Desculpem a falta de posts. Estou cansado, amigos, cansado da hipocrisia da sociedade americana e mais especificamente dos progressistas que a dominam.
Vejam este grupo de estagiários da campanha Obama. Todos brancos bacanas de classe média. E é assim em toda parte, em qualquer campus universitário. Juro, vi bem mais negros e latinos fazendo campanha para o Ron Paul!
Olhem só, o progressismo nos EUA é basicamente uma luta de brancos de classe alta e média-alta contra brancos de classe média-baixa e baixa. Os mais ricos têm menos problemas com minorias porque vivem bem longe delas, então podem se dar ao luxo de criticar aqueles que vivem entre assaltantes negros e motoristas bêbados mexicanos ou radicais muçulmanos e viram "racistas." Afinal, ser racista ou anti-imigração é coisa de gente pobre e baixa! Gente fina vota em Obama.
Um bom comentário do blogueiro Half Sigma sobre essa questão (tradução adaptada):
Existem outros modos de se sentir superior a outras pessoas além de ter mais dinheiro do que elas. Se você voluntariamente (ou involuntariamente) escolhe uma carreira que não dá grande recompensa financeira, então você precisa encontrar outros modos de se sentir superior. É disso que o movimento SWPL (Stuff White People Like) trata, participar em uma cultura que te faz sentir superior a trabalhadores com menos educação mas que ganham tanto dinheiro quanto você. Em 1980, Tom Wolfe na Fogueira das Vaidades observou que emitir opiniões racistas é considerado coisa de classe baixa. Isso é ainda mais verdadeiro hoje. A classe baixa de brancos pode se sentir superior sendo racista contra os negros, mas as classes altas de brancos se sentem superiores às classes baixas de brancos tendo uma atitude mais nobre com as minorias, desde que elas não estejam em sua vizinhança.
Ou, como diz o Lawrence Auster, o sujeito de minoria racial ou imigrante não é visto pelo esquerdista como um ator moral, mas como mero objeto da piedade dos brancos progressistas. Segundo eles, o ser "minoritário" (índio, negro, travesti, muçulmano, traficante, mendigo, viciado em drogas, etc.) jamais age motivado pelos próprios interesses, mas está sempre apenas reagindo ao "racismo", ao "sistema", à "islamofobia", etc. Como atores morais nesse teatrinho há apenas o "branco bom", progressista, e o "branco mau", conservador. É claro que a própria definição de "branco" pode mudar, já que o latino peruano Zimmerman, linchado pela opinião pública, virou "branco americano" no momento em que se meteu com um negro. E há negros conservadores como Thomas Sowell e Walter Williams que, para todos os efeitos, são brancos, ou ao menos "Uncle Toms".
O fato é que os tais "nacionalistas brancos" estão loucos, afinal não há solidariedade étnica entre brancos americanos. Quando um branco ou um latino mata um negro, a comunidade afro-americana levanta-se em peso a favor da sua vítima. Mas quando um branco encontra-se em dificuldades, a comunidade em peso levanta-se... contra o branco. Acusando-o de racismo, claro. Um americano branco vai preferir contratar uma guatemalteca burra que odeia os EUA a um outro branco que pode competir com ele. Nos EUA, tudo é competição, tudo é status. As minorias são apenas peões neste jogo!
O que Ann Coulter, Steve Sailer, John Derbyshire e agora Robert Weissberg têm em comum? Simples, são todos conservadores que foram expulsos da revista conservadora National Review por emitirem opiniões... conservadoras.
Infelizmente, dei-me conta de uma coisa muito triste: 90% das pessoas são demasiado estúpidas para pensar por conta própria. Elas realmente acreditam no que lêem nos jornais ou vêem na televisão. Quem é que pensava ou falava em "casamento gay" há meros dez anos atrás? Hoje, no entanto, a maioria da população é a favor. E nem precisou muito esforço para promover essa idéia...
O lado B disso é que a opinião pública pode mudar da noite para o dia. Imagine que amanhã um governo de ultradireita tomasse o poder e o controle da mídia. Não tenho dúvidas que pouco tempo depois a maioria da população se tornaria também ultradireitista e repetiria slogans neonazis como um bando de zumbis! (Desculpem, minha crença na humanidade caiu muito nos últimos tempos.)
O Ocidente hoje está viciado no esquerdismo mais rasteiro. É como um viciado em crack. No começo você tenta ajudar. Depois você começa a cansar um pouco, mas ainda ajuda na medida do possível, afinal sabe que a culpa é da droga. Mas então, depois de tudo o que você fez por ele, quando ele rouba sua carteira para comprar mais crack e ainda te ameaça, você já desiste e manda ele para a pqp. Quando alguém cai numa fúria autodestrutiva, às vezes existe bem pouco que você pode fazer para ajudar.
Então, que importa se os jovens americanos continuam votando em Obama mesmo com ele acabando com os seus empregos? Que importa se esses mesmos jovens esquerdistas lutam pelos direitos dos ilegais que eles mesmos irão sustentar? Que importa que as universidades sejam meras usinas de propaganda esquerdista e promovam idéias que só servirão para destruir a sociedade? Que importa que os ditos conservadores estejam mais preocupados em respeitar os inimigos do que em lutar contra o esquerdismo? Que importa que o estado do bem-estar social vá endividar ainda mais a Europa e causar ruína econômica total? Que importa que os jovens de classe média brasileiros estejam mais preocupados em denunciar "torturadores" dos anos 60 do que em pedir prisão para os milhares de bandidos e assaltantes que ameaçam suas vidas hoje? Que importa que todo o edifício do Ocidente esteja ruindo?
O Ocidente é um viciado em crack e não escuta à razão. Às vezes, só terapia de choque resolve!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Os gritos do silêncio
No fim de semana da Páscoa, uma família de fazendeiros sul-africanos foi morta a tiros, incluindo uma bela garota de apenas 14 anos. Não é um caso isolado: desde o fim do apartheid, mais de 3165 fazendeiros "boer" brancos sul-africanos foram mortos por negros. Na maior parte das vezes, não há roubo algum, apenas execução sumária, em alguns casos precedidos de tortura e violência sexual.
Seria genocídio? Alguns dizem que se tratam apenas de vítimas de crime e, neste caso, o número de vítimas negras de crime (por outros negros) na África do Sul seria ainda maior. Porém, é claro que está tendo lugar uma perseguição aos fazendeiros brancos, querendo intimidá-los e expulsá-los de suas terras, como já aconteceu no Zimbabwe. Os "boer" resistem, mas, até quando?
É muito curioso que hoje ninguém fale da África do Sul. É quase como se o país de repente tivesse desaparecido do mapa. O fato é que a tal "nação arco-íris" prometida jamais se concretizou, e hoje o país está em situação bem pior do que durante o apartheid, seja para os brancos, seja para os negros.
Sim, os negros detém o poder, mas pode-se dizer que tenham um nível melhor de vida agora, quando a África do Sul virou a capital mundial dos estupros?
O apartheid era desigual, sem dúvida, mas observem uma coisa curiosa: durante essa época, em pleno apartheid, milhares de imigrantes africanos de outros países do continente migraram para lá. Pelo jeito, não faltavam negros querendo ser "oprimidos" pelos brancos safados. Hoje em dia, é o contrário. Não são apenas os brancos que estão emigrando da África do Sul, como até mesmo os negros mais qualificados, que acreditam ter melhores opções em outros lugares. O país virou um antro de violência e corrupção. Mas ninguém se importa...
É verdade que naquela época os brancos tinham uma posição privilegiada, e agora boa parte deles, sem ter mais o privilégio por lei, está vivendo na pobreza. Mas também é verdade que, salvo alguns negros que se deram bem como os mostrados nesse mesmo documentário do link, a situação ficou pior para quase todos. Eis aqui um blog documentando em fotos a decadência arquitetônica de Johannesburgo. Cry the beloved country...
A jornalista Ilana Mercer, sul-africana de nascença, fala um pouco sobre a situação atual de seu país no seu blog e no livro "Into the Cannibal's Pot". A destruição da África do Sul ocorreu em nome da tal "igualdade". Ou seja, a busca utópica de uma sociedade na qual todas as raças, culturas, etnias, "orientações sexuais" e religiões tenham o mesmo nível de vida, numa delirante igualdade, não de oportunidade, mas de resultados. É a ideologia em voga hoje no Ocidente, fazer o quê. Igualdade total, não de oportunidade ou perante a lei, mas de resultados. E nenhum esforço é medido nessa luta absurda.
Mas tal igualdade de resultados não é possível. Tal "fim do racismo" e "sexismo" não é possível, pois o fato de negros, índios, mamelucos e cafuzos terem em geral nivel de vida pior do que os brancos e asiáticos não tem NADA a ver com a escravidão, a opressão, ou o racismo brancos, assim como há uma explicação perfeitamente lógica para a diferença salarial entre homens e mulheres que nada tem a ver com o "sexismo". As pessoas e as culturas e as etnias e os sexos são diferentes e têm interesses diferentes e apresentam resultados diferentes, é apenas isso. E, salvo intervenção divina ou uma equalização forçada através da manipulação genética, ou então em um Estado Totalitário ao estilo de Harrison Bergeron, jamais serão todos de todo iguais. É isso. Se não acreditam, então esperem sentados pela igualdade, ou vocês irão cansar...
No mais, a morte de fazendeiros continua, é como cantava o pacifista Nelson Mandela: "matem os Boer."
![]() |
| Marthela Steenkamp (RIP, 1997-2012) |
É muito curioso que hoje ninguém fale da África do Sul. É quase como se o país de repente tivesse desaparecido do mapa. O fato é que a tal "nação arco-íris" prometida jamais se concretizou, e hoje o país está em situação bem pior do que durante o apartheid, seja para os brancos, seja para os negros.
Sim, os negros detém o poder, mas pode-se dizer que tenham um nível melhor de vida agora, quando a África do Sul virou a capital mundial dos estupros?
O apartheid era desigual, sem dúvida, mas observem uma coisa curiosa: durante essa época, em pleno apartheid, milhares de imigrantes africanos de outros países do continente migraram para lá. Pelo jeito, não faltavam negros querendo ser "oprimidos" pelos brancos safados. Hoje em dia, é o contrário. Não são apenas os brancos que estão emigrando da África do Sul, como até mesmo os negros mais qualificados, que acreditam ter melhores opções em outros lugares. O país virou um antro de violência e corrupção. Mas ninguém se importa...
É verdade que naquela época os brancos tinham uma posição privilegiada, e agora boa parte deles, sem ter mais o privilégio por lei, está vivendo na pobreza. Mas também é verdade que, salvo alguns negros que se deram bem como os mostrados nesse mesmo documentário do link, a situação ficou pior para quase todos. Eis aqui um blog documentando em fotos a decadência arquitetônica de Johannesburgo. Cry the beloved country...
A jornalista Ilana Mercer, sul-africana de nascença, fala um pouco sobre a situação atual de seu país no seu blog e no livro "Into the Cannibal's Pot". A destruição da África do Sul ocorreu em nome da tal "igualdade". Ou seja, a busca utópica de uma sociedade na qual todas as raças, culturas, etnias, "orientações sexuais" e religiões tenham o mesmo nível de vida, numa delirante igualdade, não de oportunidade, mas de resultados. É a ideologia em voga hoje no Ocidente, fazer o quê. Igualdade total, não de oportunidade ou perante a lei, mas de resultados. E nenhum esforço é medido nessa luta absurda.
Mas tal igualdade de resultados não é possível. Tal "fim do racismo" e "sexismo" não é possível, pois o fato de negros, índios, mamelucos e cafuzos terem em geral nivel de vida pior do que os brancos e asiáticos não tem NADA a ver com a escravidão, a opressão, ou o racismo brancos, assim como há uma explicação perfeitamente lógica para a diferença salarial entre homens e mulheres que nada tem a ver com o "sexismo". As pessoas e as culturas e as etnias e os sexos são diferentes e têm interesses diferentes e apresentam resultados diferentes, é apenas isso. E, salvo intervenção divina ou uma equalização forçada através da manipulação genética, ou então em um Estado Totalitário ao estilo de Harrison Bergeron, jamais serão todos de todo iguais. É isso. Se não acreditam, então esperem sentados pela igualdade, ou vocês irão cansar...
No mais, a morte de fazendeiros continua, é como cantava o pacifista Nelson Mandela: "matem os Boer."
domingo, 8 de abril de 2012
Poema do Domingo
HYSTERIA
by: T.S. Eliot (1888-1965)
S she laughed I was aware of becoming involved
- in her laughter and being part of it, until her
- teeth were only accidental stars with a talent
- for squad-drill. I was drawn in by short gasps,
- inhaled at each momentary recovery, lost finally
- in the dark caverns of her throat, bruised by
- the ripple of unseen muscles. An elderly waiter
- with trembling hands was hurriedly spreading
- a pink and white checked cloth over the rusty
- green iron table, saying: "If the lady and
- gentleman wish to take their tea in the garden,
- if the lady and gentleman wish to take their
- tea in the garden ..." I decided that if the
- shaking of her breasts could be stopped, some of
- the fragments of the afternoon might be collected,
- and I concentrated my attention with careful
- subtlety to this end.
- P.S. Sem posts novos por um tempo. Boa Páscoa a todos.
Quem se importa com o atum?
Os ecologistas preocupam-se muito com os golfinhos. Aqui nos EUA, as latas de atum tem o selo de garantia "dolphin safe". O que significa? Bem, os golfinhos - por uma razão que ainda se desconhece - costumam nadar junto com cardumes de atum. Os navios pesqueiros seguem os golfinhos para capturar o atum. Mas, algumas vezes, alguns golfinhos terminam mortos no processo.
Qual a proporção? Morre 1 golfinho para cada 100.000 atuns. Todos choram pelo golfinho. Mas, como disse alguém certa vez: e o atum? quem se importa com os cem mil atuns?
Tudo bem, também gosto de golfinhos. São mamíferos inteligentes, etcétera e tal. Mas fiquei pensando que essa seletividade é uma característica primária do progressismo. Vejam o Sakamoto, que está sempre chorando pelos "índios, mulheres negras e populações ribeirinhas". E a classe média? Causa-lhe nojo.
É o mesmo com o tal "casamento gay". Quantos gays existem no Brasil? Digamos, em uma estimativa generosa, que sejam 10% da população. Certamente o número de católicos e evangélicos praticantes a quem o assunto desagrada é maior. Mas sua opinião é desconsiderada. Quem se importa com a opinião do atum?
E assim com tudo. Se você é minoria, imigrante, disléxico, gay, paraplégico ou autista, não é que tenha a vida fácil, e com um desses problemas pode não ter mesmo, mas é que toda a sociedade bem-pensante se preocupa mais com você. Mesmo que seja uma preocupação completamente hipócrita, e na prática se reflita apenas na colocação de alguma foto no perfil do Facebook. No outro dia, por exemplo, uma amiga (amiga só de Facebook, entenda-se) reclamou em um post: "Tenho vergonha de ser sueca." A razão era que o seu país ia expulsar um ou dois imigrantes etíopes... Claro que ir para a Etiópia ajudar as criancinhas está muito longe de sua cabeça, ela só queria parecer mais descolada do que é. Os etíopes são os seus golfinhos...
O problema é que ser branco heterossexual ocidental cristão (BHOC) é considerado o "default" da civilização, e talvez seja mesmo. Há uma crença generalizada de que, não importa o que acontecer, ele será sempre o "opressor". E essa crença é comum mesmo entre a maioria dos BHOCs. Bem, tudo bem, mas às vezes fica chato quando todos choram por todos, mas ninguém chora por você.
Nós somos o atum.
Qual a proporção? Morre 1 golfinho para cada 100.000 atuns. Todos choram pelo golfinho. Mas, como disse alguém certa vez: e o atum? quem se importa com os cem mil atuns?
Tudo bem, também gosto de golfinhos. São mamíferos inteligentes, etcétera e tal. Mas fiquei pensando que essa seletividade é uma característica primária do progressismo. Vejam o Sakamoto, que está sempre chorando pelos "índios, mulheres negras e populações ribeirinhas". E a classe média? Causa-lhe nojo.
É o mesmo com o tal "casamento gay". Quantos gays existem no Brasil? Digamos, em uma estimativa generosa, que sejam 10% da população. Certamente o número de católicos e evangélicos praticantes a quem o assunto desagrada é maior. Mas sua opinião é desconsiderada. Quem se importa com a opinião do atum?
E assim com tudo. Se você é minoria, imigrante, disléxico, gay, paraplégico ou autista, não é que tenha a vida fácil, e com um desses problemas pode não ter mesmo, mas é que toda a sociedade bem-pensante se preocupa mais com você. Mesmo que seja uma preocupação completamente hipócrita, e na prática se reflita apenas na colocação de alguma foto no perfil do Facebook. No outro dia, por exemplo, uma amiga (amiga só de Facebook, entenda-se) reclamou em um post: "Tenho vergonha de ser sueca." A razão era que o seu país ia expulsar um ou dois imigrantes etíopes... Claro que ir para a Etiópia ajudar as criancinhas está muito longe de sua cabeça, ela só queria parecer mais descolada do que é. Os etíopes são os seus golfinhos...
O problema é que ser branco heterossexual ocidental cristão (BHOC) é considerado o "default" da civilização, e talvez seja mesmo. Há uma crença generalizada de que, não importa o que acontecer, ele será sempre o "opressor". E essa crença é comum mesmo entre a maioria dos BHOCs. Bem, tudo bem, mas às vezes fica chato quando todos choram por todos, mas ninguém chora por você.
Nós somos o atum.
Nunca diga que o rei está nu
O colunista John Derbyshire acaba de ser demitido da National Review, mais conhecida revista conservadora americana, por ter escrito em outra publicação um artigo considerado racista (nota, o artigo parece estar fora do ar agora). Um artigo no qual fala, basicamente, que é perigoso para brancos (ou asiáticos) andarem em bairros negros, ou frequentarem locais de maioria negra.
John Derbyshire é britânico mas mora há anos nos EUA. É casado com uma asiática e já foi figurante em um filme do Bruce Lee. Escrevia boas colunas, mas, desta vez, parce que resolveu chutar o balde. Talvez por ter recentemente sido diagnosticado com câncer. Seu artigo, afinal, é bem mais direto do que o que normalmente se vê na grande mídia por colunistas conhecidos.
O artigo tem, de fato, alguns trechos desagradáveis e não é nenhuma obra prima. Certamente não deve ser a melhor coisa que o Derbyshire escreveu. O argumento cínico de se ter um amigo negro para não ser considerado racista é uma piada de mau gosto, realmente até ofensivo, e alguns dos dados apresentados são discutíveis (de onde ele tirou os dados, não sei). Dito isso, o que mais incomodou os leitores parece que foi mesmo o fato de ter dito algo que todo mundo sabe e que não passa de bom senso -- se você é branco, é perigoso para você andar em um bairro negro e pobre.
O fato é que mesmo o mais radical esquerdista se cuida muito bem de passar longe do gueto, e em geral mora nos bairros mais bacanas e mais brancos da cidade. Então por que o escândalo com a coluna de Derbyshire? Acredito que a resposta esteja em uma antiga fábula, aquela na qual o rei andava pelas ruas com um suposto vestido invisível. O que Derbyshire disse não pode ser dito, não porque seja falso, mas porque todos temem que seja verdade. Se Derbyshire tivesse escrito que é perigoso andar por um bairro asiático, ou por um bairro indiano, seria igualmente considerado racista, mas todos apenas ririam dele. Afinal, o nível de crimes nesses bairros é bem menor, e não há uma hostilidade contra brancos, ao menos não tão forte como a que se vê nos bairros negros e pobres.
Pessoas que não moram nos EUA não entendem o nível de ódio existente dos negros contra os brancos, nem a incrível segregação que existe. No Brasil a situação é bem diferente, talvez devido à maior miscigenação. Claro, você se cuida de não entrar na Vila Cruzeiro ou no Complexo do Alemão, mas pode argumentar que o problema não é de raça, mas de pobreza. Bem, talvez seja, realmente não sei. Mas, nos EUA, os bairros mais perigosos são quase que exclusivamente os bairros negros (e talvez também alguns bairros latinos nos quais operam gangues). Diga-se que são perigosos tanto para brancos quanto para negros. Uma vez o ativista negro Al Sharpton respirou aliviado ao ver que os dois jovens que caminhavam atrás dele eram brancos...
É preciso esclarecer uma coisa. Não é preciso ser paranóico. Há negros que andam pacificamente pelas ruas, pelos mesmos lugares que brancos, amarelos e pardos. Hoje mesmo cruzei com várias famílias e grupos de afro-americanos, sem problema nenhum. Porém, o gueto negro é outra coisa, e um show de rap freqüentado quase que exclusivamente por negros, provavelmente também. O problema não são as famílias, mas são jovens negros entre 14 e 24 anos, que são 1% da população mas cometem 28% dos homicídios. Os dados são de um artigo de 1999, vai em inglês mesmo:
Resta o consolo de que, no futuro, com a total transformação dos EUA, não será perigoso andar apenas nos bairros negros. Também será perigoso andar nos bairros muçulmanos onde estarão todos os radicais, nos bairros mexicanos onde operarão os Zeta e outras gangues da droga, nos bairros salvadorenhos onde opera a MS-13, etc, etc...
O Rei pode até estar nu, mas é melhor não dizer isso para ninguém. Bye-bye, Derb!
John Derbyshire é britânico mas mora há anos nos EUA. É casado com uma asiática e já foi figurante em um filme do Bruce Lee. Escrevia boas colunas, mas, desta vez, parce que resolveu chutar o balde. Talvez por ter recentemente sido diagnosticado com câncer. Seu artigo, afinal, é bem mais direto do que o que normalmente se vê na grande mídia por colunistas conhecidos.
O artigo tem, de fato, alguns trechos desagradáveis e não é nenhuma obra prima. Certamente não deve ser a melhor coisa que o Derbyshire escreveu. O argumento cínico de se ter um amigo negro para não ser considerado racista é uma piada de mau gosto, realmente até ofensivo, e alguns dos dados apresentados são discutíveis (de onde ele tirou os dados, não sei). Dito isso, o que mais incomodou os leitores parece que foi mesmo o fato de ter dito algo que todo mundo sabe e que não passa de bom senso -- se você é branco, é perigoso para você andar em um bairro negro e pobre.
O fato é que mesmo o mais radical esquerdista se cuida muito bem de passar longe do gueto, e em geral mora nos bairros mais bacanas e mais brancos da cidade. Então por que o escândalo com a coluna de Derbyshire? Acredito que a resposta esteja em uma antiga fábula, aquela na qual o rei andava pelas ruas com um suposto vestido invisível. O que Derbyshire disse não pode ser dito, não porque seja falso, mas porque todos temem que seja verdade. Se Derbyshire tivesse escrito que é perigoso andar por um bairro asiático, ou por um bairro indiano, seria igualmente considerado racista, mas todos apenas ririam dele. Afinal, o nível de crimes nesses bairros é bem menor, e não há uma hostilidade contra brancos, ao menos não tão forte como a que se vê nos bairros negros e pobres.
Pessoas que não moram nos EUA não entendem o nível de ódio existente dos negros contra os brancos, nem a incrível segregação que existe. No Brasil a situação é bem diferente, talvez devido à maior miscigenação. Claro, você se cuida de não entrar na Vila Cruzeiro ou no Complexo do Alemão, mas pode argumentar que o problema não é de raça, mas de pobreza. Bem, talvez seja, realmente não sei. Mas, nos EUA, os bairros mais perigosos são quase que exclusivamente os bairros negros (e talvez também alguns bairros latinos nos quais operam gangues). Diga-se que são perigosos tanto para brancos quanto para negros. Uma vez o ativista negro Al Sharpton respirou aliviado ao ver que os dois jovens que caminhavam atrás dele eram brancos...
É preciso esclarecer uma coisa. Não é preciso ser paranóico. Há negros que andam pacificamente pelas ruas, pelos mesmos lugares que brancos, amarelos e pardos. Hoje mesmo cruzei com várias famílias e grupos de afro-americanos, sem problema nenhum. Porém, o gueto negro é outra coisa, e um show de rap freqüentado quase que exclusivamente por negros, provavelmente também. O problema não são as famílias, mas são jovens negros entre 14 e 24 anos, que são 1% da população mas cometem 28% dos homicídios. Os dados são de um artigo de 1999, vai em inglês mesmo:
Blacks make up 12 percent of the population, but accounted for 58 percent of all carjackers between 1992 and 1996. (Whites accounted for 19 percent.) Victim surveys -- and most victims of black criminals are black -- indicate that blacks commit almost 50 percent of all robberies. Blacks and Hispanics are widely believed to be the blue-collar backbone of the country's heroin- and cocaine-distribution networks. Black males between the ages of 14 and 24 make up 1.1 percent of the country's population, yet commit more than 28 percent of its homicides.
O artigo não é do Derbyshire nem de nenhuma webzine de direita, mas, acredite, o próprio New York Times, em um artigo assinado por um tal Goldberg! Só posso concluir que, à medida que os EUA ficam mais diversos, mais difícil e mais complicado fica se falar sobre qualquer coisa que seja relacionada com possíveis diferenças de comportamento entre os grupos étnicos e raciais que formam o país.
Resta o consolo de que, no futuro, com a total transformação dos EUA, não será perigoso andar apenas nos bairros negros. Também será perigoso andar nos bairros muçulmanos onde estarão todos os radicais, nos bairros mexicanos onde operarão os Zeta e outras gangues da droga, nos bairros salvadorenhos onde opera a MS-13, etc, etc...
O Rei pode até estar nu, mas é melhor não dizer isso para ninguém. Bye-bye, Derb!
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
O fim do Império Americano?
Um bom texto (em inglês) fala sobre o fim do Império Americano, vítima de uma futura balcanização. O autor, que assina apenas como Vox Day, aposta numa nova divisão dos EUA em linhas étnicas e raciais.
Bem, na verdade, as cidades americanas já são para lá de segregadas, ainda que voluntariamente. Cada comunidade mora em seu próprio bairro, chineses com chineses, japoneses com japoneses, iranianos com iranianos. Há algumas comunidades multiétnicas, mas são raras. Em geral o povo não se mistura muito.
E existem códigos de conduta que, embora não estejam escritos, são bem claros. Por exemplo, se algum branco entra por engano em algum bairro negro, pode terminar depenado até das roupas. Por outro lado, criminosos negros não costumam entrar nos bairros brancos mais ricos, pois certamente terão problema com a polícia (se cometerem crime em seu próprio bairro, a polícia fecha o olho).
É um caldeirão. Qualquer dia, os conflitos explodem a céu aberto, como já ocorreu nos anos 60, ou então nos anos 90 em Los Angeles.
Seria mesmo lícito falar em um fim do Império Americano? O paralelo com a decadência de Roma é tentador, mas não sei se exato. Até por que, sob alguns aspectos, o colosso americano parece estar longe de ruir. Ainda é militarmente o país mais poderoso da Terra e é pouco provável que outro país, mesmo a China, o supere. Enfrenta uma crise econômica, é certo, mas tem algum lugar do mundo que não a enfrente? A vida parece estar difícil em todos os lugares. E a sua indústria cultural continua a todo vapor com uma influência maior do que todos os outros países somados. A América ainda é uma marca que vende.
Porém, quanto mais alto se está, maior a queda. É bem possível que os EUA estejam hoje em dia em seu ponto inicial de decadência. Pode ser que seja uma decadência longa, de várias décadas; ou então é possível que tudo ocorra bruscamente, como no fim da URSS. Pode até ser que tudo se resolva com uma sangrenta guerra civil. Quem sabe?
Mas o mais provável mesmo é que a vida vá progressivamente ficando pior, sem que a maioria das pessoas entenda bem o porquê. Haverá mais crime, mais pobreza, mais insegurança, mais desgraça e menos dinheiro. Os esquerdistas colocarão a culpa "na direita", naturalmente, e insistirão com ainda maior número de políticas esquerdistas que só acelerarão a ruína.
Uma coisa que o tal Vox Day fala que achei interessante é o seguinte (traduzo mal e porcamente):
O problema é o de sempre: construir leva tempo, mas destruir é muito fácil...
Bem, na verdade, as cidades americanas já são para lá de segregadas, ainda que voluntariamente. Cada comunidade mora em seu próprio bairro, chineses com chineses, japoneses com japoneses, iranianos com iranianos. Há algumas comunidades multiétnicas, mas são raras. Em geral o povo não se mistura muito.
E existem códigos de conduta que, embora não estejam escritos, são bem claros. Por exemplo, se algum branco entra por engano em algum bairro negro, pode terminar depenado até das roupas. Por outro lado, criminosos negros não costumam entrar nos bairros brancos mais ricos, pois certamente terão problema com a polícia (se cometerem crime em seu próprio bairro, a polícia fecha o olho).
É um caldeirão. Qualquer dia, os conflitos explodem a céu aberto, como já ocorreu nos anos 60, ou então nos anos 90 em Los Angeles.
Seria mesmo lícito falar em um fim do Império Americano? O paralelo com a decadência de Roma é tentador, mas não sei se exato. Até por que, sob alguns aspectos, o colosso americano parece estar longe de ruir. Ainda é militarmente o país mais poderoso da Terra e é pouco provável que outro país, mesmo a China, o supere. Enfrenta uma crise econômica, é certo, mas tem algum lugar do mundo que não a enfrente? A vida parece estar difícil em todos os lugares. E a sua indústria cultural continua a todo vapor com uma influência maior do que todos os outros países somados. A América ainda é uma marca que vende.
Porém, quanto mais alto se está, maior a queda. É bem possível que os EUA estejam hoje em dia em seu ponto inicial de decadência. Pode ser que seja uma decadência longa, de várias décadas; ou então é possível que tudo ocorra bruscamente, como no fim da URSS. Pode até ser que tudo se resolva com uma sangrenta guerra civil. Quem sabe?
Mas o mais provável mesmo é que a vida vá progressivamente ficando pior, sem que a maioria das pessoas entenda bem o porquê. Haverá mais crime, mais pobreza, mais insegurança, mais desgraça e menos dinheiro. Os esquerdistas colocarão a culpa "na direita", naturalmente, e insistirão com ainda maior número de políticas esquerdistas que só acelerarão a ruína.
Uma coisa que o tal Vox Day fala que achei interessante é o seguinte (traduzo mal e porcamente):
Além da equivocada fé no poder transformativo da educação e da geografia, outra idéia errada por parte da aristocracia Americana é que o povo valoriza a civilização. Não é verdade. Eles podem valorizar seus frutos, mas poucas pessoas têm qualquer interesse em aceitar todas as limitações de comportamento que a construção e a manutenção de uma civilização requerem, e menos pessoas ainda têm a perspectiva ou a capacidade de entender a conexão entre os dois fatores. A civilização é uma construção frágil, e leva séculos, não anos ou décadas, para transformar um povo bárbaro em um povo civilizado. Considere que foram precisos 1.270 anos para que os Bretões se transformassem de um povo que pintava os traseiros de azul e praticava o sacrifício humano ao povo que criou a Abadia de Westminster e a Magna Carta, apesar da influência civilizadora de Roma. Levou ainda mais tempo para que as bárbaras tribos germânicas passassem da selvageria pura para a cultura cristã que gerou Mozart, Bach e Beethoven.
O problema é o de sempre: construir leva tempo, mas destruir é muito fácil...
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Ron Paul
Tive a oportunidade de assistir ao vivo a um discurso do Ron Paul. Interessante acima de tudo, sua popularidade entre os jovens: mais parecia um rock star. Que estudantes e jovens trabalhadores, normalmente apáticos em termos de política, ou então fanaticamente progressistas, tenham interesse por um candidato que prega governo mínimo e libertarianismo não deixa de ser refrescante. Eram mais de sete mil pessoas no estádio e algumas até ficaram de fora.
Os tópicos principais do discurso foram a mudança da política externa com o fim da participação militar dos EUA no Oriente Médio e em outros países (além da retirada de Iraque e Afeganistão, Paul quer a retirada das bases americanas na Europa, no Japão e na Coréia do Sul). Outro tópico importante foi a redução dos gastos do governo, que hoje transformaram o país na nação mais endividada do mundo. Mas o tópico mais aplaudido da noite foi o da liberdade individual contra um governo cada vez mais tirânico, incluindo-se aí a liberação das drogas, com base no princípio libertário de que não é crime contra terceiros.
Ron Paul, previsivelmente, não falou sobre imigração. Tendo por base seu credo libertário, parece ser um franco apoiador da teoria das "fronteiras abertas", ainda que naturalmente defenda o fim do welfare. (A audiência, por sinal, era bastante diversa, de maioria caucasiana mas com vários asiáticos, latinos e até alguns africano-americanos). Não entendo porque Paul seja popular entre alguns "nacionalistas brancos", talvez apenas por sua postura aparentemente contrária ao que eles chamam de "lobby sionista". Porém, o fato é que suas posições sobre imigração e até mesmo crime são bastante liberais. Por exemplo, em um dos debates, ele afirmou que as "minorias são injustamente perseguidas por leis anti-drogas". Bem, não exatamente, o fato é que as minorias estão mais envolvidas no tráfico de drogas, e portanto são presas com mais freqüência. Aliás, esse é na verdade um benefício indireto da criminalização das drogas: quem está envolvido com tráfico quase sempre está envolvido com outros crimes. Criminalizar as drogas é diminuir também a incidência de outros crimes, colocando muito mais bandidos na prisão.
Bem, mas estudantes, seja na USP ou nas universidades americanas, parecem gostar de fumar maconha, então sua liberação é claramente vista como algo positivo.
É muito pouco provável que Ron Paul seja o candidato escolhido nas primárias republicanas, e como ele já tem 76 anos esta é provavelmente sua última eleição. Mas seu sucesso entre os jovens dá esperança de uma possível renovação no eleitorado conservador. Sim, um eleitorado mais libertário e menos conservador social, mais interessado na "liberdade individual" do que nos aspectos religiosos e sociais do conservadorismo tradicional, mas ainda assim fã do princípio de que "quanto menos governo melhor".
Quando Paul falou em "escola austríaca de economia", rolaram aplausos e vivas entre a multidão. Algo impensável no Brasil, onde até a direita quer mais governo, e onde a única menção de "escola" que poderia ser recebida com aplausos seria talvez a referência a alguma escola de samba...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Apocalípticos e Integrados
"Apocalípticos e Integrados" é um livro do Umberto Eco que eu tinha que ler para a faculdade, séculos atrás, mas acho que nunca li. Gosto do título, de qualquer jeito.
Às vezes sou mesmo meio apocalíptico, como no post anterior, com direito a imagens de zumbis do Resident Evil. Não sei se exagerei, talvez não. Porém, muitas vezes nos concentramos nos exemplos extremos (para o bem e para o mal), esquecendo que há toda uma vasta gama de cinza entre um e outro.
Há, efectivamente, muitos imigrantes, talvez a maioria, que se tornam integrados ao sistema (mas são eles que se integram ao sistema, ou é o sistema que se integra a eles?). Bem, além disso, há também imigrantes qualificados que ajudam certamente a desenvolver o país, qualquer país. Os EUA podem ser um "paraíso (ou inferno) de diversidade", mas também são a maior potência do mundo, e isso, em parte é graças a imigrantes qualificados que vieram e continuam vindo.
Eu mesmo não posso ficar reclamando de "imigrantes parasitas", quando não deve faltar alguém que mora no país há gerações e me qualifica assim, talvez entre grunhir de dentes e cuspindo no chão ao me escutar falar com sotaque. Além disso, qual será o meu nível de contribuição à grande nação americana, se é que eu ficarei aqui por mais tempo? É pouco provável que eu chegue a ganhar um Nobel. Por outro lado, tampouco pretendo cometer crimes ou depender da assistência, portanto suponho que eu me encontre no meio-termo da maioria dos imigrantes, nem em um extremo nem em outro.
Acho que eu teria menos problemas com a imigração se não parecesse haver um plano (e, se não há um plano, de qualquer modo este está sendo o resultado) de inversão de prioridades. Em vez de privilegiar a entrada a a reprodução e o progresso dos bons, estimula-se a entrada e a reprodução e o avanço dos maus. O Sistema premia os ilegais à frente dos legais, os usurpadores à frente dos trabalhadores, os mentirosos à frente dos honestos, os dependentes à frente dos empreendedores.
Se eu tivesse algum cargo político, minha sugestão seria a de diminuir o coitadismo e instituir políticas que visem uma imigração mais qualificada. Por exemplo, acabar imediatamente com a ajuda estatal a imigrantes seria um bom começo. Se você vem para um outro país, deve ser para trabalhar e pagar impostos, não ser sustentado pelos outros. Eu também acabaria com a admissão de refugiados. A verdade é que a maioria deles são mentirosos, inventando histórias falsas de sofrimento e horror (sei por experiência com alguns que conheci, e porque, como eu disse, o sistema funciona de modo a incentivar a mentira). Sim, alguns casos específicos de dissidentes políticos poderiam ser considerados, mas não muito além disso. O resto pode ser auxiliado em seu próprio país. Pessoas com estudo seriam valorizadas, naturalmente e, além disso, eu estabeleceria um teste básico de inteligência, para evitar os casos perdidos. Discriminação? You betcha.
Porém, a verdade é que não podemos ficar separando as coisas, quando tudo faz parte de um sistema holístico, para usar uma palavra da moda. O problema da imigração massiva não é algo isolado, mas faz parte de todo um complexo de decadência ocidental que vem se manifestando já há gerações, talvez mesmo já desde a Primeira Guerra Mundial. Uma perda na crença na própria civilização, na própria crença de que exista algo que foi já chamado Ocidente.
Pois não é só o imigrante que é visto como um coitadinho, mas o próprio criminoso, a figura anti-social, o Mal por excelência, ele, o literal vilão, é visto como "vítima da sociedade". No texto abaixo passei um link sobre violentas gangues de "afro-ingleses" que em um dos vários tiroteios que realizaram pela cidade acertaram em uma menininha indiana de 5 anos, deixando-a paralítica. A manchete diz que "pegaram vinte anos". Parece quase razoável, até que você lê que vinte anos é o total da soma dos sete integrantes pesos. Pegaram menos de três anos cada um. Uma sociedade que não consegue mais separar o bem do mal, que protege o criminoso enquanto esquece da vítima, é uma sociedade perdida.
Mas como voltar ao que se era? Podem-se reconstruir as ruínas do Império Romano?
P.S. Existe um ditado no futebol que diz, "quem não faz, leva". Quem não ataca, é atacado. Acho que o mesmo é válido para as civilizações. Expande-se ou contrai, não tem alternativa. Os muçulmanos já colonizaram quase toda a península ibérica, quase por milagre foram expulsos e imediatamente após portugueses e espanhóis lançaram-se à exploração marítima continental. As Cruzadas foram também uma reação às invasões islâmicas. Quando Roma parou de invadir e saquear, foi invadida e saqueada. Os europeus invadiram e povoaram meio mundo, agora que estão parados recebem de volta o filho bastardo de seus empreendimentos coloniais. "Papai, estou aqui."
Isto chocará alguns, mas acho que sou a favor da recolonização do Terceiro Mundo por povos europeus. Crescei e multiplicai-vos. Demografia é destino. Quem não faz, leva. Aqui se faz, aqui se paga. Mió nudez que nu nosso. E todos os outros clichês.
Porém, a verdade é que não podemos ficar separando as coisas, quando tudo faz parte de um sistema holístico, para usar uma palavra da moda. O problema da imigração massiva não é algo isolado, mas faz parte de todo um complexo de decadência ocidental que vem se manifestando já há gerações, talvez mesmo já desde a Primeira Guerra Mundial. Uma perda na crença na própria civilização, na própria crença de que exista algo que foi já chamado Ocidente.
Pois não é só o imigrante que é visto como um coitadinho, mas o próprio criminoso, a figura anti-social, o Mal por excelência, ele, o literal vilão, é visto como "vítima da sociedade". No texto abaixo passei um link sobre violentas gangues de "afro-ingleses" que em um dos vários tiroteios que realizaram pela cidade acertaram em uma menininha indiana de 5 anos, deixando-a paralítica. A manchete diz que "pegaram vinte anos". Parece quase razoável, até que você lê que vinte anos é o total da soma dos sete integrantes pesos. Pegaram menos de três anos cada um. Uma sociedade que não consegue mais separar o bem do mal, que protege o criminoso enquanto esquece da vítima, é uma sociedade perdida.
Mas como voltar ao que se era? Podem-se reconstruir as ruínas do Império Romano?
P.S. Existe um ditado no futebol que diz, "quem não faz, leva". Quem não ataca, é atacado. Acho que o mesmo é válido para as civilizações. Expande-se ou contrai, não tem alternativa. Os muçulmanos já colonizaram quase toda a península ibérica, quase por milagre foram expulsos e imediatamente após portugueses e espanhóis lançaram-se à exploração marítima continental. As Cruzadas foram também uma reação às invasões islâmicas. Quando Roma parou de invadir e saquear, foi invadida e saqueada. Os europeus invadiram e povoaram meio mundo, agora que estão parados recebem de volta o filho bastardo de seus empreendimentos coloniais. "Papai, estou aqui."
Isto chocará alguns, mas acho que sou a favor da recolonização do Terceiro Mundo por povos europeus. Crescei e multiplicai-vos. Demografia é destino. Quem não faz, leva. Aqui se faz, aqui se paga. Mió nudez que nu nosso. E todos os outros clichês.
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domingo, 1 de abril de 2012
Imigração, ou: O Dilúvio, ou: Salve-se quem puder
Leio uma história abjeta sobre imigração no LA Times (Conte com este jornal para as mais lacrimejantes histórias sobre pobres imigrantes mexicanos ilegais oprimidos pelo sistema). Resumindo, é o seguinte: um imigrante ilegal morou vários anos nos EUA. Encontrou uma drogada branca white trash que já tinha 4 filhos com pais diferentes. Teve mais três filhos com ela enquanto dedicava-se a pequenos trabalhos, recebia assistência social do governo (como, se seu status era de ilegal? mistério) e dirigia sem carteira. Preso, foi deportado. Pouco depois a mãe drogada perdeu a custódia das crianças, por incapacidade. Felipe (ou Pedro, não lembro) quer que as crianças venham com ele para o México. Mas, vejam só a ironia do destino, os assistentes sociais não querem. Preferem que as crianças fiquem nos EUA e sejam adotadas. Um dos motivos alegados é que as condições de vida no México não são boas para uma criança... Pedro (ou José) não quer ser afastado de seus filhos, e garante que cruzará a fronteira de novo ilegalmente.
Tenho uma visão ambígua sobre a imigração. Sou um imigrante e às vezes acharia bom que fosse possível para qualquer um (ou bem, qualquer um com diploma e bons antecedentes) se estabelecer e trabalhar nos EUA, no Canadá, na Austrália, na França ou na Itália ou, vá lá, até no México se fosse o caso. Às vezes imagino um mundo de fronteiras abertas, sem vistos ou complicados processos de imigração, e penso que facilitaria muito a minha vida. Por outro lado, o problema com essa teoria é a lei da oferta e demanda. Há muito mais pessoas querendo morar nos EUA e na França do que no México ou na Zâmbia. E se o requisito passa a ser apenas que "as condições de vida no Terceiro Mundo não são boas", bem, isso justificaria a mudança de 90% da população do planeta para os poucos países de Primeiro Mundo ainda existentes.
O problema é o seguinte. Imigração massiva de terceiromundistas transforma onde quer que eles vão em Terceiro Mundo. Ilude-se quem acha que basta cruzar a fronteira para transformar-se num cidadão de bem e cumpridor das leis. O México é o México por alguma razão. A lógica dos imigrantes e dos esquerdistas é que os imigrantes têm direito a buscar uma vida melhor. Certo, mas o que na verdade acontece é que muitos deles tornam a vida pior para os nativos do Primeiro Mundo, incluídos aí os esquerdistas. Não é que os mexicanos nos EUA ou os muçulmanos na Europa irão transformar-se em americanos ou europeus da gema por mágica da geografia, mas o contrário, que transformarão seus novos habitats em reflexo de sua própria cultura.
Que tantas pessoas não consigam entender esse fato elementar é um dos grandes mistérios da era moderna.
Quem ganha com a imigração massiva do Terceiro Mundo para o Primeiro? Muito fala-se sobre as tais elites globalistas, que às vezes é eufemismo para outro grupo Inominável, mas custo a ver como ganhariam com um mundo que fosse todo ele como uma África, uma América Latina ou um Oriente Médio. Um mundo assim, em que a Europa e EUA se indiferenciassem da América Latina seria pior para os americanos, para os europeus, e até mesmo, em última análise, para os mexicanos e zambianos, que não mais poderiam receber qualquer tipo de ajuda. Seria ruim para brancos, negros, amarelos, judeus, muçulmanos e budistas. Para gregos e troianos. Enfim, seria um desastre! Não haveria nem mesmo para onde emigrar, fora quem sabe algum outro planeta.
Qual a solução? Uma delas seria a de privilegiar a entrada de imigrantes mais qualificados, e limitar a de imigrantes-problema. O Canadá parece ter uma política imigratória melhor do que a dos EUA (onde a vinda de imigrantes qualificados é dificultada e a permanência de ilegais é privilegiada). Exige-se um certo número de anos de estudo, bem como várias outras qualificações. Por outro lado, mesmo as grandes cidades do Canadá hoje transbordam com refugiados muçulmanos, e prevê-se que o seu número aumentará. Qual será o ponto-limite após o qual um país muda sua cultura irreversivelmente?
A imigração, naturalmente, é só a porta de entrada. As novas gerações já não são mais de estrangeiros, mas de cidadãos legítimos que nem podem ser deportados. Os simpáticos jovens da "Guns and Shanks Gang", que tanto contribuem para o futuro da Inglaterra, são, segundo as leis, britânicos da gema.
Bem, como disse certa vez Luís XV (ou talvez sua amante a Madame de Pompadour), "depois de mim, o dilúvio". A mentalidade de muitos imigrantes (inclusive, provavelmente, a minha) é apenas a de melhorar a própria vida, não a de se preocupar com o futuro das nações ou do planeta.
O Primeiro Mundo, isto é, este pequeno grupo de países privilegiados pelo QI de sua população, pela sua cultura, pelas suas leis e pelos seus séculos de desenvolvimento civilizatório, talvez tenha sido uma aberração histórica. Penso que no futuro os Estados-Nação se desmantelarão, e voltaremos a uma espécie de feudalismo, com pequenos grupos de pessoas mais ricas e espertas encasteladas em fortalezas e, lá fora, rugindo, as hordas de bárbaros.
Tenho uma visão ambígua sobre a imigração. Sou um imigrante e às vezes acharia bom que fosse possível para qualquer um (ou bem, qualquer um com diploma e bons antecedentes) se estabelecer e trabalhar nos EUA, no Canadá, na Austrália, na França ou na Itália ou, vá lá, até no México se fosse o caso. Às vezes imagino um mundo de fronteiras abertas, sem vistos ou complicados processos de imigração, e penso que facilitaria muito a minha vida. Por outro lado, o problema com essa teoria é a lei da oferta e demanda. Há muito mais pessoas querendo morar nos EUA e na França do que no México ou na Zâmbia. E se o requisito passa a ser apenas que "as condições de vida no Terceiro Mundo não são boas", bem, isso justificaria a mudança de 90% da população do planeta para os poucos países de Primeiro Mundo ainda existentes.
O problema é o seguinte. Imigração massiva de terceiromundistas transforma onde quer que eles vão em Terceiro Mundo. Ilude-se quem acha que basta cruzar a fronteira para transformar-se num cidadão de bem e cumpridor das leis. O México é o México por alguma razão. A lógica dos imigrantes e dos esquerdistas é que os imigrantes têm direito a buscar uma vida melhor. Certo, mas o que na verdade acontece é que muitos deles tornam a vida pior para os nativos do Primeiro Mundo, incluídos aí os esquerdistas. Não é que os mexicanos nos EUA ou os muçulmanos na Europa irão transformar-se em americanos ou europeus da gema por mágica da geografia, mas o contrário, que transformarão seus novos habitats em reflexo de sua própria cultura.
Que tantas pessoas não consigam entender esse fato elementar é um dos grandes mistérios da era moderna.
Quem ganha com a imigração massiva do Terceiro Mundo para o Primeiro? Muito fala-se sobre as tais elites globalistas, que às vezes é eufemismo para outro grupo Inominável, mas custo a ver como ganhariam com um mundo que fosse todo ele como uma África, uma América Latina ou um Oriente Médio. Um mundo assim, em que a Europa e EUA se indiferenciassem da América Latina seria pior para os americanos, para os europeus, e até mesmo, em última análise, para os mexicanos e zambianos, que não mais poderiam receber qualquer tipo de ajuda. Seria ruim para brancos, negros, amarelos, judeus, muçulmanos e budistas. Para gregos e troianos. Enfim, seria um desastre! Não haveria nem mesmo para onde emigrar, fora quem sabe algum outro planeta.
Qual a solução? Uma delas seria a de privilegiar a entrada de imigrantes mais qualificados, e limitar a de imigrantes-problema. O Canadá parece ter uma política imigratória melhor do que a dos EUA (onde a vinda de imigrantes qualificados é dificultada e a permanência de ilegais é privilegiada). Exige-se um certo número de anos de estudo, bem como várias outras qualificações. Por outro lado, mesmo as grandes cidades do Canadá hoje transbordam com refugiados muçulmanos, e prevê-se que o seu número aumentará. Qual será o ponto-limite após o qual um país muda sua cultura irreversivelmente?
A imigração, naturalmente, é só a porta de entrada. As novas gerações já não são mais de estrangeiros, mas de cidadãos legítimos que nem podem ser deportados. Os simpáticos jovens da "Guns and Shanks Gang", que tanto contribuem para o futuro da Inglaterra, são, segundo as leis, britânicos da gema.
Bem, como disse certa vez Luís XV (ou talvez sua amante a Madame de Pompadour), "depois de mim, o dilúvio". A mentalidade de muitos imigrantes (inclusive, provavelmente, a minha) é apenas a de melhorar a própria vida, não a de se preocupar com o futuro das nações ou do planeta.
O Primeiro Mundo, isto é, este pequeno grupo de países privilegiados pelo QI de sua população, pela sua cultura, pelas suas leis e pelos seus séculos de desenvolvimento civilizatório, talvez tenha sido uma aberração histórica. Penso que no futuro os Estados-Nação se desmantelarão, e voltaremos a uma espécie de feudalismo, com pequenos grupos de pessoas mais ricas e espertas encasteladas em fortalezas e, lá fora, rugindo, as hordas de bárbaros.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Mídia do bem, armas do mal?
Quase não assisto televisão. Nos últimos dois anos, nem tinha um aparelho que funcionasse em casa. Decidi consertá-lo por falta do que fazer, mas descobri que não perco muito. Dei-me conta que não suporto a propaganda televisiva, seja durante os comerciais, seja durante os programas jornalísticos. Melhor é informar-se pela Internet. Filmes e séries também podem ser assistidos online.
No entanto, parece que grande parte da população mundial ainda se informa através dessa mídia ultrapassada e demoníaca. E poucos percebem que não passa de um sistema de replicação de inverdades, de incultura e de incentivo ao consumismo mais calhorda.
Além de tudo, a grande mídia demonstra uma incrível falta de imaginação. Repete os mesmos temas uma e outra vez. O caso Zimmerman-Trayvon, por exemplo, já aconteceu.
Em 1984, um jovem branco e franzino, Bernhard Goetz, foi abordado no metrô de New York por 4 rapazes negros que o cercaram e lhe pediram (com atitude ameaçadora) dinheiro. Goetz respondeu a bala, ferindo gravemente seus atacantes. Os jovens estavam desarmados e a mídia fez um grande escarcéu. Goetz terminou acusado de ser um assassino racista, foi apelidado de Vingador do Metrô e seu ato inspirou o filme Desejo de Matar, com Charles Bronson. (Curiosidade: tanto Goetz como Zimmerman têm sobrenomes de origem judaica, Zimmerman devido ao pai adotivo judeu, mas é católico, e Goetz de pais judeus mas convertidos ao cristianismo).
No fim, após grande carnaval midiático e protestos populares, foi absolvido. Os quatro rapazes negros tinham carreira no crime, e um deles, meros dois meses após o tiroteio, sequestrou uma jovem grávida e apontou uma arma para a cabeça dela enquanto um companheiro a estuprava. Num subsequente processo civil, Cabey, a única das vítimas de Goetz que ficou paralítica e não pôde mais dedicar-se ao crime, ganhou 43 milhões de dólares. Os outros continuaram roubando e assaltando. (E o Vingador do Metrô? Ainda está vivo e em NY, virou vegetariano e protetor de esquilos desamparados.)
Existem dezenas ou centenas ou milhares de casos de gente que morre em tiroteio, mas é claro que à mídia interessa apenas o caso do vigilante branco (ou "branco") armado que mata minorias inocentes (ou "inocentes"). Por quê? Parte do motivo é a própria raridade de tal tipo de evento. Assaltantes ferindo ou matando suas vítimas não é notícia, o que é notícia é a reação. Parte também é a obsessão com o controle de armas, que foi afinal parte da discussão no caso Goetz e também no caso Zimmerman. E parte, naturalmente, é o aspecto racial. Fossem vítima e atirador nos dois casos apenas brancas ou apenas negras, haveria tanto escarcéu? Não temos como saber ao certo, mas provavelmente não.
Mas esqueçamos da entediante questão racial. Os casos são polêmicos também por tratarem-se de pessoas armadas que mataram gente desarmada e, talvez, inocente, ao menos do momento do ataque. Naturalmente, surge a questão do porte de armas e da legítima defesa. Até que ponto esta é válida? Até quando se deve esperar para atirar?
Uma vez fui atacado na rua por um sujeito drogado que queria dinheiro. Evitei-o, tentei fugir, levei um soco nos dentes. Eu não estava armado, afinal jamais usei armas, mas, e se estivesse? Será que eu deveria ter atirado nele? E se ele estivesse armado? Eu esperaria ele atirar em mim? No fim, tudo acabou com a chegada da polícia e a fuga do infeliz. Uma arma provavelmente teria causado uma morte, fosse a dele ou a minha.
Sempre fui a favor do porte de arma por entender que a legítima defesa é um direito do cidadão e, quando segundos contam, a polícia está a poucos minutos. Por outro lado, entendo que ter um revólver à mão facilita certas mortes. Muitos crimes passionais e mortes por motivo fútil não aconteceriam se não houvesse uma pistola nas mãos de alguém. Os vários tiroteios nas escolas americanas, querendo ou não, também são um resultado da facilidade de se ter armas nos EUA. E os casos de Goetz e Zimmerman, também. Por outro lado, não pode-se negar que, muias vezes, armas salvam vidas.
A pergunta do dia é -- você é a favor ou contra o porte de arma? Acha que Zimmerman e Goetz erraram ao atirarem em gente desarmada? Deveriam ter sido mais prudentes e aguardado, ou reagido com socos, mas sem atirar? E quanto à mídia, acham que esta influi demais na nossa percepção dos fatos? (Pergunto por que não me parece sempre tão claro se é a mídia progressista que influi na cultura, ou se é a cultura progressista a que influi na mídia).
Discutam entre vocês enquanto eu vou lá consultar o preço da Smith & Wesson Magnum .44...
No entanto, parece que grande parte da população mundial ainda se informa através dessa mídia ultrapassada e demoníaca. E poucos percebem que não passa de um sistema de replicação de inverdades, de incultura e de incentivo ao consumismo mais calhorda.
Além de tudo, a grande mídia demonstra uma incrível falta de imaginação. Repete os mesmos temas uma e outra vez. O caso Zimmerman-Trayvon, por exemplo, já aconteceu.
Em 1984, um jovem branco e franzino, Bernhard Goetz, foi abordado no metrô de New York por 4 rapazes negros que o cercaram e lhe pediram (com atitude ameaçadora) dinheiro. Goetz respondeu a bala, ferindo gravemente seus atacantes. Os jovens estavam desarmados e a mídia fez um grande escarcéu. Goetz terminou acusado de ser um assassino racista, foi apelidado de Vingador do Metrô e seu ato inspirou o filme Desejo de Matar, com Charles Bronson. (Curiosidade: tanto Goetz como Zimmerman têm sobrenomes de origem judaica, Zimmerman devido ao pai adotivo judeu, mas é católico, e Goetz de pais judeus mas convertidos ao cristianismo).
No fim, após grande carnaval midiático e protestos populares, foi absolvido. Os quatro rapazes negros tinham carreira no crime, e um deles, meros dois meses após o tiroteio, sequestrou uma jovem grávida e apontou uma arma para a cabeça dela enquanto um companheiro a estuprava. Num subsequente processo civil, Cabey, a única das vítimas de Goetz que ficou paralítica e não pôde mais dedicar-se ao crime, ganhou 43 milhões de dólares. Os outros continuaram roubando e assaltando. (E o Vingador do Metrô? Ainda está vivo e em NY, virou vegetariano e protetor de esquilos desamparados.)
Existem dezenas ou centenas ou milhares de casos de gente que morre em tiroteio, mas é claro que à mídia interessa apenas o caso do vigilante branco (ou "branco") armado que mata minorias inocentes (ou "inocentes"). Por quê? Parte do motivo é a própria raridade de tal tipo de evento. Assaltantes ferindo ou matando suas vítimas não é notícia, o que é notícia é a reação. Parte também é a obsessão com o controle de armas, que foi afinal parte da discussão no caso Goetz e também no caso Zimmerman. E parte, naturalmente, é o aspecto racial. Fossem vítima e atirador nos dois casos apenas brancas ou apenas negras, haveria tanto escarcéu? Não temos como saber ao certo, mas provavelmente não.
Mas esqueçamos da entediante questão racial. Os casos são polêmicos também por tratarem-se de pessoas armadas que mataram gente desarmada e, talvez, inocente, ao menos do momento do ataque. Naturalmente, surge a questão do porte de armas e da legítima defesa. Até que ponto esta é válida? Até quando se deve esperar para atirar?
Uma vez fui atacado na rua por um sujeito drogado que queria dinheiro. Evitei-o, tentei fugir, levei um soco nos dentes. Eu não estava armado, afinal jamais usei armas, mas, e se estivesse? Será que eu deveria ter atirado nele? E se ele estivesse armado? Eu esperaria ele atirar em mim? No fim, tudo acabou com a chegada da polícia e a fuga do infeliz. Uma arma provavelmente teria causado uma morte, fosse a dele ou a minha.
Sempre fui a favor do porte de arma por entender que a legítima defesa é um direito do cidadão e, quando segundos contam, a polícia está a poucos minutos. Por outro lado, entendo que ter um revólver à mão facilita certas mortes. Muitos crimes passionais e mortes por motivo fútil não aconteceriam se não houvesse uma pistola nas mãos de alguém. Os vários tiroteios nas escolas americanas, querendo ou não, também são um resultado da facilidade de se ter armas nos EUA. E os casos de Goetz e Zimmerman, também. Por outro lado, não pode-se negar que, muias vezes, armas salvam vidas.
A pergunta do dia é -- você é a favor ou contra o porte de arma? Acha que Zimmerman e Goetz erraram ao atirarem em gente desarmada? Deveriam ter sido mais prudentes e aguardado, ou reagido com socos, mas sem atirar? E quanto à mídia, acham que esta influi demais na nossa percepção dos fatos? (Pergunto por que não me parece sempre tão claro se é a mídia progressista que influi na cultura, ou se é a cultura progressista a que influi na mídia).
Discutam entre vocês enquanto eu vou lá consultar o preço da Smith & Wesson Magnum .44...
Go ahead, make my day.
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quarta-feira, 28 de março de 2012
A verdadeira tragédia da América negra
(Eu tinha tirado este post do ar por não estar muito satisfeito com ele -- demasiado prolixo, demasiado enrolado e sem dizer a que veio. Queria modificá-lo, mas realmente não tenho tempo. Porém, a pedidos, recoloco-o no ar assim como está.)
A histeria está tomando conta dos EUA devido ao caso de um jovem negro desarmado que foi morto por um vigia residencial latino. A princípio veiculado como um caso de racismo e violência gratuita, de um jovem negro morto walking while black, novas informações parecem mostrar uma situação mais complexa.
A histeria está tomando conta dos EUA devido ao caso de um jovem negro desarmado que foi morto por um vigia residencial latino. A princípio veiculado como um caso de racismo e violência gratuita, de um jovem negro morto walking while black, novas informações parecem mostrar uma situação mais complexa.
terça-feira, 20 de março de 2012
Kony 2012
Faz umas semanas saiu um vídeo, Kony 2012 (aqui um link para a versão legendada em português). Em poucos dias tornou-se viral, chegando a ser assistido por quase 90 milhões de pessoas em todo o mundo. Só mais tarde assisti o vídeo e na verdade tenho mais perguntas do que respostas.
Mais do que tudo, o vídeo, ainda que bem realizado, parece um grande infomercial do Facebook. Seu objetivo declarado é o de manter soldados americanos em Uganda para que treinem as tropas do país para que estas possam prender Joseph Kony, líder da LRA, de forma que ele possa ser julgado pela Corte Internacional de Haia. Mas o que devem fazer as pessoas comuns como eu e você para ajudar nesse objetivo? Comprar um bracelete e posters para "tornar Kony famoso" e doar dinheiro para uma instituição de caridade. Se o objetivo de era arrecadar fundos, conseguiram: foram mais de 15 milhões de dólares em duas semanas.
Curiosamente, Jason Russel, narrador e criador do vídeo, teve um chilique poucos dias depois da publicação do vídeo. Foi filmado andando completamente nu pelas ruas de San Diego, em estado de profunda alteração mental, masturbando-se, vandalizando carros e gritando frases desconexas. Extremamente bizarro. Drogas? Vudu africano? Envenenamento a mando da CIA?
O vídeo original e tudo que se seguiu a ele parece ser um bom resumo do esquerdismo pós-moderno. Tudo é aparência, tudo é imagem. Você compra um bracelete e coloca um link no Facebook, indicando que está apoiando uma causa boa e ganhando status entre seus pares. A ONG ganha dinheiro, as mídias interativas ganham publicidade, os americanos se envolvem em mais uma "guerra humanitária", a ONU finge ter relevância, o globalismo vai avante, e enquanto isso a vida das criancinhas africanas, com ou sem Kony, continua igual ou pior. Depois o esquerdista metrossexual criador do vídeo gasta parte do dinheiro em bebida e drogas, pira de vez e termina internado, e todos esquecem o assunto, passando a apoiar a nova causa da moda, como o drama das baleias palestinas ou o impacto do aquecimento global no Inferno.
Bem, mas talvez eu esteja sendo demasiado duro com o Jason. Também muitos esquerdistas criticaram o seu vídeo, que segundo eles reduzia uma situação complexa a slogans fáceis. (Na verdade, esse é um aspecto positivo do seu vídeo, como campanha de marketing foi genial). Outros criticaram o fato dele declarar-se cristão evangélico e aceitar dinheiro de instituições religiosas (ser cristão é o pior crime hoje em dia). Outros ainda o acusaram de ser um homossexual enrustido pela sua aparência e trejeitos, mas acho que é apenas o modo de ser do homem ocidental pós-moderno. Enfim, não deve mesmo ter sido uma semana fácil.
No fundo, Jason parece ser uma boa pessoa, convicta de seus ideais. Talvez seja aí que mora o problema. No poema White man's burden, hoje acusado de racista, Kipling demandava que o homem branco ajudasse os povos menos desenvolvidos (O poema era dedicado aos americanos que naquele então ocupavam as Filipinas). O colonialismo como atividade humanitária. Pensando bem, era uma idéia melhor do a que de hoje em dia, onde o homem branco, em vez de colonizar outros países, decide ajudar os mais subdesenvolvidos fazendo com que migrem em massa para seu próprio país, em uma utópica e equivocada noção de igualdade total entre todos os povos, raças, etnias, religiões e culturas.
Alguns argumentarão, não sem certa razão, que o colonialismo não era tão humanitário assim, que era apenas uma desculpa para a exploração econômica, que houve muitos abusos, opressão, tortura e morte. Os franceses na Argélia e os belgas no Congo, para dar dois exemplos apenas. Tudo bem. Ainda acho que isso não justifica trazer para morar em Paris milhões de habitantes das ex-colônias em nome de uma equivocada reciprocidade. Melhor ter franceses na Argélia querendo transformar o país na França, do que argelinos na França querendo transformar o país na Argélia.
Do jeito que as coisas vão, qualquer dia é capaz do próprio Kony pedir asilo político como refugiado nos EUA ou na Europa, e conseguir. Desde que não more no mesmo bairro rico e branco de Jason, tudo bem!
Mais do que tudo, o vídeo, ainda que bem realizado, parece um grande infomercial do Facebook. Seu objetivo declarado é o de manter soldados americanos em Uganda para que treinem as tropas do país para que estas possam prender Joseph Kony, líder da LRA, de forma que ele possa ser julgado pela Corte Internacional de Haia. Mas o que devem fazer as pessoas comuns como eu e você para ajudar nesse objetivo? Comprar um bracelete e posters para "tornar Kony famoso" e doar dinheiro para uma instituição de caridade. Se o objetivo de era arrecadar fundos, conseguiram: foram mais de 15 milhões de dólares em duas semanas.
Curiosamente, Jason Russel, narrador e criador do vídeo, teve um chilique poucos dias depois da publicação do vídeo. Foi filmado andando completamente nu pelas ruas de San Diego, em estado de profunda alteração mental, masturbando-se, vandalizando carros e gritando frases desconexas. Extremamente bizarro. Drogas? Vudu africano? Envenenamento a mando da CIA?
O vídeo original e tudo que se seguiu a ele parece ser um bom resumo do esquerdismo pós-moderno. Tudo é aparência, tudo é imagem. Você compra um bracelete e coloca um link no Facebook, indicando que está apoiando uma causa boa e ganhando status entre seus pares. A ONG ganha dinheiro, as mídias interativas ganham publicidade, os americanos se envolvem em mais uma "guerra humanitária", a ONU finge ter relevância, o globalismo vai avante, e enquanto isso a vida das criancinhas africanas, com ou sem Kony, continua igual ou pior. Depois o esquerdista metrossexual criador do vídeo gasta parte do dinheiro em bebida e drogas, pira de vez e termina internado, e todos esquecem o assunto, passando a apoiar a nova causa da moda, como o drama das baleias palestinas ou o impacto do aquecimento global no Inferno.
Bem, mas talvez eu esteja sendo demasiado duro com o Jason. Também muitos esquerdistas criticaram o seu vídeo, que segundo eles reduzia uma situação complexa a slogans fáceis. (Na verdade, esse é um aspecto positivo do seu vídeo, como campanha de marketing foi genial). Outros criticaram o fato dele declarar-se cristão evangélico e aceitar dinheiro de instituições religiosas (ser cristão é o pior crime hoje em dia). Outros ainda o acusaram de ser um homossexual enrustido pela sua aparência e trejeitos, mas acho que é apenas o modo de ser do homem ocidental pós-moderno. Enfim, não deve mesmo ter sido uma semana fácil.
No fundo, Jason parece ser uma boa pessoa, convicta de seus ideais. Talvez seja aí que mora o problema. No poema White man's burden, hoje acusado de racista, Kipling demandava que o homem branco ajudasse os povos menos desenvolvidos (O poema era dedicado aos americanos que naquele então ocupavam as Filipinas). O colonialismo como atividade humanitária. Pensando bem, era uma idéia melhor do a que de hoje em dia, onde o homem branco, em vez de colonizar outros países, decide ajudar os mais subdesenvolvidos fazendo com que migrem em massa para seu próprio país, em uma utópica e equivocada noção de igualdade total entre todos os povos, raças, etnias, religiões e culturas.
Alguns argumentarão, não sem certa razão, que o colonialismo não era tão humanitário assim, que era apenas uma desculpa para a exploração econômica, que houve muitos abusos, opressão, tortura e morte. Os franceses na Argélia e os belgas no Congo, para dar dois exemplos apenas. Tudo bem. Ainda acho que isso não justifica trazer para morar em Paris milhões de habitantes das ex-colônias em nome de uma equivocada reciprocidade. Melhor ter franceses na Argélia querendo transformar o país na França, do que argelinos na França querendo transformar o país na Argélia.
Do jeito que as coisas vão, qualquer dia é capaz do próprio Kony pedir asilo político como refugiado nos EUA ou na Europa, e conseguir. Desde que não more no mesmo bairro rico e branco de Jason, tudo bem!
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