quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A pilula da felicidade



Existe uma pílula da felicidade? O Fábio Marton passou um link para um website interessante, que parece saído de um romance de ficcção científica. É um grupo interessando em "paradise-engineering", isto é, na manipulação química do cérebro humano através de superdrogas, as quais não apenas terminariam com a angústia, o stress, a frustração como tornariam o cérebro mais potente, mais criativo e eventualmente permitiriam até obter a felicidade permanente.

Será que isso é possível? O argumento é que, sendo todo e qualquer sentimento mera química (dopamina, endorfina, etc.), não há razão para este não ser obtido através de drogas ou outros tipos de manipulação química. Sofrimento? Angústia? Pra quê? Tome Felizex.

Pessoalmente, confesso que, não sempre, mas em certas ocasiões, tenho certas tendências à depressão; ou melhor, nem chamaria de depressão, mas meramente de não-felicidade. É mais uma espécie de tédio com a vida, aquilo que os decadentistas franceses chamavam de ennui e os românticos ingleses de spleen. Existe uma pílula contra o ennui? Ou basta absinto?

Na verdade, como expliquei nos comentários lá embaixo (post sobre Huxley vs. Orwell), não creio muito que seja possível esse negócio de reengenharia mental:

As drogas não mudam o gênero humano, apenas alteram sua percepção e/ou comportamento, enfim, modificam a química do cérebro, mas não criam nada de novo. Talvez misturando-se com manipulação genética, mas mesmo assim, parece-me que a idéia de criar um ser melhor ou mais perfeito é inútil e impossível, ou só seria possível reduzindo a nossa consciência: isto é, transformando-nos em animais ou vegetais. São os cães ou as pulgas ou os rabanetes mais felizes do que nós? Acho que sim, se é que se pode chamar isso de felicidade.

Mas, mesmo aceitando que a felicidade perene nos humanos seja possível através do consumo de drogas sem qualquer efeito colateral (o que duvido, mesmo Prozac e similares causam diminuição da libido, por exemplo), é isso realmente benéfico?

Uma felicidade que independe completamente do nosso comportamento é realmente felicidade? E se a felicidade independe completamente do comportamento (basta tomar uma droga), para que mudar de comportamento?

Parece-me que a felicidade, como a pobreza, é um conceito meramente relativo. Comparamos constantemente com os outros ou conosco mesmos em outros períodos da vida.

Por outro lado, a depressão, quando ocorre, é de fato uma sensação que, ao menos em retrospecto, parece bastante inútil. Pergunto aos darwinianos presentes, em termos evolutivos, qual seria o valor da depressão? É um bug ou uma feature do ser humano? É possível erradicar a angústia existencial como outra doença qualquer?

Homo chemicus

12 comentários:

Fabio Marton disse...

Esses caras do site são alinhados com Peter Singer, mas eu dou um exemplo de pós-humanismo de outro ponto de vista ideológico.

Em primeiro lugar, vamos considerar que tratar depressão, transtorno bipolar, dda e outras "doenças" não totalmente disfuncionais (como esquizofrenia ou autismo) não é se tratar mais do que fazer uma plástica é tratar da "doença" chamada feiúra.

Digamos que você interprete a depressão como uma manifestação de um instinto primitivo de hierarquia social (é uma das explicações para ela). Enfrentá-la passa então a ter um significado político. Se faz sentido a tese de que classes baixas são deprimidas, faria até sentido pensar em um tratamento universal de depressão como garantia contra populismo.

Quem parece mais disposto a seguir um tirano, alguém com a personalidade despedaçada ou uma pessoa confiante? "Feliz" não é o mesmo que ratinho de laboratório com eletrodo no cérebro, isso é apenas excitado.

Bueno, estou escrevendo um livro sobre isso. É, sim, um bocado Frankenstein e um bocado perigoso. De realmente superar o que nos torna essa criatura caída acabemos com algo que não é mais um ser humano. Se isso é um mal em si também é discutível.

Anônimo disse...

Isso é bobagem. Em sua crítica devastadora do Idealismo Fisiológico, Kuunisem provou que uma tal perspectiva seria completamente incompatível com o Materialismo Dialético. Também Lenin, em seu Materialismo e Empiro-criticismo-um dos meus textos marxistas favoritos, nos dá a perspectiva correta para a análise dos fenômenos físicos e biológicos de acordo com o Materiaismo Dialético.
Tiago

Mr X disse...

Tiago, você está começando (?) a ser chato. Vá tomar Prozac. Se você é um gozador, saiba que perdeu a graça. Se você realmente acredita nessas merdas que diz, e realmente leu e acredita em todo esse lixo marxista, então tenho pena de você, é um completo bitolado. Idéias idiotas podem mesmo arruinar uma mente perfeitamente saudável.

Abs,

Anônimo disse...

Além disso, se DDA significa défice de atenção, ele pode não ser totalmente disfuncional, mas é um bocado disfuncional (independentemente de ser um fenômeno biológico ou cultural). Tanto é verdade que há um imenso mercado nos EUA-apoiado pelo Estado- de remédios direcionados a crianças supostamente portadoras da condição. Não há, por outro lado, tantos pais e professores e conselheiros e médicos querendo fazer plásticas nas crianças feinhas: só uns poucos casos desesperados são cogitados para plástica em tão tenra idade. Mesmo que torne sua vida mais difícil, ser feio não vai necesariamente privá-lo de uma vida decente; ter o intervalo de atenção de um peixe dourado vai. O mesmo vale para casos mais graves de depressão e fobias. Definitivamente, não é a mesma coisa que plática a não ser que carcarás tenham mastigado sua cara e elefantes tenham pisoteado seu corpo.
Além disso, a epidemia de doença psíquicas é um claro sintoma da decadência do modo de produção capitalista. Não adianta combater qimicamente a alienação do trabalhador ou do Lumpemproletariado: só se pode eliminar a alienação, brilhantemente diagnosticada por Marx, respeitando-se o caráter social da produção e expropriando-se o expropriadores.
Tiago

Anônimo disse...

Não, eu não sou bitolado. Eu estou CERTO. Para quem está errado, a distinção pode ser difícil de perceber.
Tiago

Chesterton disse...

São os cães ou as pulgas ou os rabanetes mais felizes do que nós? Acho que sim, se é que se pode chamar isso de felicidade.

chest- isso é uma bobagem monumental. Felicidade é atributo humano, logo só se aplica a humanos.
O tédio é fonte da força que (pelo menos em meu caso) leva a produzir alguma coisa de útil, de novo, de bacana, enfim é substrato fundamental para momentos de alguma coisa que se pode chamar de felicidade.

Chesterton disse...

Se faz sentido a tese de que classes baixas são deprimidas,...

chest- Marton, grandes afirmações precisam de grandes provas.

Fabio Marton disse...

Acho que vocês estão confundindo felicidade com um eletrodo no cérebro - nesse caso, um viciado em crack seria a pessoa mais feliz do mundo. Ou, o oposto, como Huxley, um estado de analgesia constante, caso em que nem é preciso se falar em cachorros e rabanetes, mas simplesmente que os mortos são mais "felizes" que os vivos. Não é 100% sem sentido, é o pressuposto do budismo, afinal de contas, que viver é dor.

Nem a dor pode ser definida em termos puramente neuroquímicos (a pessoa hipnotizada tem todos os canais de dor mas não a consciência dela). Alguém possivelmente se dirá feliz não pela sensação de estar alegre, mas por sua perspectiva existencial. Mas o fato é que muita coisa hardwired em nossa mente nos distancia da felicidade. Outro exemplo é o instinto de enjoar, de não poder estar satisfeito por muito tempo com o que já se conquistou. Aplicado às pessoas, significa que amor não pode, por motivos biológicos, durar mesmo muito tempo - e isso é, sim, uma causa de infelicidade gigantesca. Se casais fazendo terapia tomassem algo para que os ajudasse a renovar seu sentimento, isso seria considerado frankensteiniano?

Chesterton disse...

os opióides não tiram a dor, apenas alteram a noção ruim da dor. Eles a sentem , mas não se incomodam.
Esses caras querem transformar todos em imbecis sorridentes, os bobos-alegres de meu tempo de infancia.
Comeram a maçã da árvore do conhecimento? Sintam a "dor".....

Gunnar disse...

"Dizer que um crente é mais feliz do que um cético é como dizer que um bêbado é mais feliz que um sóbrio".
George Bernard Shaw.

Anônimo disse...

É hora de acordar

Para quem pensa que as mensagens publicadas têm sido brincadeira/alarmistas, desafia-se todas as pessoas a fazerem uma busca no Google: “H1N1 patent”.

Poderão verificar em diversos sites de informação alternativos, como “ahrcanum wordpress com”, “digitaljournal com” ou “globalresearch”, vários artigos de informação no que concerne ao vírus H1N1 (e outros vírus que ainda não fazem parte do conhecimento público) a PATENTE para as ”vacinas” do mesmo, requisitada pela empresa BAXTER INTERNATIONAL, INC., precisamente a mesma que está agora a produzir/vender as inoculações milagrosas.

É de notar que o vírus entrou pela primeira vez em acção em Março de 2009 no México, mas no entanto, a data de submissão da patente do mesmo, é reportada a

28 de AGOSTO DE 2008.

CERCA DE SETE MESES ANTES DO VÍRUS TER ENTRADO EM ACÇÃO.

Desafia-se ainda a todas as pessoas a fazerem uma outra busca no Google: “Jane Burgermeister” e poderão verificar que esta jornalista Austríaca (após VERDADEIRO TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO) intentou uma acção judicial contra a empresa Baxter, a World Health Organization, as Nações Unidas e algumas personalidades elitistas como David Rockefeller, David Rothschild e George Soros, por crimes de BIOTERRORISMO e TENTATIVA(?) DE EXTERMÍNIO MASSIVO DA POPULAÇÃO HUMANA.

Link para a patente da vacina:

http://www.theoneclickgroup.co.uk/documents/
vaccines/Baxter%20Vaccine%20Patent%20Application.pdf

INVESTIGUE, INFORME-SE

Anônimo disse...

Bernard Shaw foi um monstro que implorou pela criação de um gás que matasse mais rapidamente os judeus, pouco tempo depois surgiu o Zyklon B.