. Após dez meses tinha um carro usado e morava em um apartamento alugado em um bairro razoável da cidade, tendo também economizado 5.000 dólares. Sua experiência parece demonstrar que muito da questão de pobreza versus riqueza está na atitude.
Na mesma reportagem linkada acima, vemos como várias pessoas de classe média americana, em empregos simples como jardineiro, policial ou vendedor, levam um estilo de vida em alguns casos próximo ao nível da classe alta de países de terceiro mundo, ao menos no que se refere a conforto e lazer.
Então por que tanta reclamação? O que acontece é que, como pobreza e riqueza são relativas, o que configura "classe média" também é. As pessoas querem ter um estilo de vida cada vez superior ao dos vizinhos, e assim o custo de vida aumenta também. Muitos passam a viver no crédito, gastando além do que ganham. Quando o governo se mete no meio querendo "ajudar", ocorrem coisas como a housing bubble.
O grande problema mesmo é que a dívida dos EUA hoje é de 12 trilhões de dólares, ou 85% do PIB, e o governo continua gastando sempre muito mais do que ganha. Em 2009, por exemplo, o governo coletou 2,1 trilhões. Gastou quase 4. Naturalmente, o Obamacare e outros projetos faraobâmicos aumentarão ainda mais os gastos. Não é só a classe média que vive no crédito, é o país inteiro.
Portanto, um problema similar ao da Grécia não está fora do baralho. Com a diferença que, nos EUA, seria duzentas vezes pior e afetaria o mundo inteiro.
O documentário I.O.U.S.A. fala um pouco sobre tudo isso. Se a coisa estourar, serão muitos os que terão que se virar como Adam, recomeçando com apenas 25 dólares no bolso.
Será que, nestes tempos de crise geral, os EUA ainda seriam a "terra da oportunidade", onde qualquer um pode ascender socialmente desde que se esforce para isso?
A experiência de Adam Shepard pareceria dizer que sim. Com apenas 25 dólares no bolso, ele mudou-se para uma cidade desconhecida, com a idéia de começar do zero, sem utilizar nenhum de seus contatos nem informar ninguém que tinha curso superior. Após ficar alguns dias no homeless shelter, arranjou um emprego carregando móveis. Após dez meses tinha um carro usado e morava em um apartamento alugado em um bairro razoável da cidade, tendo também economizado 5.000 dólares. Sua experiência parece demonstrar que muito da questão de pobreza versus riqueza está na atitude.
Na mesma reportagem linkada acima, vemos como várias pessoas de classe média americana, em empregos simples como jardineiro, policial ou vendedor, levam um estilo de vida em alguns casos próximo ao nível da classe alta de países de terceiro mundo, ao menos no que se refere a conforto e lazer.
Então por que tanta reclamação? O que acontece é que, como pobreza e riqueza são relativas, o que configura "classe média" também é. As pessoas querem ter um estilo de vida cada vez superior ao dos vizinhos, e assim o custo de vida aumenta também. Muitos passam a viver no crédito, gastando além do que ganham. Quando o governo se mete no meio querendo "ajudar", ocorrem coisas como a housing bubble.
O grande problema mesmo é que a dívida dos EUA hoje é de 12 trilhões de dólares, ou 85% do PIB, e o governo continua gastando sempre muito mais do que ganha. Em 2009, por exemplo, o governo coletou 2,1 trilhões. Gastou quase 4. Naturalmente, o Obamacare e outros projetos faraobâmicos aumentarão ainda mais os gastos. Não é só a classe média que vive no crédito, é o país inteiro.
Portanto, um problema similar ao da Grécia não está fora do baralho. Com a diferença que, nos EUA, seria duzentas vezes pior e afetaria o mundo inteiro.
O documentário I.O.U.S.A. fala um pouco sobre tudo isso. Se a coisa estourar, serão muitos os que terão que se virar como Adam, recomeçando com apenas 25 dólares no bolso.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Você está preparado para o caos?
"You are about to enter a world of pain." A frase é do filme "The Big Lebowski", dos irmãos Coen, que assisti apenas recentemente. (É bem bacana, e é um filme que só poderia ter sido rodado em Los Angeles. Esses personagens excêntricos não caberiam em nenhum outro lugar.)
Mas voltando à frase: acho que resume como poucas o sentimento que percorre grande parte do mundo civilizado hoje em dia.
Ou, parafraseando Marx. Há um fantasma rondando o mundo. O fantasma do colapso global. Não, não uma mera crise: um colapso total.
Ei, não gosto de ser apocalíptico, mas é o que está no zeigeist. A passagem do Obamacare nada mais é do que o último baile da ilha fiscal. Après Obama, le deluge.
Em recente post, Richard Fernandez observou que vem uma tempestade aí. Coisa séria. Desvalorização da moeda, guerra e tudo mais. A crise não é apenas americana, é mundial. Se os EUA estão gastando o dinheiro que já não têm, a Europa (leia-se Alemanha e França) está para emprestar o dinheiro que tampouco tem à Grécia, para que esta não entre em bancarrota e puxe o euro junto. A China? Não se iludam: também enfrenta uma housing bubble particular. Os países árabes? Vejam o caso da crise em Dubai. Isso sem falar nos vários conflitos que ameaçam pipocar aqui e ali, dos quais os atentados em Moscou são um mero lembrete. Ninguém se salva tão facilmente dessa.
Mas é possível que quem fique pior sejam os EUA, simplesmente devido ao velho ditado: quanto maior a altura, maior a queda.
Em um artigo extremamente interessante, um russo fez uma comparação entre o colapso soviético pós-comunismo e um hipotético colapso americano. Segundo ele, os russos estavam bem melhor preparados do que os americanos, e por isso sofreram menos do que os americanos irão sofrer.
O raciocínio é simples. Os soviéticos estavam acostumados à fila do pão, à falta de combustível, ao racionamento, ao cortes de luz. "In Soviet Russia, you don't go to party, the Party goes to you."
Mas a América? Os EUA vivem um grande sonho, e ainda não acordaram. Sempre digo que o grande problema dos EUA foi a excessiva prosperidade. Só esta pode explicar tantos e tão absurdos gastos, a ilusão de querer dar "saúde grátis para todos" em um momento que não há dinheiro nem empregos.
Imagine então quando o colapso vier. Não digo uma mera crise passageira, digo uma crise geral, total, como ocorreu na Rússia após o fim do comunismo ou em Berlim nos anos 20. Quebra das instituições. Moeda desvalorizada. Hiperinflação. Falta de comida. Falta de água. Falta de eletricidade. Falta de Internet. Imagine uma multidão de gordos, que até ontem estavam brincando com seus iphones, andando pela cidade como zumbis, em busca não de uma conexão wifi, mas de água e comida. Vai ser o caos.
Multiculturalismo? As diversas culturas juntas enfrentando unidas as ameaças? Não creio. Gangues de negros e mexicanos lutarão entre si pelo direito de assaltar brancos e asiáticos. Não espere solidariedade entre árabes e armênios, ou entre indianos e judeus. Vai ser cada um por si.
Alguns poucos estarão bem preparados. É bem verdade que os EUA também são o país dos survivalists, e que as pessoas aqui desde pequenas vão se acostumando à idéia de um apocalipse vindouro. Quase todo blockbuster americano que se preze tem cenas de destruição, cataclisma, morte e horror. E, depois, 9/11, Katrina e os riots de 92 ainda estão presentes na memória coletiva. Mas a sensação é de que algo ainda pior virá.
Essa sensação só aumentou no governo Obama. Que a venda de armas e munições bateu todos os recordes não é segredo. Alguns vão além e estão construindo bunkers, com mantimentos de água e comida. Eu mesmo estou pensando em estocar água e alimentos, o que sempre é útil, mesmo em caso de terremotos. Nunca se sabe o que pode acontecer.
Os analistas apontam uma reprise da crise de 29 em escala global. Possivelmente seguida de guerra também. Ou o contrário, guerra seguida de crise. Basta o Irã atacar Israel, ou Israel atacar o Irã, ou a Coréia do Norte atacar a Coréia do Sul, ou a China atacar Taiwan, ou algum novo terrorista atacar os EUA com uma dirty bomb. Não só explode a guerra, como o preço do combustível sobe as alturas, o comércio mundial é interrompido, e inicia a escassez.
E não pense que o Brasil escapa dessa. Essa não vai ser uma mera "marolinha" não.
A questão não é mais se a crise global vai acontecer. A questão é apenas quando.
Você está preparado?
segunda-feira, 30 de março de 2009
2009, o ano em que vivemos perigosamente
O Chest reclamou, mas ando sem muito tempo para blogar esta semana. Observo no entanto uma série de eventos aparentemente randômicos, que no entanto podem modificar completamente o mundo em que vivemos ao longo de 2009.
Com a atual crise, a China está considerando a criação de uma moeda internacional alternativa ao dólar, o que enfraqueceria instantaneamente a moeda americana.
A Coréia do Norte anunciou que vai testar um míssil de longo alcance, e o Japão já avisou que vai reagir. O Irã, que prepara sua própria bomba, está colaborando com a Coréia do Norte.
Israel prepara-se para uma possível operação contra o beligerante Irã.
O Paquistão implode lentamente: até o fim do ano, o país (e suas armas nucleares) pode estar nas mãos de fanáticos radicais.
Obama, enquanto isso, demite o diretor da General Motors em preocupante intromissão estatal na iniciativa privada, e - mais do que com os graves eventos internacionais mencionados - parece preocupado com o "aquecimento global", querendo organizar acordos para reduzir ainda mais o crescimento das economias ocidentais. Como observa Richard Fernandez, a fraude do "aquecimento global" é acima de tudo uma questão de dinheiro: trilhões de dólares estão em jogo. E os vampiros da ONU querem a sua parte.
Como diz aquela maldição chinesa, vivemos em tempos interessantes...
Com a atual crise, a China está considerando a criação de uma moeda internacional alternativa ao dólar, o que enfraqueceria instantaneamente a moeda americana.
A Coréia do Norte anunciou que vai testar um míssil de longo alcance, e o Japão já avisou que vai reagir. O Irã, que prepara sua própria bomba, está colaborando com a Coréia do Norte.
Israel prepara-se para uma possível operação contra o beligerante Irã.
O Paquistão implode lentamente: até o fim do ano, o país (e suas armas nucleares) pode estar nas mãos de fanáticos radicais.
Obama, enquanto isso, demite o diretor da General Motors em preocupante intromissão estatal na iniciativa privada, e - mais do que com os graves eventos internacionais mencionados - parece preocupado com o "aquecimento global", querendo organizar acordos para reduzir ainda mais o crescimento das economias ocidentais. Como observa Richard Fernandez, a fraude do "aquecimento global" é acima de tudo uma questão de dinheiro: trilhões de dólares estão em jogo. E os vampiros da ONU querem a sua parte.
Como diz aquela maldição chinesa, vivemos em tempos interessantes...
sexta-feira, 27 de março de 2009
A inveja é uma merda
Faz alguns meses passou uma limusine ao meu lado enquanto eu esforçadamente subia a lomba em uma bicicleta. A limusine andava lentamente, e quase pude ver ou imaginar através dos vidros fumês o seu rico ocupante, bebendo champanhe cercado por belas mulheres, apontando para mim e rindo. Refreei o natural desejo de erguer o dedo médio na direção do imaginário ocupante do veículo, e segui adiante.
Ao mesmo tempo, do outro lado da rua, um mero pedestre me observava, verde de inveja da minha reluzente bicicleta que, afinal de contas, é um modelo novo e sofisticado que custou 500 dólares (tomem, invejosos!).
Aponto esse fato para indicar que a ocasional inveja é um fenômeno comum e bastante humano, mesmo em quem não acredita absolutamente que a igualdade social seja algo positivo ou natural.
O que a esquerda faz é canalizar a inveja natural do ser humano para insuflar a população e assim poder roubar dos ricos e daraos pobres a si mesmos em nome da "igualdade social" - já que, para muitos, o importante não é dar aos pobres, mas sim tirar dos ricos.
É demagogia da mais barata, mas sempre funciona. A empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, foi condenada a 94 anos de prisão, para mostrar que a "justiça" lulista também persegue os ricos. Enquanto isso, centenas de políticos, funcionários públicos, empresários amigos do PT, lucraram rios de dinheiro em casos que jamais irão aos tribunais. Não são pobres contra ricos, não. É a neo-aristocracia contra os capitalistas selvagens.
Nos EUA, a mesma coisa. Banqueiros e investidores de Wall Street são as bruxas do momento. Obama critica os "empresários gananciosos" da AIG que pagaram um bônus a seus CEOs com o dinheiro do "bailout". Detalhe: o bônus estava incluído na legislação que Obama assinou e, pelo visto, não leu. Afinal, melhor desviar o olhar para meros 167 milhões, quando alguns trilhões são acumulados nas mãos do governo Obama e seus aliados que fraudam o imposto de renda.
Mas é provável que ambos os casos, lá e cá, tenham sido planejados: os bônus foram incluídos propositalmente na legislação para depois poderem ser atacados e justificarem aumento dos poderes estatais, bem como a prisão da dona da Daslu é um ótimo pretexto para a intimidação e o achaque de vários outros empresários não-alinhados.
Reichstagsbrand, alguém?
De novo, a luta de classes nunca é de pobres contra ricos, é da nomenklatura contra a burguesia. Os pobres são só massa de manobra.
Atualização: Tanto Lula quanto os obamistas aumentam a excitação popular ao juntar o ódio racial ao ódio de classe. Quem critica Obama muitas vezes é tildado de racista. Já o Lula falou que a atual crise foi criada por "brancos de olhos azuis" para prejudicar negros e indígenas. A bizarra declaração causou estupor na mídia americana e inglesa (exemplos aqui, aqui e aqui). Afinal, todos sabem que os banqueiros malvados são sempre judeus.
Ao mesmo tempo, do outro lado da rua, um mero pedestre me observava, verde de inveja da minha reluzente bicicleta que, afinal de contas, é um modelo novo e sofisticado que custou 500 dólares (tomem, invejosos!).
Aponto esse fato para indicar que a ocasional inveja é um fenômeno comum e bastante humano, mesmo em quem não acredita absolutamente que a igualdade social seja algo positivo ou natural.
O que a esquerda faz é canalizar a inveja natural do ser humano para insuflar a população e assim poder roubar dos ricos e dar
É demagogia da mais barata, mas sempre funciona. A empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, foi condenada a 94 anos de prisão, para mostrar que a "justiça" lulista também persegue os ricos. Enquanto isso, centenas de políticos, funcionários públicos, empresários amigos do PT, lucraram rios de dinheiro em casos que jamais irão aos tribunais. Não são pobres contra ricos, não. É a neo-aristocracia contra os capitalistas selvagens.
Nos EUA, a mesma coisa. Banqueiros e investidores de Wall Street são as bruxas do momento. Obama critica os "empresários gananciosos" da AIG que pagaram um bônus a seus CEOs com o dinheiro do "bailout". Detalhe: o bônus estava incluído na legislação que Obama assinou e, pelo visto, não leu. Afinal, melhor desviar o olhar para meros 167 milhões, quando alguns trilhões são acumulados nas mãos do governo Obama e seus aliados que fraudam o imposto de renda.
Mas é provável que ambos os casos, lá e cá, tenham sido planejados: os bônus foram incluídos propositalmente na legislação para depois poderem ser atacados e justificarem aumento dos poderes estatais, bem como a prisão da dona da Daslu é um ótimo pretexto para a intimidação e o achaque de vários outros empresários não-alinhados.
Reichstagsbrand, alguém?
De novo, a luta de classes nunca é de pobres contra ricos, é da nomenklatura contra a burguesia. Os pobres são só massa de manobra.
Atualização: Tanto Lula quanto os obamistas aumentam a excitação popular ao juntar o ódio racial ao ódio de classe. Quem critica Obama muitas vezes é tildado de racista. Já o Lula falou que a atual crise foi criada por "brancos de olhos azuis" para prejudicar negros e indígenas. A bizarra declaração causou estupor na mídia americana e inglesa (exemplos aqui, aqui e aqui). Afinal, todos sabem que os banqueiros malvados são sempre judeus.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Momento Weimar
Com a crise econômica em pleno andamento e uma crise política internacional em preparação (diga "bomba nuclear iraniana"), com a cada vez mais gritante incompetência das elites governantes, o povo começa a mostrar sinais de irritação.
Já vimos protestos violentos na Grécia e em outros países europeus. Nos EUA, o descontentamento com os diversos pacotes trilionários que não conseguem resolver a crise aumenta cada vez mais. A popularidade de Obama caiu de 80% a 60% em um mês, e tende a piorar:

Articulistas como Takuan Seiyo observam o crescente descontentamento do povo com as elites progressistas transnacionais que impõe medidas impopulares como aumento de impostos, aumento da imigração, aumento do crime por meio de maior leniência aos criminosos, etc.
Estamos talvez iniciando a viver um período similar ao da República de Weimar na Alemanha, momento de crise econômica e descontentamento popular geral.
O grande problema é que depois de Weimar veio coisa muito pior.
Já vimos protestos violentos na Grécia e em outros países europeus. Nos EUA, o descontentamento com os diversos pacotes trilionários que não conseguem resolver a crise aumenta cada vez mais. A popularidade de Obama caiu de 80% a 60% em um mês, e tende a piorar:
Articulistas como Takuan Seiyo observam o crescente descontentamento do povo com as elites progressistas transnacionais que impõe medidas impopulares como aumento de impostos, aumento da imigração, aumento do crime por meio de maior leniência aos criminosos, etc.
Estamos talvez iniciando a viver um período similar ao da República de Weimar na Alemanha, momento de crise econômica e descontentamento popular geral.
O grande problema é que depois de Weimar veio coisa muito pior.
domingo, 1 de março de 2009
O lixo e o luxo
Bem no começo de um documentário sobre catadores de lixo que pode ser visto no Youtube, uma das próprias catadoras fala que a maioria dos que estão nessa vida é porque são "relaxados" e não querem trabalhar em empregos reais, e ali conseguem comida de graça. "Tem batata, tem tomate, tem tudo, é muito bom aqui". "Não troco este trabalho por nada", diz outra.
Pode parecer chocante para nós, mas acho que algo de razão a moça tem. Viver do lixo pode ser mais fácil do que trabalhar em um emprego formal. Menos saudável talvez, mas mais livre e até mais rentável. A indústria do lixo movimenta 8 bilhões de reais e, de acordo com este artigo, ser catador de lixo e vender o papel ou as latas para reciclagem dá mais dinheiro do que muito emprego por aí. O ramo tem inclusive seus micro-empresários, que comandam funcionários pagos com até três salários mínimos.
(Ou seja, essa história do "Ilha das Flores", de pobres seres humanos mais explorados do que porcos, era pura abobrinha pelo jeito.)
É certo que alguns ainda vêem aí a mão da exploração capitalista, e prefeririam que essas pobres pessoas estivessem recebendo ajuda estatal para não trabalhar em condições tão degradantes. Será que é mais digno viver catando lixo ou viver do bolsa-família?
Talvez viver do bolsa-esmola seja melhor, o problema é que os programas de "transferência de renda" dos ricos para os pobres são um fracasso. Em vez de gerar emprego, que é o que gera riqueza, geram um ciclo de dependência no qual produz-se cada vez menos. O pobre passa a viver do dinheiro do rico. O rico, garfado cada vez mais, produz cada vez menos. O único que termina feliz com esse esquema piramidal é o atravessador, também conhecido como Estado. Portanto, a "transferência de renda" não é dos ricos aos pobres, é dos ricos aos novos-ricos burocratas estatais e amigos do poder. Está aí a nova elite bolivariana que não me deixa mentir.
E, no entanto, um assistente de Obama afirmou, com a maior cara de pau, que o projeto obamista tem o objetivo de realizar "a maior redistribuição de renda dos ricos aos pobres já feita em 40 anos neztepaís." Desastre na certa.
Pare pra pensar. Por que motivo deveria haver uma "re-distribuição" de renda que ninguém distribuiu, e por que esta "redistribuição" deveria ser realizada, não pelos interessados, mas por terceiros que nada tem a ver com o assunto?
Nunca vou entender a fé que certas pessoas depositam no Estado, como se este não fosse formado por pessoas tão ou mais incompetentes do que eu e você. Os estatistas querem que cada vez mais dinheiro seja entregue a essa corja, e depois ainda se espantam com a corrupção e crise econômica que se seguem.
Faz pouco, o Partido Comunista Francês mudou de nome. Agora se chama Partido Anticapitalista. Dou-me conta que estive enganado o tempo todo: comunismo e socialismo não existem. Não enquanto sistemas políticos ou econômicos, ao menos. São, na verdade, meras narrativas criadas para as massas, para ocultar um desejo mais velho do que o homem - a acumulação de poder absoluto nas mãos de uns poucos. Dizer que é "para ajudar os pobres" ou para "criar uma sociedade mais justa" é apenas a desculpa que funciona melhor. Mas não se enganem: também podem falar em "pureza da raça" ou alguma outra frase que venha a calhar conforme o momento.
Do jeito que a coisa vai, com até os EUA entrando na canoa furada do estatismo, terminaremos todos vivendo do lixo. O problema é que, como na piada, talvez não haja lixo para todo mundo.
Pode parecer chocante para nós, mas acho que algo de razão a moça tem. Viver do lixo pode ser mais fácil do que trabalhar em um emprego formal. Menos saudável talvez, mas mais livre e até mais rentável. A indústria do lixo movimenta 8 bilhões de reais e, de acordo com este artigo, ser catador de lixo e vender o papel ou as latas para reciclagem dá mais dinheiro do que muito emprego por aí. O ramo tem inclusive seus micro-empresários, que comandam funcionários pagos com até três salários mínimos.
(Ou seja, essa história do "Ilha das Flores", de pobres seres humanos mais explorados do que porcos, era pura abobrinha pelo jeito.)
É certo que alguns ainda vêem aí a mão da exploração capitalista, e prefeririam que essas pobres pessoas estivessem recebendo ajuda estatal para não trabalhar em condições tão degradantes. Será que é mais digno viver catando lixo ou viver do bolsa-família?
Talvez viver do bolsa-esmola seja melhor, o problema é que os programas de "transferência de renda" dos ricos para os pobres são um fracasso. Em vez de gerar emprego, que é o que gera riqueza, geram um ciclo de dependência no qual produz-se cada vez menos. O pobre passa a viver do dinheiro do rico. O rico, garfado cada vez mais, produz cada vez menos. O único que termina feliz com esse esquema piramidal é o atravessador, também conhecido como Estado. Portanto, a "transferência de renda" não é dos ricos aos pobres, é dos ricos aos novos-ricos burocratas estatais e amigos do poder. Está aí a nova elite bolivariana que não me deixa mentir.
E, no entanto, um assistente de Obama afirmou, com a maior cara de pau, que o projeto obamista tem o objetivo de realizar "a maior redistribuição de renda dos ricos aos pobres já feita em 40 anos neztepaís." Desastre na certa.
Pare pra pensar. Por que motivo deveria haver uma "re-distribuição" de renda que ninguém distribuiu, e por que esta "redistribuição" deveria ser realizada, não pelos interessados, mas por terceiros que nada tem a ver com o assunto?
Nunca vou entender a fé que certas pessoas depositam no Estado, como se este não fosse formado por pessoas tão ou mais incompetentes do que eu e você. Os estatistas querem que cada vez mais dinheiro seja entregue a essa corja, e depois ainda se espantam com a corrupção e crise econômica que se seguem.
Faz pouco, o Partido Comunista Francês mudou de nome. Agora se chama Partido Anticapitalista. Dou-me conta que estive enganado o tempo todo: comunismo e socialismo não existem. Não enquanto sistemas políticos ou econômicos, ao menos. São, na verdade, meras narrativas criadas para as massas, para ocultar um desejo mais velho do que o homem - a acumulação de poder absoluto nas mãos de uns poucos. Dizer que é "para ajudar os pobres" ou para "criar uma sociedade mais justa" é apenas a desculpa que funciona melhor. Mas não se enganem: também podem falar em "pureza da raça" ou alguma outra frase que venha a calhar conforme o momento.
Do jeito que a coisa vai, com até os EUA entrando na canoa furada do estatismo, terminaremos todos vivendo do lixo. O problema é que, como na piada, talvez não haja lixo para todo mundo.
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sábado, 20 de dezembro de 2008
O futuro do socialismo
Agradeço aos que participaram da nossa pesquisa exclusiva (ver post abaixo). Fiquei aliviado em saber que a maioria é de "direita normal" e "direita tacanha", com alguns poucos de "esquerda" e "centro". É que visitando novamente o blog do Pedro Dória, descobri que há uma pá de gente que ainda acredita no Comunismo. Com comentários do tipo:
Enfim, confesso que às vezes me preocupo. Não obstante o total fracasso da experiência socialista - cem milhões de mortos! - ainda há quem queira repetir. Acho que o Olavo de Carvalho tem razão: a mentalidade revolucionária é uma forma de incapacidade intelectual, um retardamento mental auto-imposto. Não é que quem acredite no "socialismo" apenas tenha uma idéia política diferente da minha ou da sua; não - é realmente um celerado, uma pessoa que tem a mente torta e não consegue compreender nem os fatos básicos da vida:
Se alguém aqui nos seus áureos tempos de estudante já viveu compartindo uma casa com outras pessoas, sabe o complicado que é: sempre tem alguém não vai pagar a sua parte da conta da luz ou aluguel; alguém que vai brigar com outro alguém; alguém vai roubar a comida de outro alguém; alguém que vai chegar bêbado e fazer barulho todas as noites, etc. Pois bem, nossos amigos socialistas, que mal conseguiriam gerir uma pensão estudantil, acreditam que poderiam coordenar uma sociedade de milhões de pessoas com grande eficiência, com todos vivendo em igualdade e harmonia e paz, tudo graças a um "novo sistema mais justo".
A crise dos subprimes americana que os socialistas de plantão estão chamando agora de "crise do capitalismo", na verdade é uma crise causada justamente pelo inchaço do Estado, que se meteu onde não devia, obrigando os bancos por demagogia a emprestar dinheiro a membros de "minorias", que naturalmente não podiam pagar.
O estudo ainda aponta que o crescente welfare-state poderia ser também em parte responsável pela cada vez mais baixa taxa de natalidade nos países ocidentais:
Eu não só acredito, como vejo o socialismo avançando lento mas inexoravelmente no mundo todo.De fato, o socialismo - entendido como um Estado cada vez maior e mais presente na vida do indivíduo - de certa forma está avançando no mundo todo, e está aí o Obama que não me deixa mentir. Mas isso não é nada bom, ao contrário do que pensa nosso infeliz amigo, que conflui socialismo com a "eliminação do Estado", talvez ainda acreditando na velha teoria comunista de que, quando finalmente se chegar a último estágio da "evolução social", o Estado poderá ser abolido, pois todos viveriam felizes e em harmonia e este não seria mais necessário... (Esta parte da promessa socialista sempre me lembra esses emails nigerianos de alguém que promete depositar alguns milhões na sua conta. Socialismo é 171.)O futuro realmente será socialista.
Mas não acredito na eliminação do Estado, talvez num futuro distante, um Estado universal e a supressão dos países, como já está acontecendo na Europa.
Enfim, confesso que às vezes me preocupo. Não obstante o total fracasso da experiência socialista - cem milhões de mortos! - ainda há quem queira repetir. Acho que o Olavo de Carvalho tem razão: a mentalidade revolucionária é uma forma de incapacidade intelectual, um retardamento mental auto-imposto. Não é que quem acredite no "socialismo" apenas tenha uma idéia política diferente da minha ou da sua; não - é realmente um celerado, uma pessoa que tem a mente torta e não consegue compreender nem os fatos básicos da vida:
A mentalidade revolucionária é uma incapacidade adquirida, é uma privação de autoconsciência e de percepção. Por isso mesmo, é inútil discutir o "conteúdo" das idéias revolucionárias. Elas estão erradas na própria base perceptiva que as origina. Discutir com esse tipo de doente é reforçar a ilusão psicótica de que ele é normal.É por isso que eu não discuto mais com os "socialistas"do blog do Pedro Doria, pois descobri que seria como tentar dialogar com insanos em um asilo que acreditam ser Napoleão.
Se alguém aqui nos seus áureos tempos de estudante já viveu compartindo uma casa com outras pessoas, sabe o complicado que é: sempre tem alguém não vai pagar a sua parte da conta da luz ou aluguel; alguém que vai brigar com outro alguém; alguém vai roubar a comida de outro alguém; alguém que vai chegar bêbado e fazer barulho todas as noites, etc. Pois bem, nossos amigos socialistas, que mal conseguiriam gerir uma pensão estudantil, acreditam que poderiam coordenar uma sociedade de milhões de pessoas com grande eficiência, com todos vivendo em igualdade e harmonia e paz, tudo graças a um "novo sistema mais justo".
A crise dos subprimes americana que os socialistas de plantão estão chamando agora de "crise do capitalismo", na verdade é uma crise causada justamente pelo inchaço do Estado, que se meteu onde não devia, obrigando os bancos por demagogia a emprestar dinheiro a membros de "minorias", que naturalmente não podiam pagar.
O estudo ainda aponta que o crescente welfare-state poderia ser também em parte responsável pela cada vez mais baixa taxa de natalidade nos países ocidentais:
In the old days, it was understood clearly what manhood was: start a family, provide for it, defend it if necessary, yourself. With all of those things now outsourced to the state, what is the point of life? Does this not lead to a certain kind of slow creeping nihilism? And if there’s no point, why make a large family? This is the ultimate legacy of the baby boomers in Europe and to a lesser extent in the US. They overturned all known traditions in the 1960s, then started the accelerated the central power of the state in the decades since. And now we see the results.O grande problema é que, quanto mais o Estado causa problemas, mais as pessoas - agora transformadas em viciadas - querem que o Estado as ajude. O Estado, não: as pessoas que trabalham e pagam via imposto os auxílios e a casa própria dos que não trabalham. Até que um dia o dinheiro ou a paciência dos que pagam a farra acaba.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
O mundo que virá
Alguns leitores aqui, por motivos que desconheço, parecem não gostar muito nem de Olavo de Carvalho nem de Reinaldo Azevedo. E de J. P. Coutinho, o que será que acham? Eis o que ele escreve em sua última coluna sobre os distúrbios na Grécia:
Mas é compreensível: quando a coisa aperta, todos ou quase todos corremos para o braço dos pais protetores.
O problema é que papai gastou todo o dinheiro no cassino, e está devendo até as calças.
E agora toda uma geração acostumada ao Papai-Estado vai ter que aprender a ganhar o pão com o suor do rosto. Se é que vai haver pão e trabalho para todo mundo, é claro.
É como diz aquela piada: o otimista acha que em breve todos estaremos comendo bosta. O pessimista acha que não vai ter bosta pra todo mundo...
Quando vejo os pequenos selvagens da Grécia, é impossível não perceber o drama central desses meninos: habituados ao conforto e à segurança de um Estado que os trata como menores, eles continuam a esperar da entidade paternal o manto protetor das suas existências: no ensino, na saúde, no trabalho, na habitação, no consumo, na educação dos filhos e até, quem sabe, no fabrico deles. Inevitável: educados na dependência, eles não se distinguem dos mais básicos dependentes.O mundo está mudando, e não necessariamente para melhor. Todo um certo modo de vida está lentamente desmoronando. Curiosamente, ao mesmo tempo em que a Europa dá sinais de que o Velho Esquema está indo por água abaixo, a América de Obama quer importar a mesma idéia falida. Vai, naturalmente, se ferrar.
Infelizmente para eles, para a Grécia e para a Europa, o pai dá sinais de falência e os filhos terão que procurar a sopa noutras panelas. A violência de Atenas, que a prazo se espalhará pelas restantes cidades do continente, faz parte do processo. Crescer dói.
Mas é compreensível: quando a coisa aperta, todos ou quase todos corremos para o braço dos pais protetores.
O problema é que papai gastou todo o dinheiro no cassino, e está devendo até as calças.
E agora toda uma geração acostumada ao Papai-Estado vai ter que aprender a ganhar o pão com o suor do rosto. Se é que vai haver pão e trabalho para todo mundo, é claro.
É como diz aquela piada: o otimista acha que em breve todos estaremos comendo bosta. O pessimista acha que não vai ter bosta pra todo mundo...
domingo, 23 de novembro de 2008
Poema do domingo
Eu, que vivia fodendo,
Eu, que fodendo vivia,
Agora vivo fodido
Sem a tua companhia.
Manuel Bandeira * (1886-1968)
* ao menos de acordo com este site aqui.
Mais provável que seja apócrifo.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Ho ho ho, e uma garrafa de rum
Os piratas na costa da Somália são a grande praga do momento. Lembram os chamados barbary Pirates, que, então como agora, eram muçulmanos. Mera coincidência, estou certo...
Naquela época, países europeus pagavam pesados tributos aos piratas, até que a marinha dos Estados Unidos interveio e botou-os pra correr.
Hoje nem os americanos pretendem fazer algo contra os piratas. Graças à turma dos "direitos humanos", um pirata ou um terrorista tem mais direitos do que a maioria das pessoas. Sério: antigamente os piratas eram simplesmente enforcados no próprio barco ao serem capturados. Mas de acordo com as leis atuais, ao capturar um pirata, o capitão de um navio inglês ou americano não pode prendê-lo (muito menos levá-lo a Guantánamo) e seu país pode ainda ser obrigado a dar-lhe asilo político... Portanto, preferem deixá-los livres.
Vivemos em tempos literalmente insanos.

Naquela época, países europeus pagavam pesados tributos aos piratas, até que a marinha dos Estados Unidos interveio e botou-os pra correr.
Hoje nem os americanos pretendem fazer algo contra os piratas. Graças à turma dos "direitos humanos", um pirata ou um terrorista tem mais direitos do que a maioria das pessoas. Sério: antigamente os piratas eram simplesmente enforcados no próprio barco ao serem capturados. Mas de acordo com as leis atuais, ao capturar um pirata, o capitão de um navio inglês ou americano não pode prendê-lo (muito menos levá-lo a Guantánamo) e seu país pode ainda ser obrigado a dar-lhe asilo político... Portanto, preferem deixá-los livres.
Vivemos em tempos literalmente insanos.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Apocalipse now
O Spengler do Asia Times, otimista como sempre, afirma que todos aqueles que torceram pela Grande Crise do Capitalismo Americano e o final do papel "imperialista" dos EUA terão seus desejos prontamente atendidos.
Mas não gostarão nem um pouco do resultado.
Impedidos de agir pela crise e pelo inútil Obama, os EUA se fecharão sobre si mesmos. O resultado será uma Europa cada vez mais insegura e com conflitos intra-étnicos; guerra religiosa do Líbano ao Paquistão; aumento de armas nucleares em posse de elementos suspeitos; América Latina cada vez mais refém do tráfico e de neo-guerrilhas criminosas; Rússia retomando o Leste Europeu.
Não haverá vencedores; mas talvez alguém perca um pouco menos.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
O lado bom da crise (2)
A crise fez cair o preço do petróleo e os regimes autoritários de Irã e Venezuela estão em sérias dificuldades. O Chávez, por exemplo, não tem mais grana para enviar malas de dinheiro ou comprar dívidas da Argentina, e o governo peronista se vê forçado a roubar seus próprios cidadãos, que já pedem, "por favor, não nos ajudem mais".
Enquanto isso, um site sacaneia a Sarah "Drill baby drill" Palin, imaginando-a perfurando poços no jardim da Casa Branca. Até que é divertido, apesar das falsidades. Deveriam fazer um site similar pro Obama também.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O lado bom da crise
Talvez a crise econômica seja boa. Talvez até a presidência Obama seja boa. Explico por que.
O Primeiro Mundo (ainda se usa essa expressão?) vive um momento de insanidade. Tornou-se tão próspero e eficiente que agora seus habitantes não exigem menos do que a perfeição. O blogueiro Wretchard cita dois exemplos vindo da Inglaterra: o primeiro, uma família de imigrantes afegãos com sete filhos que foi colocada em uma mansão, ao custo estatal de 13 mil libras esterlinas por mês, porque de acordo com a lei britânica "uma família com sete filhos deve viver em uma casa de pelo menos 5 quartos" (é, existem leis na Orwelliana Inglaterra de hoje que regulam até isso). O segundo exemplo é o de uma família britânica, esta branca e de classe média, que processou a sua agência de viagens por não ter se divertido bastante durante as suas férias.
Muito tempo atrás, imigrantes estariam felizes de poder ter o teto de uma ponte cobrindo suas cabeças, e famílias agradeceriam aos céus por poder ter quaisquer férias, nem que fosse em Capão da Canoa. Hoje não; hoje não se aceita menos do que a perfeição.
É isso também que explica a provável eleição de Obama, e é por isso que a sua presidência, não podendo realizar a tão desejada "mudança" que seu público votante espera, só poderá terminar em desilusão. (Aliás, há um único modo de Obama manter seu status mítico e entrar na galeria de personagens lendários da política como Martin Luther King, John F. Kennedy, Ghandi, Itzhak Rabin... Sim, exato: tendo uma morte trágica durante o exercício do poder. Não que eu recomende isso, é claro: prefiro ver o Obama reduzido à sua condição de político medíocre que é, terminando sem glória um mandato impopular).
Por isso tudo, pode que seja boa uma crise econômica e uma presidência Obama: um choque de realidade sempre é bom para os que vivem no mundo da fantasia.
O Primeiro Mundo (ainda se usa essa expressão?) vive um momento de insanidade. Tornou-se tão próspero e eficiente que agora seus habitantes não exigem menos do que a perfeição. O blogueiro Wretchard cita dois exemplos vindo da Inglaterra: o primeiro, uma família de imigrantes afegãos com sete filhos que foi colocada em uma mansão, ao custo estatal de 13 mil libras esterlinas por mês, porque de acordo com a lei britânica "uma família com sete filhos deve viver em uma casa de pelo menos 5 quartos" (é, existem leis na Orwelliana Inglaterra de hoje que regulam até isso). O segundo exemplo é o de uma família britânica, esta branca e de classe média, que processou a sua agência de viagens por não ter se divertido bastante durante as suas férias.
Muito tempo atrás, imigrantes estariam felizes de poder ter o teto de uma ponte cobrindo suas cabeças, e famílias agradeceriam aos céus por poder ter quaisquer férias, nem que fosse em Capão da Canoa. Hoje não; hoje não se aceita menos do que a perfeição.
É isso também que explica a provável eleição de Obama, e é por isso que a sua presidência, não podendo realizar a tão desejada "mudança" que seu público votante espera, só poderá terminar em desilusão. (Aliás, há um único modo de Obama manter seu status mítico e entrar na galeria de personagens lendários da política como Martin Luther King, John F. Kennedy, Ghandi, Itzhak Rabin... Sim, exato: tendo uma morte trágica durante o exercício do poder. Não que eu recomende isso, é claro: prefiro ver o Obama reduzido à sua condição de político medíocre que é, terminando sem glória um mandato impopular).
Por isso tudo, pode que seja boa uma crise econômica e uma presidência Obama: um choque de realidade sempre é bom para os que vivem no mundo da fantasia.
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